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Archive for Junho, 2008

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Segunda, Junho 9th, 2008

  

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“Pode um país pequeno ser grande?” Portugal no Euro-2008

Tera, Junho 3rd, 2008

snacionaljpg.jpg No discurso dos media, nas palavras dos jogadores, na fé dos adeptos, a vontade de ver a Selecção Nacional portuguesa vencer no futebol parece passar pela necessidade de confirmar que “um país pequeno pode ser grande”, na busca de regresso a uma passado histórico querido e celebrado. Sabemos que o futebol assume-se com um espaço privilegiado para estes “milagres” e “desígnios”, no qual os mais “fracos” por vezes batem os mais “fortes”, fornecendo motivos muito oportunos para os processos de imaginação e re-imaginação da identidade nacional, de representação da nação e do seu valor.  

    Ora, até á década de 1990, a “equipa das quinas” apenas conseguiu uma participação numa grande competição internacional (1966) e até 1960 detinha um fraco registo total: 104 jogos, 31 vitórias, 19 empates, 54 derrotas. Nas décadas seguintes surgiram resultados mais positivos, mas a Selecção raramente escapou a uma espécie de “segunda divisão europeia” até aos anos 80, quando se alcançou duas presenças nos grandes palcos: Euro-84 e Mundial-86. A última redundou no famoso “Caso Saltillo” (incluindo uma greve dos jogadores aos treinos devido ao seu desacordo em relação aos prémios de jogo), que em nada contribuiu para o orgulho nacional na equipa. 

    Habituados a ver a Selecção como uma confirmação dos seus piores receios sobre o país e sobre si próprios, os portugueses foram alimentando o fanatismo pelos seus clubes (“clubite”) e a ditadura dos três grandes (o Porto, o Benfica e o Sporting).

 

    Até que, na década de 1990, a Geração de Ouro, os “Bebés de Carlos Queiroz”, bem sucedidos ao nível júnior e a brilhar nos seus grandes clubes do futebol europeu, conseguiram inverter a tendência de insucesso associado à equipa nacional ao mesmo tempo que limitavam os efeitos da “clubite”.  

    Finalmente, com António Oliveira, Humberto Coelho, e principalmente Scolari, o apuramento mais ou menos regular para grandes eventos (desde 1996 a equipa apenas falhou uma grande competição, o Mundial-98), e os excelentes resultados obtidos (Portugal é o actual vice campeão europeu e 4º melhor no Mundial-2006), fizeram renascer o orgulho na selecção e aumentar a esperança num triunfo verdadeiramente histórico. 

    Agora, a equipa portuguesa atravessa uma fase de renovação geracional. Depois dos abandonos de Rui Costa, Luís Figo e Pauleta, que se seguiram à exclusão de João Vieira Pinto, Fernando Couto, Sérgio Conceição, Costinha, entre outros, das opções de Scolari, a selecção procura ainda novas estrutura e liderança. 

    O treinador brasileiro não se cansa de afirmar a importância da liderança no relvado e no balneário, lamentando-se do facto de não terem surgido ainda os líderes que possam complementar devidamente a acção do seleccionador. Cristiano Ronaldo não tem o perfil adequado, pelo menos para já, e numa equipa bastante jovem compreende-se que este seja um problema muito sério, até porque abundam as estrelas, oriundas das melhores Ligas da Europa. 

    O outro grande problema da selecção portuguesa é a incapacidade de adoptar um modelo de jogo adequado. A equipa vive demasiado da inspiração individual de homens como Ronaldo, Quaresma, Nani, Deco, Simão. Toda a gente sabe que Scolari não é um génio da tática e do treino, e a selecção há muito que não joga um bom futebol. Aliás a única altura em que isso aconteceu foi no Euro-2004, numa fase em que a estrutura da equipa assentava no FC Porto campeão europeu de Mourinho. 

    A grande virtude de Scolari tem sido domar as estrelas e os seus caprichos e ninguém lhe pode tirar o mérito de ter conseguido os melhores resultados de sempre na selecção portuguesa. A grande questão é se terá a capacidade de pôr essas estrelas a jogar para o colectivo no Euro-2008. 

    Dessa capacidade poderá depender a passagem aos quartos de final, objectivo mínimo para uma equipa que dispõe de um conjuntos de jogadores que actuam por exemplo no Real Madrid, Barcelona, At. Madrid, Chelsea e Manchester United.  

    Scolari chamou os melhores: dos 23 escolhidos apenas se pode questionar o jovem e inseguro terceiro guarda-redes Rui Patrício e a eterna promessa Helder Postiga. Pena é que o Rui Costa já não possa dar uma ajudinha e que Maniche fique de fora, porque costuma aparecer em grande forma nestes momentos. Mas deve haver razões muito fortes para o deixar a ver o Euro no sofá…   

João Nuno Coelho