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Archive for Maio, 2008

A melhor final da Champions e as lágrimas de Terry e Ronaldo.

Segunda, Maio 26th, 2008

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Pode parecer exagerado, mas quase uma semana depois continuo a pensar da mesma forma: o encontro entre Manchester United e Chelsea foi a melhor final da Taça / Liga dos Campeões que vi até hoje. E consigo recuar ate finais dos anos 70 nas minhas memórias destes jogos. O facto de se terem defrontado duas equipas inglesas ajudou com certeza a que este tenha sido um jogo fantástico, pleno de qualidade técnica e emoção. Porque apesar da continentalização do futebol britânico, a mentalidade das suas equipas continua quase intacta: antes de se pensar em não perder (como no continente europeu) pensa-se em ganhar. E joga-se para ganhar, mesmo quando o resultado está empatado no prolongamento. Por isso, a Liga inglesa é hoje a mais interessante de todo o planeta.    

Um jogo de futebol nunca é apenas um jogo de futebol. Representa sempre muito mais. Por isso é tão importante para tantos milhões de pessoas em todo o Mundo. Um jogo de futebol - ainda para mais a este nível - conta sempre uma ou várias histórias, junta diversas narrativas que nos empurram a torcer por uma das equipas em presença, mesmo que não seja a nossa equipa, nem tão pouco uma equipa do nosso país. Ver (viver) um jogo de futebol sem torcer por um dos contendores é ficar de fora, ficar pela dismensão artística e/ ou plástica, vazia e fria. A principal narrativa que envolvia o Manchester United nesta final, pelo menos a partir do ponto de vista português centrava-se no menino prodígio Cristiano Ronaldo, o nosso melhor do mundo. Já do lado do Chelsea a história era ainda mais fascinante: o clube londrino, até hoje de média dimensão, apenas 1 vez campeão inglês antes da chegada de Mourinho e Abrahamovic, que conseguiram reunir um conjunto de jogadores extraordinário, mas até agora incapaz de conquistar a mais mítica competição de clubes a nível mundial: a Taça / Liga dos Campeões. O grupo parecera condenado com a partida do Special One Mourinho, mas um Average One, Grant, conseguira concretizar o sonho de chegar a uma final. A narrativa do Chelsea nesta final era acima de tudo feita de personagens muito fortes: Cech, Carvalho, Terry, Makekele, Lampard, Essien, Joe Cole, Drogba. Os “Soldados de Mourinho”, quase um “onze” completo, junto há quatro anos, bi-campeões ingleses, muitos outros títulos conquistados, mas sempre arredados do grande troféu europeu. E com a consciência geral de que esta seria provavelmente a última hipóteses de esta equipa ser campeã europeia.  Por isso, quando, mais de 120 minutos passados sobre o início de um jogo electrizante, bem jogado, a um ritmo quase asfixiante, John Terry avançou, qual general confiante, para marcar o penalti decisivo, apeteceu-me tapar os olhos e não arriscar uma grande desilusão. Mas não o fiz e tive que assistir a um dos momentos mais dramáticos e tristes da minha já longa carreira de espectador de futebol: Terry, um dos últimos símbolos do amor à camisola versão futebol globalizado, escorrega e deita pela janela fora o título de campeão da Europa. Todos, menos ele! A crueldade pode não ter limite. 

Desliguei a televisão mal Van Der Sar defendeu o penalti de Anelka. Nos minutos seguintes, revi mentalmente os remates ao poste e à barra de Drogba e de Lampard que podiam ter tornado tudo tão diferente. Mas principalmente, revi, vezes sem conta, a escorregadela de Terry no momento da verdade. Pus-me no seu lugar. E tive a certeza de que acabara de testemunhar o nascimento de um mito. Porque as lágrimas de Terry serão sempre muito mais “belas” para mim do que as de Cristiano. Lampard chorava por um clube. Cristiano apenas por si próprio.

João Nuno Coelho 

Porto Sentido VIII – “Uma tarde inglória no estádio da vergonha”

Domingo, Maio 25th, 2008

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Dia 18 de Maio de 2008. Ficará para a história como o dia em que um brasileiro praticamente desconhecido, de nome Tiuí, entrou no relvado do Jamor para marcar 2 golos ao Porto e oferecer mais uma Taça de Portugal ao Sporting.

 

 

 

Mas o Porto, na verdade, quase que entrou a perder nesta final. A começar por mais um caso protagonizado por José Bosingwa, que até na despedida fez jus à fama de problemático. Mesmo sendo o jogador portista com mais mercado, viu-se envolvido num negócio apressado de contornos pouco claros que o afastaram deste grande jogo. É de estranhar que os dirigentes azuis e brancos não tenham tido arte e engenho negociais para permitir que o lateral alinhasse no Jamor…

A impossibilidade de utilizar Bosingwa conduziu ao primeiro erro de Jesualdo: a aposta em João Paulo para a esquerda da defesa, quando até era Lino quem vinha assumindo o lugar nos últimos jogos, dando bons apontamentos no capítulo ofensivo, em especial na cobrança de livres. Mostrou, mais uma vez, ser um treinador medroso nos jogos decisivos – foi assim em Alvalade para o campeonato, foi assim em Anfield Road, foi assim em Gelsenkirchen. E ficou provado que há um padrão: sempre que o Professor inventa o Porto perde.

