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A LUZ DO LAMPIÃO VI - “FECHA-SE UM CICLO, ABRE-SE OUTRO… IGUAL?”

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Acabou a época. O Benfica termina em 4º lugar, perde o acesso à Liga dos Campeões, foi derrotado pelo Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal, Rui Costa despediu-se dos relvados e assumiu o cargo de Director Desportivo, uma parte da equipa seguiu para Angola numa tourné e a outra corresponde aos jogadores que se juntaram à preparação das suas selecções para o Euro-2008, na Áustria e Suíça.

 

 

Fernando Chalana não conseguiu cumprir com aquilo que lhe foi pedido: manter o 2º lugar em que Camacho deixou a equipa. Culpa dele? Claro que não. É necessário perceber que o menos culpado no meio disto tudo foi o Chalana, primeiro porque o mal já vem do início de época, depois porque foi autênticamente lançado às feras, com uma equipa descrente de sí própria e com muitas lacunas. Apesar de tudo, o Benfica conseguiu fazer alguns bons jogos, se bem que alternados com outros completamente desastrosos.

 

Veja-se, por exemplo, o jogo da última jornada do campeonato, contra o Vitória de Setúbal, que coincidiu com a festa de despedida do jogador mais carismático e amado pela massa associativa das últimas décadas. A equipa galvanizou-se e fez por dar a Rui Costa uma despedida digna, num jogo em que funcionaram como equipa. Nem pareciam os mesmos que defrontaram a Académica três semanas antes.

 

Chalana também não esteve isento de erros. No jogo com o Sporting para a Taça de Portugal, a vencer por 2-0 ao intervalo, substituiu Di Maria por Sepsi e o Benfica rebentou por todos os lados. Acabou por perder por 5-3 num jogo fantástico. 

 

Tenho de dizer que a mim pessoalmente não me custou tanto perder este jogo como noutras vezes. O futebol é feito de golos, emoção e espírito ganhador e isso, independentemente do resultado, foi demonstrado por ambas as equipas. O Benfica, a perder por 3-2, reagiu e empatou, antes de Yannick Djaló tirar aquele “coelho da cartola” que daria a vantagem de 4-3 ao Sporting. Foi um jogo de golos, aliás, de grandes golos! Todos os 8 golos tiveram a sua beleza! E quando assim é, custa muito menos perder.

 

Mas voltando ao estado actual das coisas, é tempo de preparar a nova época, naquela que já foi intitulada como uma nova era no Benfica. Procura-se novo treinador, procuram-se reforços, há um novo (se bem que nunca houve um antigo) Director Desportivo… mas será mesmo uma nova era? Vejamos o que já se passou desde a última vez que dei a minha opinião:

 

Foi dito que o Benfica contratou Ruben Amorim e Jorge Ribeiro. No entanto, não há aval do treinador para estas contratações, simplesmente porque não há treinador;

Foi dito que o Benfica apresentou proposta a Carlos Queirós, que uns dias depois recusou;

Foi público que o Benfica apresentou proposta a Sven Goran Ericsson, que uns dias depois voou com a equipa do Manchester City, seu clube na última época, para uma tourné na Ásia, sem dar resposta;

Entretanto, o Benfica desmente que Jorge Ribeiro já seja jogador do Benfica;

Fala-se de vários jogadores com propostas do Benfica: Raffik Djebbour, Hassan Yebda, Zoltan Gera, Alex… 

Yebda, ex-jogador do LeMans, já assinou entretanto pelo Wigam, mostrando que nem com um clube do fundo da tabela da Premiership o Benfica consegue ombrear (caso seja verdade que o Benfica havia feito uma proposta).

 

A pergunta impõe-se: quem deu aval a estas possíveis contratações? Como pode um treinador planear uma época sem algumas escolhas suas? E se estas aquisições não interessarem ao novo treinador? Lá fica o Benfica com mais uma série de jogadores para colocar ou emprestar a outros clubes, pagando-lhes o ordenado.

 

Pessoalmente, o Benfica devia fazer contratações específicas e num trabalho conjunto de treinador e Director Desportivo. É necessário claramente um médio criativo de alta qualidade para substituir Rui Costa. Depois disso, as outras possíveis contratações deverão ser para colmatar vagas devido a alguma venda ou então jogadores que entrem “de caras” no “onze” para algumas posições mais frágeis, como a defesa. Não se pode continuar a comprar jogadores para o banco ou para posições bem preenchidas, pois o Benfica não se pode dar ao luxo de “queimar” mais jogadores como, por exemplo, o Miguelito, que chegou a ser Internacional “A” e que saiu após a contratação de mais um lateral esquerdo (Sepsi), tendo em conta que o Léo era claramente o dono do lugar. Tal como é incompreensível como o Benfica tem neste momento três jogadores para a ala esquerda (Rodriguez, Di Maria, Freddy Adu) e nenhum para a ala direita.

 

Em suma, todas estas situações têm de ser evitadas, quer as contratações a granel quer as “fugas de informação” ou “notícias inventadas” de que o clube é vítima dia-após-dia. É já altura de o Director de Informação fazer alguma coisa de jeito e intervir de forma proactiva. É bom para todos mas essencialmente para Rui Costa, que pode ver a sua imagem beliscada, pois a realidade é que não se vislumbra nenhuma diferença entre os negócios pré-Rui Costa e os negócios com Rui Costa.

 

Fora da Luz

 

Vem aí o Euro 2008. 23 convocados. Pouco mais há a dizer agora, excepto o facto de Maniche ter sido muito infeliz na altura e na forma como falou à RTP, queixando-se do facto de não ter sido chamado por Luiz Filipe Scolari. É que o Maniche esquece-se que pode sempre haver um azar de um colega que tenha de ser substituído à última da hora. Com a forma como colocou as coisas na entrevista, Maniche fechou a porta a qualquer possível chamada de Scolari no futuro… e, quem sabe, de outro qualquer seleccionador nacional que simplesmente não esteja para aturar “birrinhas”.

 

 

Nuno Vitória 

One Response to “A LUZ DO LAMPIÃO VI - “FECHA-SE UM CICLO, ABRE-SE OUTRO… IGUAL?””

  1. Rodrigo de Almada Martins Says:

    Muito boa a análise, especialmente ao episódio protagonizado por Maniche, embora o médio até possa ter alguma razão, a ser verdade o que diz.
    Mas quem fala em Maniche, fala em muitos outros que também não vão ao Europeu e concerteza ficaram tristes, como o Caneira e até o Pelé, que, sinceramente, tem mais do que qualidade para estar naquele meio-campo. Pode não ser tão experiente como Petit nem tão virtuoso como Miguel Veloso, mas no geral não lhes fica nada atrás e provavelmente vai ser um dos melhores médios centro (na linha de Patrick Vieira) do Mundo. A ver vamos. Espero que a selecção faça um grande Europeu! Estou curioso para ver a frente de ataque e confesso que o trio Quaresma-Nani-Cristiano Ronaldo devia merecer uma oportunidade.

    Abraços e parabéns por este excelente artigo,

    Rodrigo de Almada Martins

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