Not Found

The requested URL /AdWords/urchin_gup_3.dat was not found on this server.


Apache/2.2.4 Server at www.servage.net Port 80
footballideas.com » 2008 » Fevereiro

Archive for Fevereiro, 2008

Porto Sentido IV – “Falem antes de Porto-dependência!”

Quinta, Fevereiro 28th, 2008

entrevistadequaresma.jpg 

      Desde há alguns anos que certa comunicação social tenta desesperadamente colocar dependências no FC Porto, como se o clube ganhasse os campeonatos não por ter uma equipa sólida, mas sim por ter um ou dois jogadores que fazem a máquina carburar. Confesso que nunca gostei muito destas dependências. Porque elas raramente ou nunca existem, de facto. 

      Julgo que esta mania começou com o chamado “fantasma” Baía, que pairou durante alguns anos nas Antas, sem que Wozniak, Rui Correia, Hilário, Silvino, Eriksson ou Kralij conseguissem fazer esquecer o mítico guarda-redes português, então ausente em Barcelona. Ora, penso que o problema começou exactamente aqui: a saída de Vítor Baía criou mesmo um “fantasma”, as luvas dos guarda-redes seguintes pareciam queimar. E esse “fantasma” só foi exorcizado com o regresso do próprio… Vítor Baía, em carne e osso. 

      Depois disso muito se falou da falta que o estratega Zlatko Zahovic ia fazer. O esloveno foi para a Grécia e começou a brilhar um rapazinho que dava pelo nome de Deco. 

      Enquanto Deco se ia fazendo um senhor jogador, trataram de arranjar uma nova dependência para o Porto: Mário Jardel, o Super-Mário, o artilheiro-mor do campeonato nacional em 5 épocas de dragão ao peito. Jardel saiu para Istambul e parecia que um novo “fantasma” ia aparecer. Mas logo surge um brasileiro chamado Pena que, com uma primeira época fantástica, se torna também ele no goleador máximo do nosso campeonato. É verdade que as épocas seguintes não lhe correram tão bem, mas serviu para mostrar que havia vida para lá de Jardel. Depois, Derlei, Postiga da fase Mourinho, McCarthy e agora Lisandro vieram demonstrar que o Porto é terra fértil para os avançados se tornarem goleadores. 

      Enterrados os cabeceamentos fulminantes de Jardel, uma nova dependência surgiu aos olhos de muitos. Desta vez centrada no tal rapazinho que começou a espalhar classe depois de Zahovic. Quem não se lembra de ter ouvido falar em Deco-dependência? Deco saiu e depois da atribulada época de Del Neri, Fernández e Couceiro surgiu um meio-campo bastante coeso e eficaz composto por Paulo Assunção, Raúl Meireles e Lucho González. Meio-campo esse que não fica muito atrás do célebre trio de Gelsenkirchen: Costinha, Maniche e Deco. 

      A par da suposta Deco-dependência, começa a desenhar-se, a partir da Final de Sevilha, outro “fantasma”: José Mourinho. Muitos apregoavam que o previsível adeus de Mourinho significaria o início da derrocada de Pinto da Costa e do Futebol Clube do Porto. Claro que com a saída do special one e com a autêntica sangria que o plantel sofreu, era óbvio que o reino portista sofresse um abalo, daqueles que aparecem na escala de Richter. O Dragão tremeu bastante, é certo. Mas mesmo assim chegou para erguer a segunda Taça Intercontinental da história do clube e para disputar o campeonato até à última jornada. Tudo isto numa época em que entraram e saíram dezenas de jogadores (diga-se que muitos dos que entraram não tinham categoria para envergar a camisola azul-e-branca e a maioria dos que saíram eram jogadores de classe mundial), conforme os ideais futebolísticos de cada um dos três treinadores que se sentaram no banco do Dragão. Na época seguinte seria um holandês (de que já me ocupei aqui numa crónica anterior) a devolver a estabilidade e o bom futebol aos adeptos portistas. 

      Depois veio o Apito Dourado e as biografias de vão de escada. Novamente se vaticinou a queda do Presidente Pinto da Costa e, consequentemente, do FC Porto. Mas a realidade é que o Porto caminha a passos largos para segundo tri da sua história. 

      A última novela gira em torno de Ricardo Quaresma, o Harry Potter do Dragão. Depois do jogo com o Nacional e do golo de Lipatin, tinha ficado provado, diziam muitos, que o Porto era Quaresma-dependente. Após o jogo frente ao Paços de Ferreira, pelos vistos, tudo mudou. Afinal o Porto até joga melhor sem ele, pois o rapaz prende demasiado a bola. Sem ele o futebol portista mais fluído. O Tarik e o Lisandro estão em grande forma e o Farías (e até o Mariano, pasme-se) não são assim tão maus como se pensava no início da temporada. Esta última vitória do Porto sem as quaresmices do costume gerou uma fogueira para jornais, rádios e televisões. Jesualdo é questionado todos os dias sobre isso e os seus colegas são inquiridos constantemente sobre a importância do internacional português. A última acha foi o n.º 7 não ter sido convocado para o jogo da Taça de Portugal frente ao Gil Vicente, que também terminou com uma vitória dos dragões. 

      Mas que ninguém se preocupe sobre a falta de fantasmas! Parece que já arranjaram outro, aliás, outros! Agora a discussão gira em torno do tango argentino. 

      Claro que tudo isto não passa de um rebuçado para nos distrair do essencial: o Porto é uma equipa a anos-luz das outras em Portugal e permite-se ganhar confortavelmente e jogando bem mesmo sem o seu maior artista. E se a equipa consegue ganhar sem Quaresma isso não significa que seja preferível jogar sem ele. E quando os argentinos saírem outros aparecerão. É que, se analisarmos bem o trajecto dos supostos fantasmas depois de terem abandonado a cidade Invicta, vemos claramente que o local onde foram mais felizes foi nas Antas/Dragão.  

      Baía foi infeliz na Catalunha; Zahovic ainda fez uma boa época no Olympiacos e depois acabou a fazer jogos miseráveis no Valência e no Benfica; Jardel teve algum sucesso na Turquia e alcançou no Sporting a sua melhor marca pessoal, mas acabou por se perder em Lisboa, andando hoje completamente perdido para o futebol de alto nível; Costinha, Derlei e Maniche, depois de deixarem o Dragão, nunca mais se reencontraram com as grandes exibições; o próprio José Mourinho, apesar do imenso sucesso interno do seu Chelsea, foi incapaz de dar a Abramovich o que tinha dado a Pinto da Costa e aos portistas: uma Liga dos Campeões. A excepção é Deco, que conseguiu ter um grande sucesso em Barcelona. É por isso que eu prefiro falar em Porto-dependência por parte destes personagens. O FC Porto acabou por ser o ponto alto das suas vidas futebolísticas. O que resulta óbvio é que a maioria dos atletas rende mais no Porto do que em qualquer outro lado. 