A aposta em Mariano não se pode considerar um erro. O argentino tem evoluído e até mostrou bons apontamentos. Contudo, um 4×3x3 pede que se estique o jogo para as linhas e Mariano não o faz, pois flecte muito para dentro. Bem diferente de Tarik, que “puxa” o jogo para as linhas laterais, emprestando depois uma maior extensão e verticalidade ao jogo portista. Ora, ao ter jogadores como João Paulo (um dextro na esquerda tem sempre tendência a afunilar) e Mariano, o jogo do Porto pode ganhar poder de choque, mas fica naturalmente sem largura e sem imprevisibilidade.

E por fim, há que referir a notória falta de ritmo de jogadores como Pedro Emanuel, Assunção, Lucho e Lisandro, que estiveram bastantes furos abaixo do que se lhes reconhece. Jesualdo optou por dar minutos aos menos utilizados nos últimos jogos da época e nada lhe pode ser apontado por isso. Mas sem dúvida que hoje em dia o ritmo e a intensidade são importantíssimos, ainda para mais frente a um Sporting super motivado e com os níveis de concentração em alta fruto da aguerrida luta pelo 2º lugar no Campeonato. Assunção e Lucho pareceram sempre sem andamento para Veloso, Moutinho e Romagnoli. Faça-se aqui uma excepção ao super-guerreiro Raul Meireles que, sozinho, merecia ter erguido a Taça de Portugal.

O Sporting foi sempre a equipa que mais procurou o golo e só por isso a vitória assenta-lhe bem. Não enveredo pela fácil desculpa da arbitragem. É notório que Olegário Benquerença fez um mau trabalho, mas não foi por aí que o Porto perdeu. No estádio, para ser sincero, nunca me deu aquele feeling de que o Porto ia ganhar. Não dá para explicar… mas sente-se.

 

Como adepto ferrenho do meu clube, desloquei-me a Lisboa para assistir in loco a um dos jogos com mais história no futebol português. Mas, a cada ano que passa, cada vez me é mais penoso sentar nas bancadas do Jamor na Final da Taça de Portugal.

À entrada tudo parece perfeito. Os autocarros vão chegando, os adeptos de ambas as equipas vão-se espalhando pelo pinhal em redor do estádio, o convívio vai-se fazendo em volta da sardinha assada, da bifana, do queijo e do chouriço, acompanhados de vinho verde ou vinho tinto, consoante os gostos (já estão a ver onde é que isto vai dar…). 

Aos poucos, as pessoas lá decidem encaminhar-se para o interior do estádio. As entradas processam-se praticamente todas pelo mesmo local, o que faz com que o comum adepto se misture e até comunique com ex-futebolistas, secretários de Estado, comentadores desportivos, jornalistas conhecidos, presidentes de clubes, entre outras distintas figuras. E essa entrada comum serve também para ver passar o Presidente da República e toda a sua comitiva em grandes carros pretos de vidros fumados, com luzinhas a piscar, o que faz vibrar a multidão.

Já nas bancadas, depois de um aflitivo descer de escadas, deparamo-nos com a dificuldade de nos sentarmos nos lugares destinados. Ora porque no nosso lugar está sentado um indivíduo com um crachá de convidado da federação; ora porque a nossa zona está invadida por adeptos que, sem qualquer pudor, afirmam que compraram bilhetes para a “superior” mas, espertos como são, conseguiram vir para a “central”. Não é muito difícil adivinhar onde é que estes “deslocados” se vão sentar. Nas escadas, pois claro!, dificultando assim o acesso dos outros às suas cadeiras. As escadas, essas, estão já sulcadas por inúmeros cabos necessários à transmissão televisiva, de modo a que nada possa falhar lá em casa.

Lá em baixo, sobre o muro da bancada, está o famoso “Animal” que, fruto de uma t-shirt da SIC que alguém lhe ofereceu, foi promovido a animador oficial da Festa. No relvado, enquanto os jogadores aquecem, as meninas de uma empresa de serviços por cabo preparam-se para as danças estilo cheerleading, tentando que os adeptos se esqueçam que isto é um jogo de soccer, não de futebol americano. E, como se sabe, sardinhas assadas e cheerleaders sempre combinaram bem.

E, claro, há o sempre bonito e insistente apelo ao fair-play: Ou são as revistas colocadas nos assentos cuja capa apresenta os líderes das duas claques (sorridentes) a apertarem a mão (quem mais se não os líderes das claques podia clamar pelo fair-play?); ou são as crianças equipadas a rigor a representar um Porto X Sporting versão “Jamor dos Pequeninos”.

