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Archive for Abril, 2008

O louco clássico da Taça: Sporting, 5 - Benfica, 3

Segunda, Abril 28th, 2008

sportingbenficayannickdjalo.jpg 

 

 

 

 

 

 Quadro geral comparativo duas equipas:

 

 

Elementos

    Sporting

Benfica

posse de bola

68%

32%

golos

5

3

remates

18

7

remates na área

11

6

remates no alvo

7

         3

remates com perigo

8

4

cruzamentos

30

10

cruzamentos com remate

5

2

faltas cometidas

17

17

cantos

6

1

livres perto da área

2

1

foras de jogo

1

1

cartões amarelos

3

5

cartões vermelhos

 

- 

- Em 26 confrontos a contar a para a Taça entre os grandes de Lisboa, o Sporting venceu 14. Nas três finais realizadas com o FC Porto, o Sporting conquistou 1.

- O Sporting continua com um bom registo caseiro na presente época e ainda não perdeu em Alvalade nas competições nacionais.

- O grande herói da vitória leonina foi Djaló (2 golos), que já leva 6 tentos apontados nos últimos 5 jogos disputados.

- Derlei voltou a marcar, depois do golo conseguido na 1.ª jornada do Campeonato, a 17 de Agosto de 2007.

- O Benfica vive momento negro, tendo sofrido 8 golos nos dois últimos encontros disputados.

- Apesar do equilíbrio registado no marcador e da emoção vivida neste jogo, números ofensivos das duas equipas dão grande superioridade ao Sporting, desde logo na posse de bola (68%, 56% ao intervalo), mas também em termos de remates (18-7), remates na área (11-6), remates no alvo (7-3), remates com perigo (8-4), cruzamentos (30-10), remates na sequência de cruzamentos (5-2), cantos (6-1).

- No entanto, o Benfica foi melhor na primeira parte e apesar da menor posse de bola rematou tanto como os leões (5 vezes), mas acertou mais vezes no alvo (2-0) e fez mais remates com perigo (3-0). Ou seja, o Benfica marcou sempre que acertou no alvo e em 2 dos seus 3 remates perigosos, enquanto o Sporting não conseguiu qualquer remate perigoso e tão pouco acertar na baliza contrária.

-  A superioridade benfiquista na primeira parte assentou na liberdade concedida a Di Maria, a jogar solto na frente de ataque (1 assistência, 4 cruzamentos, 3 dos quais da esquerda) e nos passes de ruptura de Rui Costa (3 na primeira parte, de um total de 4). Nesta primeira parte a equipa do Benfica realizou 7 dos seus 8 passes de ruptura – apenas 1 na segunda parte.

- Na segunda parte, tudo mudou: os leões aumentaram ainda mais a posse de bola (68%), alargaram a frente de ataque (com Vukcevic a abrir na esquerda e Izmailov na direita), com dois avançados (Liedson e Derlei), mais Djaló nas suas costas, e os números são impressionantes: 13 remates (contra 5 da primeira parte), 7 remates no alvo (contra nenhum na primeira parte), 8 remates no alvo (contra nenhuma na primeira parte). Resultado: 5 golos em cerca de 25 minutos)

- O Sporting realizou nesta segunda parte o dobro dos cruzamentos efectuados na primeira (10+20), com o lado direito a ser mais explorado (19; 11 da esquerda), destacando-se Izmailov (3, só na segunda parte) e Abel (4). Note-se que só na segunda etapa o Sporting chegou 13 vezes à linha de fundo para cruzar (contra apenas 2 na primeira parte), sendo que também só na segunda parte conseguiu rematar na sequencia de cruzamentos (4 golos após cruzamentos).

 

 - Acima de tudo foi um jogo em que as equipas primaram pela eficácia de remate: o Sporting com 26,3% (5 golos em 7 remates no alvo!) e o Benfica com 42,8% (3 golos em 7 remates realizados, dos quais 3 remates no alvo e 54 perigosos!).

- O Sporting conseguiu bons níveis de construção de jogo na segunda parte (8 passes de ruptura contra 4 na primeira parte), na tendência inversa do Benfica que deixou de conseguir penetrar na defensiva contraria (apenas 1 passes de ruptura na segunda etapa). Mourinho foi o mais esclarecido com 5 passes de ruptura, seguido por Izmailov (3, só na segunda parte).