      O curioso é que pouco se tem falado do verdadeiro “fantasma” que hoje existe no futebol português. Não assombra no Dragão, mas sim na Luz. Falo obviamente de Simão Sabrosa, grandíssimo jogador, capaz de garantir 15 golos por época, dar outros tantos a marcar, exímio batedor de cantos, livres e grandes penalidades. Um jogador que carregou o Benfica às costas nas últimas épocas. E pelo andar da carruagem, o Benfica arrisca-se a ficar com outra assombração, quando Rui Costa pendurar definitivamente as chuteiras no final da época. 

      Contudo, o futebol é propício ao aparecimento repentino de novos ídolos, capazes de nos fazerem esquecer rapidamente as anteriores estrelas. Um bom exemplo disso é a mítica camisola 7 do Manchester United, sucessivamente envergada por George Best, Bryan Robson, Eric Cantona, David Beckham e, agora, Cristiano Ronaldo. E não duvidemos que depois do português aparecerá outro, tão bom ou melhor do que ele. É essa a beleza do futebol. Quando julgamos que vamos ficar órfãos de uma estrela, logo aparece um novo menino a fintar tudo e todos, a brincar com a bola, a deixar adversários colados ao relvado e a seguir em direcção à baliza. E depois esse menino envelhece, deixa de conseguir fazer o que fazia e logo é suplantado por outro. É por isso que o futebol nunca há-de morrer.    

A SEMANA  

1 – As semanas vão passando e de Leandro Lima não surge qualquer notícia. Será que o problema é apenas a tal questão da idade? Aguardemos pelas notícias, que tardem em chegar; 

2 – A renovação de Paulo Assunção parece estar encravada. Espero que se chegue rapidamente a uma solução que agrade a todas as partes. Relembro que foi a não renovação e consequente saída de Makelélé que destruiu o equilíbrio dos Zidanes & Pavónes do Real Madrid de Florentino Pérez. 

3 – Mais um grande jogador que abandonou os relvados portugueses sem a glória merecida. Falo obviamente de João Vieira Pinto, o Grande Artista, o Menino de Ouro. Entre outras inúmeras qualidades que possuía, penso que foi o jogador com melhor jogo de cabeça que conheci, logo depois de Mário Jardel. Jogava naquela posição indefinida de falso ponta-de-lança, que hoje em dia está em crise. Nem era médio nem avançado. Nem um 10. Mas tinha um pouco de tudo isso. Na memória de todos ficarão para sempre aqueles 3 golos em Alvalade e o genial golpe de cabeça frente à Inglaterra no Euro 2000.

      Tenho pena que João Vieira Pinto não tenha tido o adeus que merecia. Há uns anos, num carro de um amigo meu benfiquista, estávamos a ouvir um CD do Zé Manel Taxista (Maria Rueff) dedicado ao Benfica. Até que esse personagem começa a dizer em voz alta e rapidamente os grandes nomes do Benfica: Eusébio, Simões, Germano, José Águas, Coluna, Chalana, Humberto Coelho, Veloso, Magnusson, Rui Águas, Mozer, Ricardo Gomes, Rui Costa, Preud’Homme, Poborsky, Nuno Gomes, Simão Sabrosa, entre muitos outros. Quando a lista chega ao fim, esse meu amigo olha para mim meio envergonhado e diz com voz sentida “Reparaste? Esqueceram-se do João Pinto…”. Assim se reescreve a história. Se o Menino de Ouro tivesse jogado no seu clube de pequenino talvez o seu percurso tivesse sido diferente.  

Rodrigo de Almada Martins

 

A Luz do Lampião III - “Obrigado Blazek!”

Tera, Fevereiro 26th, 2008

 blazek_front.jpg

As coisas não estão muito bem para os lados da Luz. O Benfica sempre foi um clube cujo facto de jogar no seu estádio era sinónimo de vitória quase certa. Hoje em dia, assistimos a uma equipa que tem medo de jogar em casa e um estádio onde os adversários entram de peito aberto, pois sabem que ao fim de 15 minutos o ambiente do mesmo estará do lado deles.

 

Para além disso, o Benfica joga pouco. Muito pouco mesmo para a qualidade dos jogadores que tem. E depois Camacho também não ajuda, tomando decisões típicas do mais retrógrado dos treinadores portugueses da “old school”. Aliás, não é nada de novo se verificarmos com cuidado aquilo que foi a anterior passagem de Camacho pela Luz: muita raça, muita vivacidade, muita troca de bola e objectividade (que tem faltado esta época), mas a clara sensação de que quando as coisas estão a correr mal ele não saberá mexer! Camacho é muito conservador e arrisca muito pouco, mesmo quando está quase a perder.

 

Isso viu-se perfeitamente na eliminatória europeia das duas últimas semanas. Em Lisboa, o Benfica alinhou com a dupla de ataque que muitos pediam a viva voz. Não jogou bem, pois a bola perdia-se quando chegava às “duas torres” e porque o jogo que se exigia (rapidez pelas alas e cruzamentos para a área) não foi o praticado. Mas graças a um “perú” de Blazec, o Benfica foi para a Alemanha com ligeira vantagem sobre o Nuremberga e deu confiança a Makukula para o resto da época. Depois, vencemos a Naval, num jogo que correu bem mas podia ter corrido muito mal (ai se aquela bola no barrote entra…). E a verdade é que em Nuremberga só mesmo o futebol e a sua maravilhosa imprevisibilidade salvaram o Benfica. Num jogo em que o Nuremberga, apesar de mal classificado no campeonato, demonstrou muito mais futebol, coesão e vontade de ganhar que os encarnados, o Benfica teve a sorte com juros antecipados e que ficará a pagar durante muitos anos para ter conseguido o resultado que conseguiu.

 

Há um claro défice de performance de alguns jogadores. Luis Filipe demonstra não ter “arcaboiço” para camisolas com peso histórico. Petit está claramente a precisar de recuperação às múltiplas lesões de forma paciente, cuidada e sem interrupções, devendo sair do meio-campo benfiquista por algum tempo. Katsouranis está pouco incisivo na manobra defensiva. E depois há Camacho.