Imediatamente antes do apito inicial, surge a banda da GNR para tocar o Hino Nacional. Neste momento de exaltação patriótica, uns decidem continuar a puxar pelo seu clube, outros colocam a mão no peito e cantam e ainda outros há que se viram para trás (para a tal tribuna de honra), de modo a cantarem o hino de frente para o Presidente da República, aproveitando para tentar descortinar quem são os outros ilustres que ao seu lado se sentam ou porque simplesmente pensam que o Prof. Cavaco Silva é a representação viva da alma lusitana no planeta Terra.

Contudo, mal soa o apito inicial tudo muda. Os nervos de uma final podem transformar tudo de bom que o futebol encerra em tudo de mau que ele por vezes potencia. Junte-se a isto um fora-de-jogo mal assinalado, um cartão vermelho, uma ou outra entrada mais ríspida não sancionada, um ou dois penalties por assinalar, adeptos completamente misturados na bancada central sem qualquer divisão estratégica, gritos de lagartos e de andrades, quatro petardos, uma carga policial e os últimos 15 minutos assistidos debaixo de chuva e temos os ingredientes necessários para se preparar um cocktail explosivo.

À saída é fácil de ver o que acontece. O comentador desportivo da equipa rival já não merece assim tanto respeito, muito menos o secretário de Estado, seja ele do Desporto, seja ele das Pescas. A sardinha assada caiu mal. O vinho causa alegria ou tristeza exagerados, conforme o gosto clubístico. A zona de imprensa, mal resguardada e sem o mínimo de condições, é presa fácil para o insulto gratuito e para uma ou outra garrafa de plástico atirada não se sabe de onde. E as escadas, completamente lotadas, não avançam, o que faz com que a chuva ainda irrite mais. A polícia, coitada, fechando e abrindo cordões denota o zero que é a sua estratégia. E as escadas e a chuva começam a formar poças de lama, fruto do pinhal das imediações. Tal como o estado do tempo, o ambiente transformou-se completamente. Do sol do apito inicial passamos para a chuva do prolongamento; do são convívio passamos para o confronto.

Chega a haver quem roube cachecóis leoninos (como eu vi) e os comece a queimar. É este tipo de gente que dá mau nome ao clube e que é preciso erradicar de vez do FC Porto. Mas ainda há quem ache piada aos cânticos de que são os dragões que partem tudo…

Enfim… pena tenho eu que Eça de Queiroz não seja vivo e não possa ser ele a descrever uma Final no Estádio Nacional. Fá-lo-ia de forma incomparavelmente mais sarcástica e irónica que eu e passaria para o papel o alívio que se sente quando finalmente se deixa para trás o Complexo do Jamor.

 

Não vale a pena tentar recordar a quem manda no futebol português e que está tão preocupado em “limpá-lo” e “modernizá-lo” de que devemos ser o único país da Europa a fazer a Final da Taça num estádio que não tem o aval da UEFA para jogos europeus; não vale a pena invocar o episódio do verylight; nem dizer que, depois do EURO 2004 e do investimento realizado em 10 novos estádios, se torna ridículo jogar a final num local que nem sequer protege da chuva; nem chamar a atenção para as sucessivas cargas policiais; nem implorar para que vejam a falta de condições de segurança daquele lugar quando se podia perfeitamente jogar no Algarve, em Leiria, em Aveiro, em Coimbra, em Braga ou em Guimarães; nem dizer que não vinha mal ao mundo em tirar o jogo da capital num ou noutro ano; nem fazer notar que se podia fazer uma final ao vivo para muito mais pessoas; nem dizer aos defensores da “modernização” (mas que aqui defendem a “tradição”!) que Wembley era Wembley e foi demolido; nem referir que este estádio data do já longínquo ano da graça de 1944, plena época do Estado Novo.

 

Porque já se viu que, por incrível que pareça, foi mais fácil mudar o regime que mudar o palco das finais da Taça de Portugal. E isto sim, é a vergonha do futebol português. Presenciada em silêncio pela “tribuna de honra”.

 

A SEMANA

 

O Manchester bateu o Chelsea nas grandes penalidades após um jogo épico. A sorte de uns é o azar de outros. Cristiano Ronaldo tem a Europa a seus pés, após uma exibição verdadeiramente empolgante com um golo marcado e um penalty falhado, que fazem dele o típico herói português, apesar de, desta vez, as lágrimas terem sido de alegria. John Terry terá que, de novo, arranjar forças para lutar por erguer o troféu máximo da Europa do futebol.

 

 

Rodrigo de Almada Martins 

A LUZ DO LAMPIÃO VI - “FECHA-SE UM CICLO, ABRE-SE OUTRO… IGUAL?”

Domingo, Maio 25th, 2008

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Acabou a época. O Benfica termina em 4º lugar, perde o acesso à Liga dos Campeões, foi derrotado pelo Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal, Rui Costa despediu-se dos relvados e assumiu o cargo de Director Desportivo, uma parte da equipa seguiu para Angola numa tourné e a outra corresponde aos jogadores que se juntaram à preparação das suas selecções para o Euro-2008, na Áustria e Suíça.