- Nenhuma das equipas apresentou elevados níveis de agressividade defensiva (10 recuperações em meio-campo adversário para o Sporting e 7 para o Benfica).

- As duas equipas realizaram igual número de faltas (17) mas os benfiquistas viram mais “amarelos” (5-3), com quase todos os cartões a serem mostrados na segunda parte (8).

 

 

 

 

MELHOR EM CAMPO DO SPORTING: Djaló

 

- 2 golos

- total de 4 remates

- 2 cruzamentos

- 1 recuperação de bola

- 5 perdas de bola

- 1 falta cometida

- 2 faltas sofrida

- 1 cartão amarelo

 

 

 

MELHOR EM CAMPO DO BENFICA:

 

Di Maria

 

1 assistência

1 passe de ruptura

4 cruzamentos

1 recuperação

6 perdas de bola

nenhuma falta cometida

2 faltas sofridas

1 cartão por indisciplina

 

A LUZ DO LAMPIÃO V: “MAESTRO, NÃO. MAGISTRAL!”

Quinta, Abril 10th, 2008

rui-costa-se-presenta-con-el-benfica.jpg

O Benfica fez no Bessa provavelmente a melhor exibição da época. No entanto, em vez de se congratularem por terem a equipa no bom caminho no ataque ao 2º lugar (para minorar os estragos de uma época que toda ela foi um erro pegado), apesar do resultado menos bom, não: viraram armas contra os árbitros em geral, contra Lucílio Baptista em particular e contra as entidades competentes do futebol, tudo porque Lucílio Baptista não assinalou dois penaltis claros aos olhos de Chalana e de Luís Filipe Vieira. Os dois casos mencionados são a entrada de Zé Kalanga sobre Léo e a suposta mão na bola, já perto do fim do jogo, de um defesa do Boavista dentro da área. Pessoalmente, a minha opinião é que nenhum deles é penalti e que a existir um castigo máximo a favor do Benfica esse foi num lance em que Cristian Rodriguez tenta cabecear uma bola mas é carregado pelas costas por Marcelão, num daqueles lances típicos que se fosse a meio campo o árbitro marcava na hora… E mais uma vez, Luís Filipe Vieira volta a falar dos árbitros, depois de pela 15ª vez ter dito que o presidente do Benfica não falava de arbitragens… Um “dejá vu” que já chateia…

 

Falemos de coisas boas. Rui Costa fez 36 anos, uma bela idade para aquele que é, provavelmente, o último jogador à moda antiga. Amado pelos benfiquistas, respeitado pelos restantes adeptos, temido pelos jogadores adversários, Rui Costa é o exemplo máximo que no futebol não há só dinheiro e ganância e que ainda há espaço para a paixão. Voltou ao clube que sempre apoiou como adepto ciente que ainda podia ser útil como jogador e a verdade é que hoje em dia não sei o que seria da equipa sem Rui Costa. Corre mais que os outros, executa mais rápido que os companheiros, espalha talento, classe e magia pelo relvado ao longo dos 90 minutos de uma partida.

 

Acima de tudo, Rui Costa é um senhor, quer como jogador quer como pessoa. Nunca se envolveu em escândalos, nunca se vangloriou, aceitou as opções dos treinadores que o puseram no banco em algumas situações sem “estrebuchar” e sempre levou a sua carreira profissional com um total respeito pelos colegas, pelos adversários, pelos clubes e instituições que representou e pelos adeptos (do seu clube e dos clubes adversários).

 

Rui Costa é muitas vezes lembrado como o homem que chorou quando marcou um golo ao Benfica. Eu pessoalmente lembro-me dele a chorar numa outra situação que é demonstrativa do seu carácter. Em 1997, em plena fase crítica do apuramento para o Campeonato do Mundo de 1998, Portugal defrontava a Alemanha e estava numa situação precária: ou ganhava e dava um salto decisivo rumo ao apuramento ou então estava praticamente condenado a ver o França 98 pela televisão. Pedro Barbosa fez um golo estupendo que colocava Portugal em vantagem contra a Alemanha de Klinsman, Bobic, Basler, Khan e afins. Rui Costa fica pouco depois isolado frente a Khan, mas o fiscal de linha levanta a bandeirola. Rui rematou na mesma, pouco depois do apito, e vê o amarelo. Minutos depois é solicitada uma substituição na selecção portuguesa: sai Rui Costa para entrar Sérgio Conceição. Rui Costa dirigia-se para a linha lateral a passo, como quase todo o jogador em posição de vantagem no marcador faz. O árbitro Marc Batta, quando Rui já se encontrava perto da linha lateral, mostra-lhe o segundo amarelo e expulsa-o de uma forma repudiada por quase todos os adeptos de futebol que não são alemães. Portugal ficou reduzido a dez jogadores e acabaria por sofrer o empate e dizer adeus ao Mundial, mais uma vez. Rui Costa, esse, estava inconsolável à porta do túnel de acesso aos balneários, sentado no chão e chorando como um menino, desde o momento da expulsão até ao momento em que viu Silvino ser batido, altura em que recolheu definitivamente aos balneários.