 

Maxi Pereira teve um dia para esquecer na quinta-feira, não acertando nem a atacar nem a defender. Luis Filipe já é mau quando o ajudam, então sozinho foi um “ver se te avias” no lado direito da defesa encarnada. Curiosamente, ambos mantiveram-se em campo com o SLB a perder por 2-0 e só Maxi (o menos mau) saíu, já aos 70 minutos. Para entrar Cardozo, Camacho mexeu em toda a estrutura da equipa:

 

            - Tirou Edcarlos;

            - Passou Katso para central;

            - Recuou Rui Costa;

            - Pôs Cardozo na frente;

 

Teria sido bem mais fácil e menos prejudicial tirar o Petit, que nada fez durante o jogo (mercê do que disse atrás). Ao mesmo tempo que faz isto, tira Maxi e põe mais um lateral, Sepsi, deixando Di Maria no banco. Depois de ter posto dois laterais direitos em campo frente ao Nacional, foi a vez de pôr dois laterais esquerdos contra o Nuremberga. Di Maria acabou por entrar para o lado… direito, aos 81 minutos para o lugar de Nuno Assís, um dos melhores elementos do Benfica nessa noite. Ou seja, manteve Léo, claramente já em perda e com muitos problemas para segurar, também ele, a lateral esquerda. O Benfica volta a ter duas torres na frente (Cardozo e Makukula) sem gente que pudesse alimentar convenientemente o jogo aéreo.

 

O giro disto tudo é que aos 90 minutos, Sepsi tenta um cruzamento que é interceptado, a bola sobra para Léo, que bombeia a bola para a “cabeça” da área, onde tabela em 3 ou 4 jogadores diferentes e sobra para Cardozo, que remata mais uma das suas famosíssimas roscas, tão famosas como os tiros potentes. A bola entra… e ninguém me tira da cabeça que Blazek, qual Ricardo ainda nos tempos do Boavista no velhinho Estádio das Antas, fia-se no golpe de vista e que a bola vai fora, mas apercebe-se tarde demais que afinal não vai… Nuremberga 2, Blazec 2! Depois disso, o Nuremberga foi em desespero para a frente e o segundo golo do Benfica é claramente um golo de eliminatória uefeira, em que os desesperados sofrem o golpe de misericórdia por parte dos apurados, como que sentenciando a desgraça dos eliminados com um resultado que não deixa dúvidas.

 

Por isso digo: obrigado, Blazek!

 

FORA da LUZ

 

Eduardo da Silva, internacional croata do Arsenal, viu a sua perna ceifada (no verdadeiro sentido da palavra) por um jogador do Birmingham, numa daquelas entradas “para intimidar e marcar posição” que acabou muito mal. Resultado: tíbia e peróneo dilacerados como se de uma cana de açúcar se tratassem. Não sei até que ponto Eduardo recuperará a sua fantasia futebolística. Sim, pode voltar a jogar, mas nunca mais será o mesmo, até mesmo pelo medo que terá ao choque. Mas pessoalmente, acho que o Martin Taylor, o “artísta” que fez aquela “obra de arte”, deveria ficar na bancada até ao dia em que “Dudu” voltasse a ser convocado. Se o croata acabasse a carreira, teríamos todos muita pena por Martin… ou talvez não.

 

PS: O Benfica passou esta eliminatória com sorte e irá defrontar o Getafe. Da última vez que o Benfica passou uma eliminatória “à rasca” e jogando mal, derrotou o PAOK (1999-2000) e na fase seguinte apanhou o… Celta de Vigo. Esperemos que a história não se repita.

 

Nuno Vitória 

ESTATÍSTICA DOS MÉDIOS DOS 3 GRANDES

Tera, Fevereiro 26th, 2008

meddefj.jpg medtransj.jpg 

O Leão da Serra II - “Época de caça ao bufo”

Segunda, Fevereiro 18th, 2008

images.jpeg 

O bufo sempre foi um animal perseguido, o que em parte se compreende. Diz o que não deve e, sempre, às pessoas erradas! Conta o que se devia esconder! Fala com quem é proibido! Ou seja, tem o perfil de um adolescente!

Às vezes, os clubes, quando não conseguem caçar o bufo, levantam-lhe barreiras, ou seja, instituem o mudo “black-out”, uma espécie de recolher obrigatório que restringe a acção dos bufos. Inclusivamente, uma vez, ouvi um responsável do nosso Sporting, da área da comunicação, numa palestra pública, a defender a ideia do jornal único (claro, o Jornal do Sporting) como forma de informar os adeptos. Sim, porque os jornais desportivos “públicos” nem sempre contam o que “nós” queremos… se os clubes fossem uma religião, chamariam estes jornais de “infiéis” e aos bufos de “judas”.

No Sporting, nas últimas semanas, está aberta a caça ao bufo. Pois, ao bufo que se lembrou de contar o que não se devia saber, mas já se desconfiava. Ao bufo que mostrou as fragilidades de um grupo técnico que veio para disciplinar e substituir outro acusado de não ter pulso nos jogadores! O que vale é que no futebol, como na vida, a memória é curta! Mas resta saber o que será melhor: se bom futebol no campo e alguma folga no balneário, se mau futebol no campo e indisciplina no balneário! Não, não me enganei na reflexão…

 

Francisco Pinheiro 

O Leão da Serra I - “Mais vale perneta no campo que às no sofá”

Quarta, Fevereiro 13th, 2008

 images7-1b.jpeg    images7-1.jpeg    sporting.jpg

É à volta do mundo da bola que giram provavelmente 70 por cento das conversas masculinas neste país. Não, não é uma crítica. Mais vale isso que falar mal do vizinho (o que deve corresponder a 10 por cento)! Mais dez são dedicados a falar de mulheres, claro, e os restantes 10, obviamente, para dizer mal do País. Sobre as conversas femininas não sei, nem quero arriscar muito, mas imagino que nos últimos anos a percentagem de conversas sobre futebol tenha aumentado substancialmente, em parte graças ao penteado do Paulo Bento!

Brincadeiras à parte, ou melhor, com algumas brincadeiras à mistura, vou passar todas as semanas a escrever neste blog sobre o Sporting Clube de Portugal. Aviso já que não me enquadro na secção do “adepto fanático”, nem na do “adepto ferrenho”, nem tão pouco no “adepto incondicional”. Faço mais parte dos adeptos que antes de tudo gostam de Futebol! Pois, somos poucos, uma espécie em extinção, mas ainda existimos. Costumo dar o exemplo do dia 14 de Dezembro de 1986, em que o Sporting goleou 7-1 o Benfica de Mortimore. Esteve uma tarde fantástica de sol e frio no sopé da Serra da Estrela e enquanto o Manuel Fernandes punha de olhos em bico o Silvino, eu fora destacado para a posição de lateral direito, numa futebolada contra a forte equipa de seminaristas do Verbo Divino. Como todos éramos do Sporting ou do Benfica (a Beira Baixa era ainda terra inóspita para portistas), mas também não queríamos deixar de jogar, decidimos colocar um rádio, com umas potentes colunas, na linha lateral e enquanto jogámos, pudemos acompanhar o desenrolar do “derby” lisboeta.