 

 

Fernando Chalana não conseguiu cumprir com aquilo que lhe foi pedido: manter o 2º lugar em que Camacho deixou a equipa. Culpa dele? Claro que não. É necessário perceber que o menos culpado no meio disto tudo foi o Chalana, primeiro porque o mal já vem do início de época, depois porque foi autênticamente lançado às feras, com uma equipa descrente de sí própria e com muitas lacunas. Apesar de tudo, o Benfica conseguiu fazer alguns bons jogos, se bem que alternados com outros completamente desastrosos.

 

Veja-se, por exemplo, o jogo da última jornada do campeonato, contra o Vitória de Setúbal, que coincidiu com a festa de despedida do jogador mais carismático e amado pela massa associativa das últimas décadas. A equipa galvanizou-se e fez por dar a Rui Costa uma despedida digna, num jogo em que funcionaram como equipa. Nem pareciam os mesmos que defrontaram a Académica três semanas antes.

 

Chalana também não esteve isento de erros. No jogo com o Sporting para a Taça de Portugal, a vencer por 2-0 ao intervalo, substituiu Di Maria por Sepsi e o Benfica rebentou por todos os lados. Acabou por perder por 5-3 num jogo fantástico. 

 

Tenho de dizer que a mim pessoalmente não me custou tanto perder este jogo como noutras vezes. O futebol é feito de golos, emoção e espírito ganhador e isso, independentemente do resultado, foi demonstrado por ambas as equipas. O Benfica, a perder por 3-2, reagiu e empatou, antes de Yannick Djaló tirar aquele “coelho da cartola” que daria a vantagem de 4-3 ao Sporting. Foi um jogo de golos, aliás, de grandes golos! Todos os 8 golos tiveram a sua beleza! E quando assim é, custa muito menos perder.

 

Mas voltando ao estado actual das coisas, é tempo de preparar a nova época, naquela que já foi intitulada como uma nova era no Benfica. Procura-se novo treinador, procuram-se reforços, há um novo (se bem que nunca houve um antigo) Director Desportivo… mas será mesmo uma nova era? Vejamos o que já se passou desde a última vez que dei a minha opinião:

 

Foi dito que o Benfica contratou Ruben Amorim e Jorge Ribeiro. No entanto, não há aval do treinador para estas contratações, simplesmente porque não há treinador;

Foi dito que o Benfica apresentou proposta a Carlos Queirós, que uns dias depois recusou;

Foi público que o Benfica apresentou proposta a Sven Goran Ericsson, que uns dias depois voou com a equipa do Manchester City, seu clube na última época, para uma tourné na Ásia, sem dar resposta;

Entretanto, o Benfica desmente que Jorge Ribeiro já seja jogador do Benfica;

Fala-se de vários jogadores com propostas do Benfica: Raffik Djebbour, Hassan Yebda, Zoltan Gera, Alex… 

Yebda, ex-jogador do LeMans, já assinou entretanto pelo Wigam, mostrando que nem com um clube do fundo da tabela da Premiership o Benfica consegue ombrear (caso seja verdade que o Benfica havia feito uma proposta).

 

A pergunta impõe-se: quem deu aval a estas possíveis contratações? Como pode um treinador planear uma época sem algumas escolhas suas? E se estas aquisições não interessarem ao novo treinador? Lá fica o Benfica com mais uma série de jogadores para colocar ou emprestar a outros clubes, pagando-lhes o ordenado.

 

Pessoalmente, o Benfica devia fazer contratações específicas e num trabalho conjunto de treinador e Director Desportivo. É necessário claramente um médio criativo de alta qualidade para substituir Rui Costa. Depois disso, as outras possíveis contratações deverão ser para colmatar vagas devido a alguma venda ou então jogadores que entrem “de caras” no “onze” para algumas posições mais frágeis, como a defesa. Não se pode continuar a comprar jogadores para o banco ou para posições bem preenchidas, pois o Benfica não se pode dar ao luxo de “queimar” mais jogadores como, por exemplo, o Miguelito, que chegou a ser Internacional “A” e que saiu após a contratação de mais um lateral esquerdo (Sepsi), tendo em conta que o Léo era claramente o dono do lugar. Tal como é incompreensível como o Benfica tem neste momento três jogadores para a ala esquerda (Rodriguez, Di Maria, Freddy Adu) e nenhum para a ala direita.

 

Em suma, todas estas situações têm de ser evitadas, quer as contratações a granel quer as “fugas de informação” ou “notícias inventadas” de que o clube é vítima dia-após-dia. É já altura de o Director de Informação fazer alguma coisa de jeito e intervir de forma proactiva. É bom para todos mas essencialmente para Rui Costa, que pode ver a sua imagem beliscada, pois a realidade é que não se vislumbra nenhuma diferença entre os negócios pré-Rui Costa e os negócios com Rui Costa.