 

Essa é a única “mancha vermelha” de Rui Costa no seu curriculum profissional sénior, resultado de uma injustiça protagonizada pelo excesso de zelo de um árbitro que para sempre ficou na galeria dos Papões da Selecção Portuguesa e que provavelmente nunca mais na sua vida de juiz mostrou um cartão amarelo como aquele que mostrou naquele dia a tão brilhante e correcto jogador.

 

Para mim, aquelas imagens só me fizeram ter ainda mais consideração por este jogador e por esta pessoa, que viu um sonho desmoronar-se em minutos e de imediato sentiu o mundo cair-lhe em cima, mostrando o seu inconformismo… chorando. Não partiu para o confronto com o árbitro, não reclamou de forma agressiva, apenas chorou e assistiu ainda a parte do jogo com uma tristeza que certamente não deixou nenhum daqueles que assistiram ao jogo indiferente.

 

Que pena não haver mais “Ruis Costas” a despontar no futebol português e mundial…

 

Fora da Luz

 

Jaime “abandonou voluntariamente” do Leixões após falhar um penalti que daria o empate à sua equipa em tempo de descontos por tê-lo marcado “à Panenka”. Se marcasse, era um herói com uma calma de morte e uma técnica soberba. Se atirasse em força e acertasse no poste, era mais um “pé de chumbo matarruano”. Como falhou, é um inconsciente e merece um castigo pesado. Isto só prova que o futebol é cada vez menos espectáculo e cada vez mais dinheiro e resultado. Que o digam Boavista e Estrela da Amadora, com salários em atraso há vários meses sem punição, e o Paços de Ferreira, clube (aparentemente) cumpridor das suas obrigações, que provavelmente vai parar à II Liga. Para quando a descida de divisão para quem não cumpre orçamentos???

 

Nuno Vitória 

A estranha noite do Benfica no Bessa - análise estatística…

Quinta, Abril 10th, 2008

 