Que grande tarde de futebol, quer através do rádio, quer no campo pelado do Seminário. Nesse dia perdemos contra os rodados seminaristas. Pouco havia a fazer contra uma equipa abençoada por Deus e que conhecia em pormenor todos os buracos do campo. O Pacheco, que jogava a extremo-esquerdo pelos aspirantes a padres, trocou-me os olhos várias vezes! Quando acelerava, eu só rezava para que o campo encolhesse. Mas que grande tarde de futebol. Pelo rádio lá se iam ouvindo “gooooooooooooooooolo do Sporting”. Sete vezes. Sete!

Nós perdemos (o raio do Pacheco deixou bem evidente que a minha carreira futebolística nunca iria longe…), o Sporting também perdeu o campeonato, mas esse dia entrou para a história do Sporting e da vida de 22 jovens que preferiram jogar a ficar a ver os outros jogarem…

 

Francisco Pinheiro 

Porto Sentido III - O legado de Co Adriaanse

Quarta, Fevereiro 13th, 2008

adriaanse.jpg

 

Co Adriaanse saiu do FC Porto em circunstâncias estranhas. Confesso que nunca percebi a sua saída. Custa-me compreender que alguém (que até já começava a dominar a língua portuguesa) se tenha demitido de treinador de uma equipa campeã com um risonho futuro à sua frente apenas porque não lhe dão o ponta-de-lança que tanto desejava para fazer dos dragões a máquina de golos com que prometia assustar a Europa.

Claro que outras questões internas, como a deterioração das relações pessoais entre o holandês e alguns dos seus pupilos foram determinantes para o fim do reinado deste homem ao leme dos destinos dos nortenhos. Mas nessa atribulada pré-época foi notoriamentevisível, através de declarações para os jornais, o crescendo de irritação deAdriaanse pela não concretização da transferência de Hesselink, que viria a ser transferido para os escoceses do Celtic. De facto, Pinto da Costa e CoAdriaanse nem sempre estiveram em sintonia no capítulo das contratações. Já na novela Kromkamp (logo no ano de chegada do holandês), a SAD portista mostrou que não estava disposta a cometer a loucura de contratar um lateral direito porcerca de 8 milhões de euros, o mesmo se passando na pré-época seguinte com ogoleador do PSV, que custaria à volta de 10 milhões de euros. E convenhamos que, pelo menos neste aspecto, a SAD azul e branca esteve bem, visto que oexemplo de Cardozo é suficiente para provar que nenhum clube lusitano tem condições para arcar com o risco de contratar um jogador por essa verba.

 

As histórias de Kromkamp e Hesselink são demonstradoras da teimosia e até arrogância do holandês. De facto, Adriaanse nunca percebeu que o problema do seu Porto na Champions League não era a ausência de um “matador” que fizesse a diferença no jogo aéreo, mas sim o meio-campo, exactamente o mesmo que acontece com Jesualdo Ferreira. Com a agravante, claro,do primeiro jogar com apenas três defesas, enquanto que o segundo joga com os tradicionais quatro. A avaria do sistema estava no ousado e ao mesmo tempo apaixonante 3×4x3 (tão ao gosto do país das tulipas) e não na frente de ataque,onde até dispunha do exuberante Benni McCarthy. Aliás, segundo se veio a sabermais tarde, o sul-africano só quis abandonar o Dragão (no início da temporada 06/07) devido à má relação que mantinha com Co Adriaanse. Tivesse ele esperado mais uma semana e teria tido uma boa notícia.

 

Adriaanse tinha bastantesdefeitos, concordo. É inegável. Contudo, penso que chegou a hora dos portistas lhe darem o devido mérito. As grandes instituições – e o FC Porto é sem dúvida uma delas – devem saber olhar para o passado de frente, não caindo na tentativa de reescrevê-lo. E a Co Adriaanse deve ser-lhe reconhecida a importância vital que teve no ressurgir de um Porto dominador na pátria lusa e atrevido além fronteiras.

É importante recordar que este holandês chegou à Invicta numa altura bastante complicada. A época anterior tinha sido tudo menos pacífica, apesar da conquista da Taça Intercontinental. O clube vivia ainda na ressaca pós-Mourinho, tinha perdido o campeonato na derradeira jornada para o Benfica de Trapattoni e as entradas e saídas eram muitas. A contestação dos sócios era grande, em virtude da “escola de samba”adquirida na janela de transferências de Inverno com as contratações algo precipitadas de Pitbull, Léo Lima, Bomfim e Leandro.

 

Co Adriaanse chegou e foi capaz de fazer aquilo que Del Neri, Fernandez e Couceiro não conseguiram: arrumar a casa e devolver a disciplina ao balneário. Jogadores desmotivados e sem chama saíram (casos de Costinha, Maniche, Luís Fabiano e Derlei), bem como a tal “escola de samba”, que foi empurrada para fora do clube. A partir daí, começou a construir equipa ganhadora em torno de Lucho González.

 

A Adriaanse muita coisa lhe pode ser apontada. Mas duvido que houvesse alguém capaz de, naquela altura, fazer melhor. É certo que Diego, que agora confirma todo o seu potencial na Alemanha, não conseguiu ser aproveitado por este treinador. Mas também duvido que o brasileiro conseguisse entrar no actual esquema do Professor. A contratação de Sonkaya foi claramente um tiro longe do alvo, mas erros de casting acontecem todas as temporadas (Mariano, por exemplo). Também lhe podem atirar o facto de McCarthy não ter rendido, mas a verdade é que também com os três treinadores da época anterior o sul-africano pareceu sempre um jogador desconcentrado e desanimado. E Ibson, Jorginho e Postiga (chegou a ser testado a 10, lembram-se?) demonstraram com Jesualdo que se calhar o defeito era deles mesmos e não de… Co Adriaanse!