 

Fora da Luz

 

Vem aí o Euro 2008. 23 convocados. Pouco mais há a dizer agora, excepto o facto de Maniche ter sido muito infeliz na altura e na forma como falou à RTP, queixando-se do facto de não ter sido chamado por Luiz Filipe Scolari. É que o Maniche esquece-se que pode sempre haver um azar de um colega que tenha de ser substituído à última da hora. Com a forma como colocou as coisas na entrevista, Maniche fechou a porta a qualquer possível chamada de Scolari no futuro… e, quem sabe, de outro qualquer seleccionador nacional que simplesmente não esteja para aturar “birrinhas”.

 

 

Nuno Vitória 

O primeiro balanço do campeonato: 6 ideias sobre a I Liga 2007/08

Quarta, Maio 14th, 2008

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1)  Para lá dos diferentes discursos justificativos dos diversos intervenientes, há um ponto em que podemos ser objectivos, avaliando o cumprimento ou não das principais metas anunciados por cada clube no início do campeonato. Assim temos:

. Clubes que cumpriram principais objectivos propostos: FC Porto (campeão); Marítimo (UEFA), Nacional, Naval, Académica, E. Amadora, Leixões (manutenção)

. Clubes que não cumpriram principais objectivos propostos: Sporting e Benfica (não foram campeões e no caso dos encarnados não chegaram á Liga dos Campeões), Sp. Braga, Belenenses e Boavista (falharam a “Europa”), Paços de Ferreira e U. Leiria (desceram de divisão).

. Finalmente, clubes que ultrapassaram os objectivos propostos: Vitória de Guimarães (apuramento para a Liga dos Campeões); Vitória de Setúbal (6º lugar que daria apuramento para a Intertoto, não fosse a qualificação dos sadinos para a UEFA, por via da Taça da Liga)

 

2) O FC Porto teve uma superioridade esmagadora sobre os seus adversários: terminou com 20 pontos de avanço sobre o segundo classificado, o que constituiu novo recorde de diferença entre 1º e 2º em mais de 70 anos de história do campeonato (embora a segunda melhor marca, a do Benfica de 72/73 tenha sido obtida numa altura em que as vitórias contavam apenas 2 pontos). Apesar disso o FC Porto marcou menos golos do que época passada (60 para 65), realizou menos remates, menos remates no alvo e menos remates perigosos. Mas se em termos ofensivos este FC Porto foi inferior ao da época passada, defensivamente superou-se, sofrendo menos 7 golos (13 para 20), concedendo menos remates, menos remates no alvo e com perigo.

 

3. Relativamente aos seus 2 adversários tradicionais a superioridade do FC Porto não foi justificada pelo maior volume de jogo ofensivo: embora seja o que mais marca e o que mais remata, é o que menos remates perigosos efectua – ou seja, saber aproveitar as oportunidades de golo é fundamental. Também ao nível dos cruzamentos não existem grandes diferenças entre os “grandes” (com o Sporting à cabeça, apesar de jogar em 4×4x2…), o mesmo acontecendo nos passes de ruptura (o Benfica tem mais passes deste tipo, em grande parte devido a Rui Costa). Mesmo em termos de aproveitamento das bolas paradas, um factor considerado fundamental no futebol moderno, o FC Porto é dos três o que menos tentos consegue, com o Benfica a repetir a liderança do ano passado, embora com o Sporting por perto).

 

4. Perante este cenário, podemos dizer que o FC Porto começou a ganhar a prova graças à sua performance defensiva. O FC Porto sofreu cerca de metade dos golos concedidos pela segunda melhor defesa do campeonato (a do Benfica) e permitiu muito menos remates perigosos do que os seus oponentes. Esta consistência defensiva é ainda complementada por uma característica fundamental do jogo portista, directamente relacionada com a transição entre o momento defensivo e o processo ofensivo: a capacidade de pressionar alto e recuperar muitas bolas em meio-campo adversário (quase 17 por jogo, contra 12 do Sporting e 13 do Benfica). É esta característica que permite as famosas transições rápidas que tanta diferença fazem…

 

5. Falta ter em conta uma dimensão fundamental do jogo: a performance individual dos jogadores. O FC Porto coloca pelo menos 6 dos seus atletas entre a melhor dúzia de futebolistas dos “grandes” do presente campeonato: Lisandro Lopez, melhor marcador da Liga, com uma media perto de um golo em cada três remates; Lucho Gonzalez, o jogador mais completo a actuar em Portugal; Ricardo Quaresma, o maior desequilibrador do campeonato; Paulo Assunção, o pêndulo do futebol portista; Bruno Alves, o melhor defesa central da prova; Bosingwa, o melhor lateral. A eles juntam-se Quim (Benfica), Polga (Sporting), Léo (Benfica), Moutinho (Sporting), Rui Costa (Benfica).