    - Foi o oitavo jogo da prova em que o Benfica ficou “a zero” sendo que em 6 dessas ocasiões o resultado final foi 0-0. Aliás o grande problema do Benfica neste campeonato têm sido os empates (12), já que conta apenas 2 derrotas (tantas como o FC Porto, que tem só 3 empates). 
    -  Os encarnados continuam a deter o segundo melhor ataque da prova, agora com média de 1,6 golos por jogo, assim como a segunda melhor defesa do campeonato (0,6 golos por jogo – total 16)   
    - Os encarnados fizeram um dos seus melhores jogos da prova, apresentando dados ofensivos retumbantes e esmagadores: 25-14 em remates; 14-5 em remates na área, 14-6 em remates na área, 16-3 em remates perigosos, 33-13 em cruzamentos. 
    - Aliás, o Benfica pulverizou nesta partida quase todos os seus “recordes” desta época: 25 remates contra 14,5 de média; 14 remates no alvo contra média de 6,3; 16 remates com perigo / 6,7 de média; 16 passes de ruptura / 11,5 de média; 33 cruzamentos / 18,4 de média; 8 remates na sequencia de cruzamentos / 3,2 de média. 
    - Para estes dados impressionantes (ainda mais porque não resultaram em qualquer golo) contribuiu muito uma segunda parte fortíssima em termos ofensivos: dos 25 remates; 11 dos 14 remates no alvo; 11 dos 16 remates com perigo; 20 dos 33 cruzamentos. 
    - Este encontro fez lembrar o da temporada passada também com o Boavista, mas na Luz. Os números são aliás semelhantes e estão entre os mais conseguidos da equipa benfiquista nestas duas temporadas (na altura: 23 remates, 18 no alvo e 16 perigosos) mas curiosamente as duas partidas acabaram empatadas a zero. 
    - Note-se que além dos remates que foram contabilizados neste jogo  por parte da equipa do Benfica – 25 – os encarnados realizaram 8 remates “bloqueados” imediatamente pela defesa do Boavista. 
    - O Benfica conseguiu ainda apresentar bons níveis de construção de jogo: mais apoiado na primeira parte, com 10 dos 16 passes de ruptura efectuados (para um total de 16, bem superior à média de 11,5 nesta época, e ao nível da época transacta). Rodriguez (5), Rui Costa e Nélson (3 cada um) estiveram em destaque. 
    - Na segunda parte a aposta encarnada foi mais nos cruzamentos, com a equipa a realizar 20 acções deste tipo, conseguindo ainda uma grande percentagem de jogadas à linha (9 cruzamentos na segunda parte a partir da linha ou do enfiamento da área contra 6 na primeira). Neste aspecto, foi importante a entrada de Di Maria que realizou 4 cruzamentos em 30 minutos. Nélson (6) e Rui Costa (8) foram ainda assim os que mais cruzaram, confirmando os dados que dizem que estes são os jogadores encarnados que mais cruzamentos realizaram nesta Liga. 
    - O Benfica demonstrou maior capacidade de recuperações de bola em meio campo adversário na segunda parte (3+9), o que lhe permitiu “asfixiar” o adversário neste período, com destaque para as acções de Nélson e Petit (3 acções cada um). 
    - O Benfica cometeu metade das faltas do Boavista (9-18) e registou-se empate em cartões amarelos (4 para cada lado), com os portuenses a jogarem com menos um elemento a partir dos 79 minutos, por expulsão de um jogador axadrezado. 
    - O Boavista equilibrou na primeira parte, conseguindo 3 remates com perigo (menos dois do que o Benfica), mas na segunda parte limitou-se a defender o 0-0, não conseguindo qualquer situação de perigo. 

  

MELHOR EM CAMPO DO BENFICA: 

Rodriguez

5 remates (3 perigosos),

5 cruzamentos

5 passes de ruptura 

3 perdas de bola

1 corte

1 falta cometida

1 falta sofrida

      •   

O sistema “familialista” do FCP

Segunda, Abril 7th, 2008

reinaldoepinto.jpg

 

Nota introdutória: este artigo tem cerca de 4 anos. Nunca foi publicado antes mas parece-me que está mais actual do que nunca. Por isso vê a luz do dia agora na FOOTBALL IDEAS com a respectiva vénia ao seu autor.

Tenho lido nos últimos tempos que alguns adeptos do Futebol Clube do Porto estão muito apreensivos com a saída, mais do que previsível, de José Mourinho. Apesar de ser portista, simpatizante e sócio (com as cotas em atraso, sublinhe-se; deixei de pagar cotas no momento em que Octávio assumiu a liderança técnica da equipa; foi a única forma digna que encontrei para expressar o meu protesto), apesar de ser portista, repito, devo dizer que não estou nada preocupado com a saída de José Mourinho. Por uma razão muito simples: o FCP não é só o Mourinho. Há anos que defendo que o meu clube se alicerça num modelo familialista composto por um Pai, uma Mãe e um conjunto de irmãos mais velhos. 

Comecemos pelo Pai: Pinto da Costa. Patriarca incontestado sem Édipo à altura, defensor intransigente dos seus filhos. Ai de quem os atacar! Quem não se lembra da forma como o Pai defendeu o filho Paulinho Santos quando este deu uma cotovelada no João Pinto? Ou do modo como recentemente defendeu Vítor Baía, que foi apelidado de “produto de marketing” por um jornalista português? São apenas dois exemplos, mas poderia enumerar muitos mais. Nestas alturas, o Pai age sempre da mesma forma: protege os seus, ataca violentamente os adversários e transmite uma enorme segurança a toda a equipa. Os filhos agradecem e não destabilizam. Porque o mais importante é manter a estabilidade psíquica e anímica da irmandade. Porém, não se pense que o Pai ama os seus filhos de modo incondicional. De forma alguma. Pinto da Costa, como qualquer pai tradicional, exige muito dos seus filhos e castiga-os exemplarmente se estes não cumprirem as regras da família. São também célebres os castigos que o FCP impôs e continua a impor aos seus filhos, ao ponto de serem remetidos para a equipa B excelentes jogadores que se “portaram mal”. Os exemplos são uma vez mais incontáveis e bem conhecidos, dispensando-me por isso de ter de os descrever.