 

Ou seja, na maioria das questões em que Adriaanse não esteve tão bem, os outros não estiveram melhor. Por isso, analisemos as coisas boas, para além da dobradinha, obviamente. Desde logo, temos de pegar nos exemplos de Bosingwa, Pepe e Quaresma. Bosingwa, a jogar numa defesa de três centrais aperfeiçoou o seu jogo aéreo, a sua marcação e ainda as suas subidas pelocorredor direito, tornando-se num lateral direito hoje em dia cobiçado pelo Manchester United; Pepe, que era assobiado desde a sua contratação, tornou-se no Senhor 30 milhões, sucedendo a Ricardo Carvalho; e há-de chegar o dia de Quaresma agradecer publicamente ao holandês por se ter tornado definitivamente num jogador de classe mundial (aliás, alguns problemas de Ricardo Quaresma no tempo de Adriaanse mantêm-se na era Jesualdo, com os mesmos assobios  à mistura).

 

Para além destes três casos flagrantes, podemos referir outros, sem dúvida com a chancela Co Adriaanse: a definição de Helton como titular da baliza dos dragões, num processo que foi mais suave do que o previsto; a descoberta do potencial de Bruno Alves, que é hoje um central de elevada categoria; Paulo Assunção foi o eleito para ocupar o lugar deixado vago por Costinha e tem feito épocas fantásticas, mostrando ser um atleta de eleição; Raul Meireles confirmou todo o valor que tinha mostrado no Bessa mas que, na sua época de estreia, andou escondido; Lucho foi o El Comandante sobre o qual se ergueu o 3×4x3; Adriano mostrou dotes de goleador, dando vários troféus ao FC Porto; a entrada do prodígio Anderson em jogos a doer foi gerida com muita inteligência e sem pressas; Lisandro, apesar de jogar deslocado na direita e de render muito menos do que hoje, já ia espalhando o terror com as suas diagonais e nunca sofreu muito com a mudança para o futebol europeu, ao contrário de Bergessio ou Cardozo, por exemplo; e Tarik, que foi recrutado ao seu antigo AZ Alkmaar, apesar de não ter rendido no imediato, já mostrou que é um jogador especial, capaz de decidir um jogo.

 

É consensual dizer-se nos dias que correm que o Porto ganha porque tem o meio-campo mais forte, quer a defender, quer a atacar. Ora esse meio-campo composto por Assunção, Meireles e Lucho ganhou rotinas precisamente com Co Adriaanse. E desta defesa apenas Fucile ainda não estava no Dragão. No ataque também nada mudou, à excepção de Farias.

 

Por isso, penso que chegou a hora de dizermos um Muito Obrigado a Mr. Adriaanse. Dê-se o mérito a quem o merece. Este novo ciclo vencedor do FC Porto tem a sua marca. A César o que é de César. A Adriaanse o que é de Adriaanse.

 

Rodrigo de Almada Martins

 

 

Equipas de Sonho III - SPORTING

Tera, Fevereiro 12th, 2008

 tifoscpslb05063pa1.jpg            Tal como já fizémos para Benfica e FC Porto aqui deixámos uma possível selecção dos melhores jogadores de sempre do Sporting, num exercício muito arriscado, autenticamente “sem rede”, até porque nos baseamos no que vemos mas também no que lemos em jornais e livros. Mas, valendo o que vale, é sempre fascinante fazer estes “all star”. Vamos a isso.   Na baliza, a luta foi tenaz, já que os Leões sempre foram conhecidos por “produzirem” grandes guarda-redes. Mas ainda assim Carlos Gomes levou melhor sobre Azevedo e Damas (com o segundo a ocupar o banco). Na linha defensiva, o lateral direito Morais (o do canto directo que deu uma Taça das Taças), faz companhia a Eurico (que jogou nos três “grandes”), Jorge Vieira (um dos primeiros símbolos do clube) e Hilário (”Magriço” de luxo). No centro do meio campo, mais dois grandes jogadores dos anos sessenta, Fernando Peres e Fernando Mendes, acompanhados por dois desequilibradores que fariam as delícias de qualquer treinador: Luís Figo e  Travassos. Finalmente, o ataque fica a cargo de dois goleadores que muito bem se complementariam: o poderoso Peyroteo (o jogador com melhor média de golos por jogo do futebol português) e o “felino” Jordão. GR: Carlos Gomes (50’s)Defesas: Morais (60’s), Eurico (70’s), Jorge Vieira (10’s/20’s) e Hilário (60’s)Médios: Fernando Peres (60’s), Fernando Mendes (60’s); Figo (90’s/00’s) e Travassos (50’s)Avançados: Peyroteo (40’s) e Jordão (70’s/80’s)   Suplentes: Damas (70’s/80’s); Manuel Passos (40’s), Pedro Piresa (20’s) Adolfo Mourão (30’s), Yazalde (70’s), Manuel Fernandes (70’s/80’s), Jesus Correia (50’s) 

A Luz do Lampião II – A solução (para) Makukula

Segunda, Fevereiro 11th, 2008

makukula.jpg

O Benfica assegurou na passada semana, na minha opinião, uma das melhores contratações dos últimos anos. Trata-se de um jogador que tive o prazer de seguir nas camadas jovens da Selecção e que sempre achei que seria uma mais valia quer para a própria selecção, quer para uma qualquer equipa de topo do futebol português. Falo, obviamente, de Aziza Makukula.

 

No entanto, confesso que Makukula está longe de ser a solução para todos os problemas do Benfica. Este sábado, por exemplo, os problemas que ficaram resolvidos em Guimarães com o livre de Cardozo obviamente que voltaram. Mais, comprova-se aquilo que eu sempre afirmei como sendo o grande defeito de Camacho: quando as coisas não estão a correr bem, não sabe mexer. A saída de Nelson até é ajustada, não fosse ela para a entrada de Léo, isto para não falar do facto de ainda estar para perceber a razão de ter dois laterais direitos em campo e dois laterais esquerdos no banco de suplentes. Completamente fora do entendimento foi a substituição de Di Maria, jogador que estava a demonstrar mais inconformismo e que melhor estava a municiar o ataque. Para além disso, não se percebe porque Petit e Katsouranis acabaram os dois o jogo, quando fizeram ambos uma exibição para esquecer e ambos são jogadores defensivos. Para mal, basta um.