 

6. A grande revelação da prova foi o Vitória minhoto, que vindo da II Liga conseguiu a proeza do apuramento para a Champions (última pré-eliminatória): ainda para mais os vimaranenses não dispunham de um plantel recheado de grandes jogadores, valendo-se antes de uma atitude competitiva muito desenvolvida. Note-se que até ao ultimo jogo da prova, tinham uma diferença de golos igual a zero (31 marcados para 31 sofridos), e só por duas vezes ganharam um jogo por diferença superior a 1 golo (4-1 na Naval e 4-0 na última jornada ao E. Amadora). No fim da prova, o Vitória foi apenas o sexto melhor ataque do campeonato, sendo também a sexta melhor defesa, baseando o terceiro lugar no comportamento “em casa”, com 11 vitórias, 2 empates e 3 derrotas (apenas 4 vitórias “fora”), em que superou claramente o 4º classificado Benfica (apenas 7 vitórias em casa).

 

 

Quadro 1 - dados colectivos ofensivos (números médios por jogo)

 

 

FC Porto

Sporting

Benfica

 

 

 

 

Golos

2

1,5

1,5

Golos obtidos na sequência de bolas paradas

0,4

0,6

0,7

Remates

15,8

14,5

14,3

Remates perigosos

5,5

7,2

6,5

Cruzamentos

18,7

19,2

18,6

Passes de ruptura

11,1

8,3

11,5

 

 

 

 

 

Quadro 2 - Dados colectivos defensivos (números médios por jogo)

 

 

FC Porto

Sporting

Benfica

 

 

 

 

Golos Sofridos

0,4

0,9

0,7

 Remates concedidos

10,6

11

10,9

Remates perigosos  concedidos

2,4

4,9

4,3

Recuperações em meio-campo adversário

16,4

11,9

13,2

 

Porto Sentido VII – “Tanto Porto!”

Quinta, Maio 8th, 2008

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Da última vez que escrevi neste espaço, o Porto ainda mal se levantava do knock-out aplicado pelos alemães do Schalke 04. Foi um choque. A todos pareceu que o Porto era equipa para muito mais do que os oitavos-de-final desta Champions. Pareceu e continua a parecer, pois a cada dia que passa o mundo futebolístico nacional vai-se convencendo da grandíssima valia desta formação.

Mais de dois meses volvidos dessa queda às mãos de Neuer, o Porto já lambeu as feridas, que actualmente estão mais do que cicatrizadas. A confirmação do tri-campeonato com uma goleada de 6-0, a vitória inequívoca sobre o Benfica e a máquina trituradora que passeou classe em Guimarães vieram devolver o sorriso às faces azuis e brancas.

O tri foi óbvio. Foi a última página de uma crónica de um campeonato anunciado. Sem margens para dúvidas e contestações, o Porto mostrou ser um super-campeão. E confirmou-o frente ao rival da Luz. Os olés com que o público brindou os encarnados logo no minuto inicial, além de perfeitamente dispensáveis, só serviram para distrair os jogadores. Quando os adeptos acalmaram e se aperceberam que aquele jogo não era uma festa mas sim uma oportunidade de garantir mais três pontos, Lisandro atirou sem pedir licença para o fundo das redes de Quim. E na segunda parte repetiu o gesto, qual toureiro argentino espetando as bandarilhas no animal já moribundo.

Foi um segundo tempo brilhante do FC Porto, que encostou o seu adversário às cordas como se este não precisasse de ganhar o jogo. Além da exibição e dos festejos, o ponto alto da noite foi, quanto a mim, aquele sprint de vários metros de Lisandro que culminou com um carrinho e roubo de bola ao uruguaio Rodriguez. Eu tive a sorte de estar desse lado da bancada e de ver com os meus olhos o público a levantar-se no iniciar da corrida, a incentivar o esforço, a aplaudir a garra e o querer, a acreditar que seria mesmo possível aquele roubo de bola… até que, com um carrinho fantástico o melhor marcador deste campeonato fica com a bola para ele e entrega-a com toda a classe a um colega. O público aí já só via Lisandro López em campo, o exemplo máximo de um “jogador à Porto”.

Como nota negativa apenas aponto os tais olés e os cartazes dos Super Dragões que incluíram a fotografia de Rui Costa com um chapéu de bombo da festa, o que é manifestamente dispensável, já que estamos a falar de um dos maiores jogadores portugueses de todos os tempos e com um currículo imaculado a nível de fair-play. Rui Costa não o merecia, muito menos no seu ano de despedida dos relvados. Como Baía ou Figo, por exemplo, também não o mereceriam. São símbolos de Portugal, independentemente das suas cores de coração. E a claque, está mais que visto, não é o espelho dos adeptos portistas, porque estes já mostraram ao longo dos anos que sabem ganhar. Foi pena que Rui Costa não tivesse sido substituído no Dragão, de modo a que o povo azul-e-branco lhe pudesse prestar o merecido tributo: uma grande ovação.