 

Mas Pinto da Costa não está só e soube rodear-se de uma comunidade de irmãos mais velhos, do passado e do presente, que têm um papel fundamental na equipa. Refiro-me a André, João Pinto, Aloísio, só para citar alguns exemplos, que tiveram um papel estruturante no passado e continuam a ter, ainda que de outra forma, no presente. São estes irmãos mais velhos do passado que, conjuntamente com os irmãos mais velhos do presente – Jorge Costa, Vítor Baía –, asseguram a harmonia da equipa e permitem que os outros irmãos se esforçem e não prevariquem. Mas não só. Estes irmãos mais velhos funcionam também como exemplos a seguir. Estão de corpo e alma no clube, vestem literalmente a camisola e são os que muitas vezes recebem os ordenados mais baixos. De certa forma é compreensível: os seus planos de carreira não se fazem a curto mas sim a longo prazo. Contudo, enquanto jogarem, darão tudo que têm, puxarão pela equipa e não deixarão que os irmãos mais novos vacilem. Ou seja, liderarão pelo exemplo.

 

José Mourinho aparece aqui como um tipo especial de irmão mais velho (a expressão “irmão mais velho” aplicada a Mourinho não é minha, mas sim do próprio Pai). Especial porque sabe que está de passagem. No entanto, o seu desempenho terá de assemelhar-se ao dos irmãos mais velhos: zelar pelos mais novos, não deixar que esmoreçam e sobretudo trabalhar muito com grande profissionalismo. Em suma, e uma vez mais, liderar pelo exemplo. Não quero com isto diminuir o enorme mérito de José Mourinho e sobretudo o trabalho extraordinário que realizou nos dois anos e meio que esteve no FCP. Longe de mim tal coisa. Tenho por Mourinho uma admiração extraordinária e desejo-lhe as maiores felicidades no estrangeiro (em Portugal o caso é diferente: só lhe desejo felicidades, evidentemente, se voltar a ser treinador do Porto ou da equipa nacional). O que eu quero sublinhar é que tenho a certeza que o FCP saberá tornear esta situação e contratar um bom treinador que integrar-se-á na família e manterá a eficácia a que o Porto nos habitou nos últimos anos. Muito provavelmente não conseguirá manter o nível extraordinário destas duas últimas épocas, mas isso é perfeitamente compreensível. Nunca a fasquia esteve tão alta e épocas destas acontecem raras vezes na vida de qualquer clube. Seja ele qual for: Manchester, Real de Madrid, Milan, etc.

 

Resta-me falar da Mãe. A Mãe de uma família tradicional, como todos os filhos sabem, deverá ser recatada, calorosa e estar sempre disponível. Deverá ainda, ao contrario do pai, amar os seus filhos incondicionalmente e, se for necessário, colocar alguma “água na fervura” sempre que os filhos se portem mal e tenham de ser castigados. Ora, no FCP esse papel é desempenhado na perfeição por Reinaldo Teles, uma figura menos visível e frequentemente esquecida pela comunicação social. Quero aqui deixar uma homenagem sentida, e mais do que merecida, a essa figura maternal do meu Clube. Reinaldo Teles tem tido um papel fundamental, estrutural e estruturante, no Futebol Clube do Porto. É ele que resolve os problemas da “prole”; é ele que providencia para que nada falte aos seus amados filhos; e estes agradecem e vivem descansados porque sabem que têm ali uma Mãe extremosa que assegura que nada de mal lhes aconteça.

 

Por tudo isto, termino como comecei. Não me preocupa que o Mourinho deixe o clube. Como já disse, existem bons treinadores no mercado e tenho a certeza que qualquer treinador de nível internacional terá sucesso no FCP. Não se esqueçam que, pasme-se, até Fernando Santos conseguiu ganhar um campeonato nacional no FCP e Artur Jorge uma Taça do Campeões Europeus! O problema chegará quando o pai e a mãe saírem. Será que a família conseguirá sobreviver a essa futura (é a lei da vida) orfandade? Nessa altura, aí sim, ficarei apreensivo. Porque não me apetece viver os últimos anos da minha vida “à Benfica”. Não me estou a imaginar a dizer frases do tipo: “- sabes, meu neto, no meu tempo quem ganhava tudo era o Futebol Clube do Porto…” Ámen.”

 

Diniz Cayolla Ribeiro,

Maio de 2004