Mais uma bela história
O Chelsea - Liverpool da segunda mão das meias finais da Liga dos Campeões foi o futebol em todo o seu esplendor. Não um mero jogo mas sim uma bela história, um pedaço de grande literatura, teatro e cinema. Com a vantagem de não ter guião pré-definido.É isso que faz do futebol o maior espectáculo do mundo quando o espectáculo é bom, ou seja quando a história é mesmo boa. E esta era do melhor. Terceira vez que as duas equipas se encontravam nas meias finais da Liga dos campeões em 3 anos, duas vitórias para o Liverpool (um dos reis da Europa) mesmo sobre a meta final: uma nos penaltis outra por um golo de diferença (que nem temos a certeza se chegou a ser). Um Chelsea (arrivista no grande futebol europeu) que teve um special one que não conseguiu chegar a uma final e que o substituiu por um average one, mantendo os mesmos heróis que tão perto haviam estado da final e que vimos chorar baba e ranho quando não o conseguiram. Puro Drama!E foi nestes preparos que chegamos a este segundo jogo da eliminatória, que pela primeira vez parecia mais inclinada para o lado londrino, graças a um auto-golo mesmo no final da partida de Anfield. A sorte estaria a mudar? Estava mesmo, e ontem a viragem confirmou-se e teve laivos de justiça divina, principalmente quando um arrasado Frank Lampard renasceu para a vida ao marcar o penalti que parecia decisivo, já no prolongamento. Sim, porque todos as grandes histórias de futebol têm prolongamento (mas nunca penaltis).Estas grandes história de futebol fazem-nos tomar partido mesmo que nenhuma lealdade exista por ali. Mesmo sem Special One por perto, foi impossível não sofrer seriamente pelo Chelsea, por Cech, Carvalho, Terry, Essien, Makelele, Lampard, Cole e Drogba, ou seja, por todos aqueles que tanto haviam sofrido ás mãos do Liverpool, que tanto queriam chegar a esta final. E mesmo que haja poucas coisas tão distantes dos adeptos empenhados do futebol como os próprios futebolistas, é impossível não nos sentirmos tão próximos daqueles super-homens do pontapé na bola quando o momento da verdade chega, quando as emoções dominam o relvado, as bancadas e o mundo.Ontem fui adepto do Chelsea porque sou louco por uma grande história, com grandes personagens e um guião perfeito porque completamente imprevísivel. Gritei com o Drogba e chorei com o Lampard, saltei com o Essien e com o Ricardo Carvalho. Durante 120 minutos vivi as emoções de mais uma bela história. Uma história sem fim. João Nuno Coelho