A deslocação a Guimarães acabou por confirmar o que todos sabiam e não queriam ver: o Porto não faz favores a ninguém. Nem se preocupa com quem vai atrás de si. Muito atrás aliás. A vitória por 5 golos sem resposta no reduto do 2º classificado – que tinha todo o interesse em vencer para garantir o mais rápido possível a qualificação directa para a liga milionária – é demonstrativa de que nunca como este ano o 2º classificado foi tão o 1º dos últimos. Claro que esta posição do Vitória, a confirmar-se, será histórica e ficará para sempre guardada nos corações dos vimaranenses. Mas ninguém poderá esconder a quase embaraçosa vantagem de mais de 20 pontos para os rivais históricos de Lisboa.

Esta questão encerra um problema bastante mais grave do que se possa pensar. A actual má forma das águias e leões não os prejudica apenas a eles mesmos. Prejudica todo o futebol português, incluindo – por mais estranho que isto possa soar – os dragões. O campeonato português, a este ritmo, tenderá a transformar-se num feudo do FC Porto, à semelhança do que se passa em França com o Lyon, que caminha – pasmem-se! - para o heptacampeonato. Em França há o Lyon e os outros. Em Portugal arriscamo-nos a uma BWIN Liga com o Porto e os outros. E isso é prejudicial para todos. Atente-se, como exemplo, no caso do Lyon na Liga dos Campeões. Partem sempre como uma grande promessa e, mal lhes sai no sorteio uma equipa com alguns pergaminhos, ficam pelo caminho. E com o Porto, este ano, passou-se exactamente o mesmo. E a isso não é alheia a falta de competitividade do nosso campeonato, onde os jogos, mesmo com os rivais, têm pouco ritmo e intensidade.

Esta falta de competitividade interna faz com que a massa adepta do FC Porto já não se contente com o campeonato. A verdade é que estamos acostumados a ganhar. Somos uns meninos mimados, mal habituados. Daí que se tenha notado que a festa já não tem a intensidade de outras épocas. É verdade! O campeonato já não nos enche as medidas. No horizonte azul e branco a Liga dos Campeões é uma realidade.

Prematuramente eliminados da Europa do futebol e com o tri no bolso, o plantel às ordens do Professor Jesualdo Ferreira vai gerindo o seu esforço à espera da Taça de Portugal. O Porto vai gerindo e vai ganhando. E quando ganha (com brilho, diga-se!) não amealha apenas pontos, amealha também futuro. Foi isso que aconteceu em Guimarães. Enquanto uns aproveitam para descansar dos inúmeros jogos nas pernas (caso de Lucho González) e outros se mostram aos olhos das grandes equipas europeias (como Quaresma que, sem qualquer tipo de pressão nos seus ombros, abriu o livro e derramou magia no relvado do D. Afonso Henriques. Porque não jogar sempre assim, Ricardo?), Bolatti, Mariano, Stepanov, Kaz, Farías e até Lino servem-se destes encontros para se assumirem como potenciais reforços para a época 2008/2009 (e até Adriano renasceu para os golos!). A fase de adaptação foi a presente temporada, a próxima será para explodir. E todos nós portistas cada vez temos mais fé nestes jogadores, especialmente em Bolatti, Mariano e Stepanov.

O Porto de Jesualdo dirige-se, assim, em piloto automático para o Jamor. Tirando a novela em torno da cada vez menos provável renovação de Paulo Assunção (espero que a Direcção faça todos os possíveis para manter este super atleta), o Porto vive nas nuvens. E descerá à terra, se tudo correr bem, para conquistar a Taça de Portugal e assim fazer a famosa dobradinha. “Será este o Porto mais forte a nível interno dos últimos anos?”, muitos têm colocado esta questão. Da minha parte a resposta está dada: SIM.

 

 

A SEMANA

 

1 – Mário Jardel (em tempos o Super-Mário) regressou a Portugal depois de ter assumido que tem consumido cocaína nos últimos anos. É impossível deixarmos de sentir pena de um homem que teve Portugal a seus pés após 5 ou 6 épocas a fazer sempre mais de 30 golos e que só os seus sonhos megalómanos o fizeram chegar a este estado. A história de Jardel faz lembrar as lembranças dos nossos pais e avós acerca de determinados grandes jogadores de tempos idos que acabaram na miséria devido a álcool e mulheres. Esperemos que Jardel dê um novo rumo à sua carreira, sob pena de eu também ter que contar esta triste história aos meus filhos.

 

2 – Chelsea X Arsenal. Grandíssimo jogo. E suprema das ironias: Avram Grant, actual treinador do Chelsea, consegue qualificar os blues para a mais importante final a nível de clubes. Fez aquilo que José Mourinho desesperadamente tentou e não conseguiu ao serviço dos londrinos. E o israelita, que resistiu aos cânticos de come back Mourinho, às bocas dos jogadores, às críticas dos jornais e à descrença geral no futuro do clube, não só está na final da Champions League, como também disputa a Premier League taco a taco – estão em igualdade pontual - com a equipa de Sir Alex Ferguson, tida por muitos como imbatível na presente temporada. O futebol europeu transformou-se, por estes dias, numa luta entre Manchester United e Chelsea. Num duelo, quem sabe, entre Cristiano Ronaldo e Didier Drogba. Cá estaremos para ver, em Moscovo.