 

Muitos consideram hoje Cardozo o grande goleador e a esperança maior de um Benfica campeão em 2007/2008. A realidade é que, se alguma réstea de esperança me sobra, essa estaria depositada em Makukula e nunca em Cardozo. O paraguaio está longe, muito longe mesmo de justificar os quase 10 milhões de euros investidos, quase 3 vezes mais do que aquilo que custou Makukula, que tem mais técnica, melhor domínio de bola, melhor jogo de cabeça e melhor posicionamento que o Tacuara. Os únicos pontos em que Cardozo bate Makukula é na potência de remate e na colocação do mesmo… quando a bola está parada. Apesar dos 7 golos na Liga Portuguesa (mais um que o mal-amado Nuno Gomes) e de mais 3 na Liga dos Campeões (mais 2 que o número 21), Cardozo é claramente um jogador com grandes limitações técnicas, em que a sua inépcia para o uso do pé direito não justifica tudo, colmatando essas suas debilidades com muita entrega e muita luta. No entanto, eu julgo que se tivesse custado ao Benfica um valôr dentro daquilo que custou Makukula já era um valôr inflacionado.

 

Convém dizer que o Makukula não é a solução para os problemas do Benfica. Aliás, quem me conhece sabe que eu digo que jogadores como Drogba, Hernan Crespo, Waine Rooney, Andry Shevschenko ou Huntellaar marcariam tantos ou pouco mais (ou se calhar menos) golos que aqueles que jogam actualmente no ataque benfiquista. O problema não se coloca, muitas vezes, em quem está lá à frente, mas sim em quem está dos lados. Isto para dizer que há muito tempo que o Benfica tem um claro défice de jogo pelas alas, mais concretamente no que à eficácia de cruzamento diz respeito. Um problema que nem Simão Sabrosa resolvia, pois não era essa a sua especialidade. A triste realidade é que há muitos anos, desde provavelmente Karel Poborsky, que o Benfica não tem um jogador que saiba fazer 9 em cada 10 cruzamentos para a zona do ponta-de-lança.

 

Minto. Depois disso, até muito recentemente, tivémos um: Laurent Robert! Só que o problema do francês é que os cruzamentos e a marcação de livres não compensavam o rol de asneiras que fazia durante o resto do tempo. Mas voltando à “alimentação” do ponta-de-lança pelas alas, verificamos que Léo não é um especialista no cruzamento, Nelson regrediu claramente neste aspecto (uma característica que justificou de sobremaneira a sua contratação), Di Maria e Rodriguez são mais desequilibradores da linha para o meio do que propriamente na linha, Maxi Pereira é mais um tampão defensivo do que um extremo. Resta-nos esperar, por isso, que Rui Costa ensine Freddy Adu a fazer tudo, como ele faz aos 35 anos no Benfica: organizar jogo, construir, cruzar, rematar…

 

Fora da Luz

 

Gostaria de destacar a fantástica época que Cristiano Ronaldo está a fazer. Um jogador que explodiu de forma estupenda e que está praticamente a levar o Manchester United “às costas” na perseguição ao Arsenal. Como sou muito terra a terra, continuo a achar que, apesar de tudo, Ronaldo ainda é muito novo para lhe ser dado um estatuto tão grande na Selecção, ao ponto de ser um dos capitães. E só mudarei de opinião quando Ronaldo mostrar que tem a maturidade suficiente para manter na Selecção os índices de produtividade e de objectividade que tem no Manchester Uniter.

Jesualdo Ferreira – 4×3x3 ou 4×4x2 ? Eis a questão!

Segunda, Fevereiro 4th, 2008

jf.jpg  4×4x2.jpg

Quando o Prof. Jesualdo Ferreira iniciou funções no FC Porto, não demorou muito tempo a abolir o ousado 3×4x3 de Adriaanse e a implementar o seu sistema táctico preferido que tão bons resultados lhe deu em Braga: o 4×3x3.

E se por um lado é no 4×3x3 que se sente mais cómodo e que provavelmente lhe vai trazer o segundo campeonato nacional consecutivo e o tri para o FC Porto, por outro é notório o receio que sente em utilizar esse mesmo sistema nos grandes jogos.

Um treinador deve confiar cegamente no seu sistema táctico. Quando isso acontece, a disposição das peças no terreno nunca muda, quer o adversário seja o AC Milan, quer seja o Carcavelinhos. Jesualdo, pelo contrário, já enveredou diversas vezes pelo 4×4x2, quase sempre com resultados pouco animadores. Exemplos disso são os confrontos de Stamford Bridge, Anfield Road e Alvalade, em que o medo do meio-campo das equipas adversárias falou mais alto que as suas próprias convicções.

Ora, se Jesualdo é casado há bastantes anos com o 4×3x3, está mais que visto que não consegue esconder a paixão que nutre pelo 4×4x2. O problema é que, até ver, essa paixão não é correspondida, o que o faz manter o casamento com o sistema táctico actual. Sistema esse que, bem ou mal, tem chegado e sobrado para consumo interno. Mas o técnico dos azuis e brancos tem a plena consciência de que para se triunfar na Europa do futebol é necessário saber manobrar as variantes do 4×4x2, mesmo que esse seja o sistema mais complicado de calibrar por implicar necessariamente uma distribuição menos uniforme dos jogadores no relvado.

Mesmo sendo um sistema que exige muito treino e disciplina (que o diga Paulo Bento!…), é hoje em dia consensual que o 4×4x2 é a melhor arma para se ter sucesso na Champions League. Desde logo porque os jogos se ganham cada vez mais na linha intermediária. Assim, quem colocar mais elementos nessa zona do terreno – se os souber organizar, claro – tem mais probabilidades de ganhar a dura batalha do meio-campo e, consequentemente, de ganhar o jogo.

Jesualdo Ferreira vive, deste modo, num dilema táctico. O tour europeu está aí à porta e inicia-se na Gelsenkirchen de boa memória. Se o 4×3x3 é perfeito para as provas internas, perde nitidamente fulgor nos jogos europeus. Só que o 4×4x2 a que o treinador recorre nestes jogos não tem rotinas e é facilmente anulado. Qual será, então, a solução? Começar a ensaiar o 4×4x2 nos jogos teoricamente mais fáceis da BWIN Liga ou assumir definitivamente o 4×3x3, levando-o até às últimas consequências? Um enigma nada fácil de ser resolvido, visto que nos últimos anos apenas o Barcelona de Rijkaard conseguiu vencer a Liga dos Campeões jogando em 4×3x3, utilizando Ronaldinho, E’too e Giuly na final frente ao Arsenal.

