A LUZ DO LAMPIÃO V: “MAESTRO, NÃO. MAGISTRAL!”

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O Benfica fez no Bessa provavelmente a melhor exibição da época. No entanto, em vez de se congratularem por terem a equipa no bom caminho no ataque ao 2º lugar (para minorar os estragos de uma época que toda ela foi um erro pegado), apesar do resultado menos bom, não: viraram armas contra os árbitros em geral, contra Lucílio Baptista em particular e contra as entidades competentes do futebol, tudo porque Lucílio Baptista não assinalou dois penaltis claros aos olhos de Chalana e de Luís Filipe Vieira. Os dois casos mencionados são a entrada de Zé Kalanga sobre Léo e a suposta mão na bola, já perto do fim do jogo, de um defesa do Boavista dentro da área. Pessoalmente, a minha opinião é que nenhum deles é penalti e que a existir um castigo máximo a favor do Benfica esse foi num lance em que Cristian Rodriguez tenta cabecear uma bola mas é carregado pelas costas por Marcelão, num daqueles lances típicos que se fosse a meio campo o árbitro marcava na hora… E mais uma vez, Luís Filipe Vieira volta a falar dos árbitros, depois de pela 15ª vez ter dito que o presidente do Benfica não falava de arbitragens… Um “dejá vu” que já chateia…

 

Falemos de coisas boas. Rui Costa fez 36 anos, uma bela idade para aquele que é, provavelmente, o último jogador à moda antiga. Amado pelos benfiquistas, respeitado pelos restantes adeptos, temido pelos jogadores adversários, Rui Costa é o exemplo máximo que no futebol não há só dinheiro e ganância e que ainda há espaço para a paixão. Voltou ao clube que sempre apoiou como adepto ciente que ainda podia ser útil como jogador e a verdade é que hoje em dia não sei o que seria da equipa sem Rui Costa. Corre mais que os outros, executa mais rápido que os companheiros, espalha talento, classe e magia pelo relvado ao longo dos 90 minutos de uma partida.

 

Acima de tudo, Rui Costa é um senhor, quer como jogador quer como pessoa. Nunca se envolveu em escândalos, nunca se vangloriou, aceitou as opções dos treinadores que o puseram no banco em algumas situações sem “estrebuchar” e sempre levou a sua carreira profissional com um total respeito pelos colegas, pelos adversários, pelos clubes e instituições que representou e pelos adeptos (do seu clube e dos clubes adversários).

 

Rui Costa é muitas vezes lembrado como o homem que chorou quando marcou um golo ao Benfica. Eu pessoalmente lembro-me dele a chorar numa outra situação que é demonstrativa do seu carácter. Em 1997, em plena fase crítica do apuramento para o Campeonato do Mundo de 1998, Portugal defrontava a Alemanha e estava numa situação precária: ou ganhava e dava um salto decisivo rumo ao apuramento ou então estava praticamente condenado a ver o França 98 pela televisão. Pedro Barbosa fez um golo estupendo que colocava Portugal em vantagem contra a Alemanha de Klinsman, Bobic, Basler, Khan e afins. Rui Costa fica pouco depois isolado frente a Khan, mas o fiscal de linha levanta a bandeirola. Rui rematou na mesma, pouco depois do apito, e vê o amarelo. Minutos depois é solicitada uma substituição na selecção portuguesa: sai Rui Costa para entrar Sérgio Conceição. Rui Costa dirigia-se para a linha lateral a passo, como quase todo o jogador em posição de vantagem no marcador faz. O árbitro Marc Batta, quando Rui já se encontrava perto da linha lateral, mostra-lhe o segundo amarelo e expulsa-o de uma forma repudiada por quase todos os adeptos de futebol que não são alemães. Portugal ficou reduzido a dez jogadores e acabaria por sofrer o empate e dizer adeus ao Mundial, mais uma vez. Rui Costa, esse, estava inconsolável à porta do túnel de acesso aos balneários, sentado no chão e chorando como um menino, desde o momento da expulsão até ao momento em que viu Silvino ser batido, altura em que recolheu definitivamente aos balneários.

 

Essa é a única “mancha vermelha” de Rui Costa no seu curriculum profissional sénior, resultado de uma injustiça protagonizada pelo excesso de zelo de um árbitro que para sempre ficou na galeria dos Papões da Selecção Portuguesa e que provavelmente nunca mais na sua vida de juiz mostrou um cartão amarelo como aquele que mostrou naquele dia a tão brilhante e correcto jogador.

 

Para mim, aquelas imagens só me fizeram ter ainda mais consideração por este jogador e por esta pessoa, que viu um sonho desmoronar-se em minutos e de imediato sentiu o mundo cair-lhe em cima, mostrando o seu inconformismo… chorando. Não partiu para o confronto com o árbitro, não reclamou de forma agressiva, apenas chorou e assistiu ainda a parte do jogo com uma tristeza que certamente não deixou nenhum daqueles que assistiram ao jogo indiferente.

 

Que pena não haver mais “Ruis Costas” a despontar no futebol português e mundial…

 

Fora da Luz

 

Jaime “abandonou voluntariamente” do Leixões após falhar um penalti que daria o empate à sua equipa em tempo de descontos por tê-lo marcado “à Panenka”. Se marcasse, era um herói com uma calma de morte e uma técnica soberba. Se atirasse em força e acertasse no poste, era mais um “pé de chumbo matarruano”. Como falhou, é um inconsciente e merece um castigo pesado. Isto só prova que o futebol é cada vez menos espectáculo e cada vez mais dinheiro e resultado. Que o digam Boavista e Estrela da Amadora, com salários em atraso há vários meses sem punição, e o Paços de Ferreira, clube (aparentemente) cumpridor das suas obrigações, que provavelmente vai parar à II Liga. Para quando a descida de divisão para quem não cumpre orçamentos???

 

Nuno Vitória 

2 Responses to “A LUZ DO LAMPIÃO V: “MAESTRO, NÃO. MAGISTRAL!””

  1. NMOliveira Says:

    Lembro-me também com muita tristeza desse jogo. Foi dos maiores escândalos que vi a um nível tão elevado, do mesmo género que se viu no Mundial da Coreia. E não sendo benfiquista partilho da admiraçao por Rui Costa, como jogador e pessoa. Mas jogadores - homens destes fazem muita falta ao triste futebol português. Esperemos que como dirigente RC esteja a este nível.
    Parabéns por mais um belo texto num blog que já visito por sistema…
    Abraços, NMO

  2. NMOliveira Says:

    Lembro-me também com muita tristeza desse jogo. Foi dos maiores escândalos que vi a um nível tão elevado, do mesmo género que se viu no Mundial da Coreia. E não sendo benfiquista partilho da admiraçao por Rui Costa, como jogador e pessoa. Mais jogadores - homens destes fazem muita falta ao triste futebol português. Esperemos que como dirigente RC esteja a este nível.
    Parabéns por mais um belo texto num blog que já visito por sistema…
    Abraços, NMO

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