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E agora, José?

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O famoso Bruxo de Fafe afirmou, nas suas previsões para 2008, que a boa estrela de Mourinho se eclipsaria e que iam começar tempos difíceis para o “special one”, longe do êxito desportivo e do estatuto de melhor do mundo.
Mesmo que por motivos diferentes dos do vidente, concordo com a previsão. Parece-me que Moutinho vai ter dificuldades em manter-se na crista da onda, em grande parte por culpa própria. O treinador de Setúbal aparenta estar a ser vítima do seu próprio ego – quer ser sempre a estrela número 1, mesmo quando convive na mesma equipa com algumas das maiores estrelas do futebol mundial. Enquanto líder de equipas compostas por jogadores em ascensão na carreira., sedentos de títulos e fama tal era possível e não funcionava como factor de conflito e desequilíbrio, podendo mesmo jogar a favor da procura de desafios e objectivos comuns. Mas a partir do momento em que aceitou a chegada de craques consagrados como Shevchenko ou Ballack ao Chelsea viu-se o “saco de gatos” em que se transformou o balneário do clube londrino, situação agravada pela falta do apoio absoluto da direcção de Abrahamovic.
Agora quando se fala na exigência de Mourinho por trabalhar num grande clube grande da Europa – dificilmente se satisfaz com menos do que Real Madrid, Barcelona, Milão ou Inter – a questão de novo se coloca: será que José consegue compreender que os jogadores é que marcam os golos, fazem os grandes passes, fintas e defesas? Que eles é que são as estrelas, principalmente quando são mesmo…estrelas? Porque se não estiver preparado para o aceitar, o melhor é mesmo fazer mais uma grande equipa a partir da base, com jogadores com fome de estatuto, fama, títulos e dinheiro. Mesmo que seja num clube apenas em ascensão no panorama europeu.

João Nuno Coelho

One Response to “E agora, José?”

  1. Rodrigo de Almada Martins Says:

    Já alguém um dia disse o seguinte: “Por onde Mourinho passa deixa terra queimada”.

    Penso que é totalmente verdade. Foi assim no Benfica. Foi assim em Leiria. Foi assim no Porto. Foi assim no Chelsea. O Leiria demorou a recuperar. O Porto “acordou” passados dois anos, muito por culpa do Presidente que tem. O Chelsea parece estar a lidar bem com a situação (também pudera, com aquele plantel!), mas julgo que já não é o mesmo Chelsea que batalhava por todas as competições em que se envolvia.

    É um treinador tão absorvente, tão cativante, tão intenso que, ao abandonar um clube, deixa os jogadores desiludidos e desmotivados, a massa associativa dividida, alguma contestação à Direcção e uma imagem de Mourinho-dependência.

    E convém referir que, se as saídas de Mourinho são polémicas, as chegadas também o são.

    Quando chegou ao Benfica foi uma revolução no staff. Em Leiria, Manuel José, ex-treinador dos leirienses disse a famosa frase: “O Mourinho deve pensar que isto é a selva e que ele é o Tarzan”. Quanco chegou ao Porto, o célebre jantar em Fátima mostrou que era mesmo ele o sucessor de Octávio que viu o negócio desenrolar-se todo nas suas costas. Quando foi para o Chelsea, eram jantares no Sapo em Penafiel, visitas ao iate de Abramovich… isto quando nas meias-finais estavam Porto, Corunha, Mónaco e… Chelsea, o que em termos éticos é reprovável.

    Sendo assim, seu eu fosse Presidente de um clube e desejasse mantê-lo estável e comigo na Presidência…não contrataria José Mourinho. Se quisesse títulos e confusão… contratava-o! Embora me pareça que José não é imbatível como há 3 ou 4 anos se pensava (o Manchester de Ferguson provou-o e as sucessivas Champions League pós-Gelsenkirchen mostraram que era preciso algo mais naquele Chelsea). Há outros treinadore spor aí igualmente bons e não tão espalhafatosos (e talvez por isso não tão interessantes), como Ancelotti, Capello, Benitez, Juande Ramos, entre outros.

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