Na minha opinião, muito dificilmente Jesualdo Ferreira conseguirá impor o 4×4x2 no FC Porto. Muito por culpa de um homem: Ricardo Quaresma. Há quem diga que os grandes jogadores jogam em qualquer lado e se encaixam em qualquer sistema. Não concordo. Quaresma e Jardel, por exemplo, demonstram a razão da minha tese. Ambos exigem que se jogue em 4×3x3. O primeiro porque necessita de jogar colado às linhas (embora seja um jogador livre por natureza) para arrancar os seus fantásticos cruzamentos da esquerda (de trivela, preferencialmente) e da direita, implicando ter um homem na área pronto a finalizar; o segundo porque necessita de jogar sozinho na área e de ter dois homens colados às laterais a alimentar a sua fome de golos com cruzamentos milimétricos. Nas antigas Antas esses homens eram Capucho e Drulovic. E talvez tenha sido precisamente o 4×3x3 com que o Porto alinhava na era Mário Jardel que impediu Oliveira e Fernando Santos de triunfar na Europa, já que o terceto da frente era praticamente inofensivo no momento de defender.

Contudo, até por razões históricas se aconselha Jesualdo a optar pelo 4×4x2. Isto, claro, se quiser algo mais do que o sucesso a nível nacional. É que, curiosamente, o FC Porto alinhou sempre em 4×4x2 nas suas grandes conquistas europeias. Em Viena, face à lesão do bi-bota Fernando Gomes, Artur Jorge surpreendeu os alemães ao não colocar um ponta-de-lança fixo e a introduzir Madjer e Futre, vagabundos na frente. Em Sevilha, seria a vez do castigo de Postiga o impedir de jogar a final. Mourinho decide colocar, então, Nuno Capucho (preterindo Jankauskas) para fazer parelha na linha avançada com Derlei. Em Gelsenkirchen, Mourinho volta a optar de novo por 2 homens soltos na frente: Derlei e Carlos Alberto. Sempre com o losango atrás deste homens, claro. The history repeats itself

Mas a este FC Porto falta, essencialmente, o tal quarto médio, indispensável num 4×4x2. E esse médio nunca poderá ser, por exemplo, Marek Cech. Bolatti chegou a ser pensado como uma solução, fazendo adiantar Assunção no terreno para jogar lado a lado com Meireles, libertando Lucho para missões mais ofensivas. Mas o trinco argentino está a demorar a adaptar-se ao futebol do Velho Continente. Leandro Lima seria também um jogador interessante para este sistema, mas padece do mesmo mal de Bolatti. Kazmierczak tem mostrado sentir muito o peso da camisola. Quaresma, Sektioui e Barbosa são homens de rasgos, de rupturas, dependentes da inspiração, necessitados das linhas laterais para explanarem o seu futebol. Por isso mesmo e também por não defenderem, nunca poderão participar na gestão do meio-campo, na ocupação dos espaços e nos processos de transição ofensiva e defensiva que faziam do Porto de Sevilha e do Porto de Gelsenkirchen equipas dominadoras da zona central do relvado. O trio base destas conquistas era composto por Costinha, Maniche e Deco. Frente ao Celtic juntou-se-lhes o russo Alenitchev, enquanto que diante do Mónaco foi a vez de Pedro Mendes ocupar um lugar no losango. Daí que a contratação de Belluschi ou o regresso de Ibson, médios de alguma maneira semelhantes a Alenitchev e a Mendes, se me tivessem afigurado como ideais. E quem sabe se um montenegrino canhoto (que em tempos esteve nas cogitações de Jesualdo) não encaixaria bem neste eventual sistema? Estes jogadores acabaram por não vir parar ao Dragão. Por isso, o enigma continua. O Professor tem a palavra!

 

 

A SEMANA

 

O fim-de-semana futebolístico veio mostrar que a jornada passada foi mais própria do dia 1 de Abril do que de finais de Janeiro. O Benfica confirmou não ser a equipa unida e com capacidade de sacrifício que esteve na cidade-Berço e o Sporting demonstrou não ser a equipa eficaz e pragmática que defrontou os bi-campeões nacionais. O FC Porto fez a União de Leiria pagar a factura (como em tempos alguém disse…) da derrota em Alvalade e logo com uma goleada. O regresso do 4×3x3 devolveu a fluidez e a liberdade de movimentos à equipa, num jogo marcado pelas sociedades que a equipa de Jesualdo vai criando jornada após jornada: à Lucho & Lisandro, SA junta-se agora a Quaresma e Farías, Lda.

Por isso, as declarações de Celsinho e de Edcarlos só transparecem o desconhecimento dos atletas em questão da realidade do nosso futebol. E são péssimas para eles e para os próprios associados dos seus clubes, que se agarram a estes ditos numa réstia de esperança, saindo depois facilmente desiludidos e com vontade de assobiar e abanar lenços brancos.

E isto numa semana de trabalho que até se revelou algo instável para as bandas do Olival, devido ao caso Leandro Lima. Já se suspeitava que nesta história havia gato. E pelos vistos houve mesmo. Terá o FC Porto comprado “gato” por lebre? Aí está mais uma história para seguir nos próximos capítulos.

                                                                         Rodrigo de Almada Martins

 

 

Roberto (Leixões) - golos que valem vitórias

Sexta, Fevereiro 1st, 2008

roberto.jpg

ROBERTO - AVANÇADO

 

Nome: Roberto Alcântara Ballesteros

Data Nascimento: 25-06-1977 (30 anos)

Nacionalidade Brasileira

Naturalidade: Osasco (São Paulo)

 

Época Clube Jogos Golos

 

1997 Volta Redonda 

1998 Volta Redonda 

1999 CA Juventude

2000 Volta Redonda 

2001 VN Goiás

2002 VN Goiás

2002/03          Penafiel                7 3

2003/04          Penafiel              33 20

2004/05          Penafiel              31 10

2005/06          Penafiel              21 3

2006/07          Leixões             33 18

2007/08           Leixões             18 6 (Até 17ª Jornada)

 

 

- Em 51 jogos, soma 4288 minutos ao serviço do Leixões e marcou 24 golos, distribuídos pelas competições oficiais (Liga Vitalis, 17; Taça Portugal, 3; Taça da Liga, 1; BWin Liga, 3) 

 

 - O dado mais relevante é que sempre que marca, desde que chegou ao clube de Matosinhos, o Leixões não perde. Foi assim em 20 partidas, nas quais 19 deram vitória e apenas um empate. Foi na Liga Vitalis 2006/2007, 17ª Jornada, em Santa Maria da Feira, diante o Feirense, marcou golo do empate no último minuto do jogo).  

 

- Apenas não utilizou o pé esquerdo para facturar. Tem 15 golos de pé direito e marcou por 9 vezes de cabeça. 

 

- Na época transacta conseguiu ainda fazer quatro assistências para golo. 

- Ganhou o título de melhor marcador da Liga Vitalis 2006/2007, com 17 tentos. Alm de ter sido campeão da mesma competição pelo Leixões Sport Club.  

