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A Luz do Lampião III - “Obrigado Blazek!”

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As coisas não estão muito bem para os lados da Luz. O Benfica sempre foi um clube cujo facto de jogar no seu estádio era sinónimo de vitória quase certa. Hoje em dia, assistimos a uma equipa que tem medo de jogar em casa e um estádio onde os adversários entram de peito aberto, pois sabem que ao fim de 15 minutos o ambiente do mesmo estará do lado deles.

 

Para além disso, o Benfica joga pouco. Muito pouco mesmo para a qualidade dos jogadores que tem. E depois Camacho também não ajuda, tomando decisões típicas do mais retrógrado dos treinadores portugueses da “old school”. Aliás, não é nada de novo se verificarmos com cuidado aquilo que foi a anterior passagem de Camacho pela Luz: muita raça, muita vivacidade, muita troca de bola e objectividade (que tem faltado esta época), mas a clara sensação de que quando as coisas estão a correr mal ele não saberá mexer! Camacho é muito conservador e arrisca muito pouco, mesmo quando está quase a perder.

 

Isso viu-se perfeitamente na eliminatória europeia das duas últimas semanas. Em Lisboa, o Benfica alinhou com a dupla de ataque que muitos pediam a viva voz. Não jogou bem, pois a bola perdia-se quando chegava às “duas torres” e porque o jogo que se exigia (rapidez pelas alas e cruzamentos para a área) não foi o praticado. Mas graças a um “perú” de Blazec, o Benfica foi para a Alemanha com ligeira vantagem sobre o Nuremberga e deu confiança a Makukula para o resto da época. Depois, vencemos a Naval, num jogo que correu bem mas podia ter corrido muito mal (ai se aquela bola no barrote entra…). E a verdade é que em Nuremberga só mesmo o futebol e a sua maravilhosa imprevisibilidade salvaram o Benfica. Num jogo em que o Nuremberga, apesar de mal classificado no campeonato, demonstrou muito mais futebol, coesão e vontade de ganhar que os encarnados, o Benfica teve a sorte com juros antecipados e que ficará a pagar durante muitos anos para ter conseguido o resultado que conseguiu.

 

Há um claro défice de performance de alguns jogadores. Luis Filipe demonstra não ter “arcaboiço” para camisolas com peso histórico. Petit está claramente a precisar de recuperação às múltiplas lesões de forma paciente, cuidada e sem interrupções, devendo sair do meio-campo benfiquista por algum tempo. Katsouranis está pouco incisivo na manobra defensiva. E depois há Camacho.

 

Maxi Pereira teve um dia para esquecer na quinta-feira, não acertando nem a atacar nem a defender. Luis Filipe já é mau quando o ajudam, então sozinho foi um “ver se te avias” no lado direito da defesa encarnada. Curiosamente, ambos mantiveram-se em campo com o SLB a perder por 2-0 e só Maxi (o menos mau) saíu, já aos 70 minutos. Para entrar Cardozo, Camacho mexeu em toda a estrutura da equipa:

 

            - Tirou Edcarlos;

            - Passou Katso para central;

            - Recuou Rui Costa;

            - Pôs Cardozo na frente;

 

Teria sido bem mais fácil e menos prejudicial tirar o Petit, que nada fez durante o jogo (mercê do que disse atrás). Ao mesmo tempo que faz isto, tira Maxi e põe mais um lateral, Sepsi, deixando Di Maria no banco. Depois de ter posto dois laterais direitos em campo frente ao Nacional, foi a vez de pôr dois laterais esquerdos contra o Nuremberga. Di Maria acabou por entrar para o lado… direito, aos 81 minutos para o lugar de Nuno Assís, um dos melhores elementos do Benfica nessa noite. Ou seja, manteve Léo, claramente já em perda e com muitos problemas para segurar, também ele, a lateral esquerda. O Benfica volta a ter duas torres na frente (Cardozo e Makukula) sem gente que pudesse alimentar convenientemente o jogo aéreo.

 

O giro disto tudo é que aos 90 minutos, Sepsi tenta um cruzamento que é interceptado, a bola sobra para Léo, que bombeia a bola para a “cabeça” da área, onde tabela em 3 ou 4 jogadores diferentes e sobra para Cardozo, que remata mais uma das suas famosíssimas roscas, tão famosas como os tiros potentes. A bola entra… e ninguém me tira da cabeça que Blazek, qual Ricardo ainda nos tempos do Boavista no velhinho Estádio das Antas, fia-se no golpe de vista e que a bola vai fora, mas apercebe-se tarde demais que afinal não vai… Nuremberga 2, Blazec 2! Depois disso, o Nuremberga foi em desespero para a frente e o segundo golo do Benfica é claramente um golo de eliminatória uefeira, em que os desesperados sofrem o golpe de misericórdia por parte dos apurados, como que sentenciando a desgraça dos eliminados com um resultado que não deixa dúvidas.

 

Por isso digo: obrigado, Blazek!

 

FORA da LUZ

 

Eduardo da Silva, internacional croata do Arsenal, viu a sua perna ceifada (no verdadeiro sentido da palavra) por um jogador do Birmingham, numa daquelas entradas “para intimidar e marcar posição” que acabou muito mal. Resultado: tíbia e peróneo dilacerados como se de uma cana de açúcar se tratassem. Não sei até que ponto Eduardo recuperará a sua fantasia futebolística. Sim, pode voltar a jogar, mas nunca mais será o mesmo, até mesmo pelo medo que terá ao choque. Mas pessoalmente, acho que o Martin Taylor, o “artísta” que fez aquela “obra de arte”, deveria ficar na bancada até ao dia em que “Dudu” voltasse a ser convocado. Se o croata acabasse a carreira, teríamos todos muita pena por Martin… ou talvez não.

 

PS: O Benfica passou esta eliminatória com sorte e irá defrontar o Getafe. Da última vez que o Benfica passou uma eliminatória “à rasca” e jogando mal, derrotou o PAOK (1999-2000) e na fase seguinte apanhou o… Celta de Vigo. Esperemos que a história não se repita.

 

Nuno Vitória 

2 Responses to “A Luz do Lampião III - “Obrigado Blazek!””

  1. NMOliveira Says:

    Concordo de forma geral com o artigo e as diversas análises realizadas. O Benfica precisa de mudar muita coisa para se tornar uma equipa realmente forte, ainda mais na Europa, e penso que não terá vida para ir longe na taça UEFA. Mas quem sabe, às vezes as coisas mudam mais depressa do que se pensa. Parabéns pelo belo artigo.
    NMO

  2. Reginaldna Says:

    well done, bro

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