 Rodrigo de Almada Martins

 

 

nota: o Rodrigo escreveu esta crónica antes do Porto-Nacional. A culpa foi minha que não a pude publicar mais cedo… (João Nuno Coelho) 

Leão da Serra IV - “Modelos e barba rija”

Sexta, Maio 2nd, 2008

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Uma das principais mudanças a que se assistiu no futebol português, e um pouco por toda a Europa, nas últimas décadas, foi a nível estético. Nos anos 1970 e 1980 predominavam os cabelos compridos, a barba farfalhuda e o famoso bigode. O melhor exemplo em Portugal terá sido a equipa do FC Porto, campeã em 1978/79: dos onze habituais titulares, nove, repito, nove!, tinham bigodes imponentes: Teixeira (bigode discreto), Simões (bigode despenteado), Gabriel (bigode brigão), Oliveira (bigode de capitão), Frasco (bigode penteadinho), Rodolfo (bigode sério), Murça (bigode à pirata), Fonseca (bigode à mauzão) e Costa (bigode farfalhudo). Sem bigode só mesmo o “bi-bota” Gomes e Duda.

 

O Sporting, infelizmente, nunca foi muito dado a jogadores de “barba rija”. Da equipa que venceu o título em 1982, apenas quatro jogadores, do habitual onze, costumavam usar bigode. Mas um desses bigodes valia pelo menos por cinco: quem não se recorda do famoso bigode do guarda-redes Meszaros? Era verdadeiramente soberbo, digo de um pirata famoso ou de um sanguinário espadachim oriental. Em 2000, quando os “leões” voltaram a conquistar o título, já nem um bigode restava…

 

Talvez seja isso que nos faz falta, ou seja, jogadores de barba rija e bigodes intimidativos. Muitos jovens, com ar de modelos, muito “clean”, como sucede no actual Sporting, não intimidam ninguém, mais ainda num mundo tão masculinizado como o do futebol. Deve ser por isso que adoro ver um senhor com nome felino, o Gatuzzo, do AC Milão. Apesar da sua voz gentil e quase angelical, a barba por fazer e o bigode negro, conferem-lhe um ar verdadeiramente atemorizador. Talvez não fosse má ideia, num mundo de transferências, ir buscar o assessor de moda do Gatuzzo para o Sporting… Volta bigode, estás perdoado!

 

Francisco Pinheiro 

Mais uma bela história

Quinta, Maio 1st, 2008

O Chelsea - Liverpool da segunda mão das meias finais da Liga dos Campeões foi o futebol em todo o seu esplendor. Não um mero jogo mas sim uma bela história, um pedaço de grande literatura, teatro e cinema. Com a vantagem de não ter guião pré-definido.É isso que faz do futebol o maior espectáculo do mundo quando o espectáculo é bom, ou seja quando a história é mesmo boa. E esta era do melhor. Terceira vez que as duas equipas se encontravam nas meias finais da Liga dos campeões em 3 anos, duas vitórias para o Liverpool (um dos reis da Europa) mesmo sobre a meta final: uma nos penaltis outra por um golo de diferença (que nem temos a certeza se chegou a ser). Um Chelsea (arrivista no grande futebol europeu) que teve um special one que não conseguiu chegar a uma final e que o substituiu por um average one, mantendo os mesmos heróis que tão perto haviam estado da final e que vimos chorar baba e ranho quando não o conseguiram. Puro Drama!E foi nestes preparos que chegamos a este segundo jogo da eliminatória, que pela primeira vez parecia mais inclinada para o lado londrino, graças a um auto-golo mesmo no final da partida de Anfield. A sorte estaria a mudar? Estava mesmo, e ontem a viragem confirmou-se e teve laivos de justiça divina, principalmente quando um arrasado Frank Lampard renasceu para a vida ao marcar o penalti que parecia decisivo, já no prolongamento. Sim, porque todos as grandes histórias de futebol têm prolongamento (mas nunca penaltis).Estas grandes história de futebol fazem-nos tomar partido mesmo que nenhuma lealdade exista por ali. Mesmo sem Special One por perto, foi impossível não sofrer seriamente pelo Chelsea, por Cech, Carvalho, Terry, Essien, Makelele, Lampard, Cole e Drogba, ou seja, por todos aqueles que tanto haviam sofrido ás mãos do Liverpool, que tanto queriam chegar a esta final. E mesmo que haja poucas coisas tão distantes dos adeptos empenhados do futebol como os próprios futebolistas, é impossível não nos sentirmos tão próximos daqueles super-homens do pontapé na bola quando o momento da verdade chega, quando as emoções dominam o relvado, as bancadas e o mundo.Ontem fui adepto do Chelsea porque sou louco por uma grande história, com grandes personagens e um guião perfeito porque completamente imprevísivel. Gritei com o Drogba e chorei com o Lampard, saltei com o Essien e com o Ricardo Carvalho. Durante 120 minutos vivi as emoções de mais uma bela história. Uma história sem fim.   João Nuno Coelho