 

 - Nesta época, 2007/2008, é ainda mais preponderante,

O Leixões venceu 6 partidas nas competições oficiais (Taça da Liga: Varzim; Taça Portugal: Torrense e Anadia; BWin Liga: Braga, Leiria e Paços Ferreira). 

Roberto marcou seis golos, um em cada vitória da sua equipa. 

 

 - Ou seja, sempre que Roberto marcou o Leixões venceu. Marcou ainda o golo da vitória diante Anadia, 1-0, (Taça de Portugal) e Paços de Ferreira, 1-0, (BWin Liga)    

 

 

 

TODOS AS PARTIDAS: 

 

Liga Vitalis 2006/2007

1ª Jornada -  23 Dezembro 

Leixões – Gil Vicente, 2-1 

 

2ª Jornada -  12 Setembro 

Santa Clara – Leixões, 0-2 

 

3ª Jornada – 17 de Setembro 

Portimonense – Leixões, 1-4 : (Marcou:1-1 (gp. pé direito); 1-3 (pé direito); 1-4 (Pé direito)

 

4ª Jornada – 24 de Setembro 

Leixões – Feirense, 1-1 

 

5ª Jornada – 1 de Outubro

Estoril – Leixões, 1-0

 

6ª Jornada – 15 de Outubro 

Leixões – Trofense, 1-0: (Marcou o golo pé direito)

 

7ª Jornada – 22 de Outubro 

Rio Ave – Leixões, 1-2: (Marcou: 1-1 (cabeça); 1-2 (pé direito)

 

8ª Jornada – 29 de Outubro

Leixões – Guimarães, 0-2

 

9ª Jornada – 5 de Novembro 

Gondomar – Leixões, 1-2: (Marcou o 0-1, pé direito)

 

10ªJornada – 19 de Novembro

Leixões – Olhanense, 0-1

 

11ª Jornada – 26 de Novembro

Vizela – Leixões, 2-3: (Marcou o 1-1, cabeça)

 

12ª Jornada – 3 de Dezembro

Leixões – Varzim, 4-0: Marcou: 2-0, calcanhar pé direito; 3-0, cabeça

 

13ª Jornada – 10 de Dezembro

Penafiel – Leixões, 3-0

 

14ª Jornada – 17 de Dezembro

Leixões – Olivais, 4-0: Marcou o 2-0, pé direito

 

15ª Jornada – 14 de Janeiro

Chaves – Leixões, 0-1: Marcou, pé direito

 

16ª Jornada – 28 de Janeiro

Gil Vicente – Leixões, 1-0

 

17ª Jornada – 4 de Fevereiro

Leixões – Santa Clara, 3-1

 

18ª Jornada – 18 Fevereiro

Leixões – Portimonense, 0-0

 

19ª Jornada – 25 Fevereiro

Feirense – Leixões, 1-1: Marcou 1-1, de cabeça

 

20ª Jornada – 4 de Março

Leixões – Estoril, 1-0

 

21ª Jornada – 11 de Março

Trofense – Leixões, 1-0

 

22ª Jornada – 18 de Março

Leixões – Rio Ave, 0-0

 

23ª Jornada – 30 Março

Guimarães – Leixões, 0-0

 

24ª Jornada – 7 Abril

Leixões – Gondomar, 2-0: Marcou, 2-0, pé direito

 

25ª Jornada – 15 Abril

Olhanense – Leixões, 1-2

 

26ª Jornada – 22 Abril

Leixões – Vizela, 2-0

 

27ª Jornada – 29 Abril

Varzim – Leixões, 1-1

 

28ª Jornada – 6 de Maio

Leixões – Penafiel, 2-0: (Marcou o 1-0, pé direito)

 

29ª Jornada – 13 de Maio

Olivais Moscavide – Leixões, 1-2: (Marcou o 1-2, pé direito)

 

30ª Jornada – 20 de Maio 

Leixões – Chaves, 3-0: (Marcou o 1-0, pé direito)

 

Taça de Portugal 2006/2007

3ª elimina. - 11 Novembro

Leixões – Ribeirão, 1-0

 

4ª elimina. – 7 Janeiro

Leixões – Famalicão, 2-1: Marcou o 2-1, cabeça

 

5ª elimina. – 21 Janeiro

Leixões – Académica, 1-2

 

Taça da Liga 2007/2008

2ª Elimina. 12 de Agosto, 

Varzim – Leixões, 0-4 (Marcou o 0-4, pé direito) 

 

BWin Liga 2007/2008

1ª Jornada – 18 Agosto

Leixões – Benfica, 1-1

 

2ª Jornada – 26 Agosto

Paços Ferreira – Leixões, 1-1

 

3ª Jornada – 31 Agosto

Leixões – Guimarães, 2-2

 

4ª Jornada – 15 Setembro

Boavista – Leixões, 0-0

 

5ª Jornada – 23 Setembro

Leixões – Nacional, 1-1

 

Taça da Liga 2007/2008

3ª elimina. – 26 Setembro

Leixões – Leiria, 0-2

 

BWin Liga 2007/2008

6ª Jornada – 1 Outubro

Académica – Leixões, 1-1

 

7ª Jornada – 7 Outubro

Leixões – Naval, 0-1

 

8ª Jornada – 29 Outubro

Porto – Leixões, 3-0

 

9ª Jornada – 3 de Novembro

Leixões – Braga, 3-0: (Marcou o 1-0, cabeça)

 

10ª Jornada – 9 Novembro

Belenenses – Leixões, 1-1

 

11ª Jornada – 24 Novembro

Leixões – Sporting, 1-1

 

12ª Jornada – 2 Dezembro

Estrela Amadora – Leixões, 2-0

 

Taça de Portugal 2007/2008

3ª Elimina. – 8 de Dezembro

Leixões – Torreense, 4-0 : (Marcou o 3-0, pé direito)

 

BWin Liga 2007/2008

13ª Jornada – 16 de Dezembro

Leixões – Leiria, 2-1: (Marcou o 1-0, cabeça)

 

14ª Jornada – 23 Dezembro

Leixões – Setúbal, 1-1

 

15ª Jornada – 6 Janeiro

Marítimo – Leixões, 2-1

 

16ª Jornada – 12 Janeiro

Benfica – Leixões, 0-0

 

Taça de Portugal 2007/2008

4ª Elimina. – 20 de Janeiro 

Leixões – Anadia, 1-0: (Marcou o golo, cabeça)

 

BWin Liga 2007/2008

17ª Jornada – 27 de Janeiro

Leixões – Paços de Ferreira, 1-0: (Marcou o golo, cabeça)

 


Uma análise de: BRUNO LEITE