ANÁLISE DA 1ª VOLTA
2009/01/29
A primeira volta do campeonato chegou ao fim e não nos traz grandes novidades. FC Porto na frente do campeonato, seguido de perto por Sporting e Benfica. Sem esquecermos o surpreendente Leixões de José Mota, claro está. Apesar de ainda não conseguir disfarçar a falta de Bosingwa e Quaresma (Fernando parece estar a ter sucesso na árdua tarefa de fazer esquecer Assunção), o Porto mostra ser a equipa mais regular, coesa e equilibrada, apesar das constantes más exibições, da dificuldade em lidar com o seu próprio público e de alguns fracassos nas contratações. Desde logo porque vai em primeiro lugar a meio da época e todos sabemos que em Portugal, historicamente, isso significa mesmo “meio caminho andado” para o título. Depois, porque vai receber na segunda volta, no seu reduto, os principais rivais. Além disto, tirando o lugar de lateral-esquerdo (Chissoko parece o melhor colocado para agarrar o lugar), é a única equipa dos “três grandes” com um onze-base definido. Dispõe de uma frente de ataque prestes a entender-se às mil maravilhas. Lisandro, Rodriguez e Hulk têm tudo para dar certo: formam um terceto rápido, agressivo, rematador, pressionante e explosivo, capaz de desgastar qualquer defesa. E há Lucho. O que é óptimo, pois dificilmente existirá um Lucho pior do que o desta primeira metade da temporada. A única via possível é um crescendo de rendimento do argentino. E quando isso acontece, os dragões costumam carburar. E o trio da frente necessita de um El Comandante a todo o vapor! Por fim, o balneário. Jesualdo Ferreira parece estar a sair-se bem na “blindagem” do campeão nacional, face ao relativo afastamento de Pinto da Costa dos jornais e televisões, fruto das consequências do processo Apito Dourado. E se compararmos com os casos Moutinho, Miguel Veloso, Stojkovic, Vukcevic e Djaló e com as polémicas de Quique com Balboa, Reyes e Cardozo, concluímos que o balneário nortenho aparenta ser o mais saudável. Não obstante, a figura da primeira volta é mesmo o Leixões de José Mota. Os bebés do mar encantaram os espectadores com um futebol vivo, objectivo e “arrumado”, com uma mentalidade bem diferente da maioria das equipas que opta por lutar pelo “pontinho”. Pena que um dos maiores artistas do ano de 2008, Wesley, abandone o nosso país em direcção à Roménia. Será que não tinha qualidade para uma equipa com ambições maiores em Portugal? O Benfica começou a temporada em boa forma, mas há muito que Quique parece não conseguir alimentar o comboio. As exibições sofríveis sucedem-se e os três magníficos (Aimar, Reyes e Suazo) tardam em explodir e justificar a forte aposta feita neles. Na defesa, tirando Luisão e Maxi, ninguém parece indiscutível. Sidnei, David Luiz, J. Ribeiro eMiguel Vítor têm alternado a titularidade e isso nunca é bom para uma defesa que se quer estável. Na baliza, a ver vamos como Moreira reage face ao “fantasma” Quim. Os leões parecem estar a melhorar, muito devido a um rapaz chamado Vukcevic que, vê-se agora, muita falta terá feito ao Sporting. Liedson tem agora o companheiro ideal na frente de ataque e torna-se, assim, ainda mais perigoso. As maiores fragilidades situam-se no lado esquerdo da defesa (lacuna partilhada por Porto e Benfica) e no meio-campo, onde Rochemback e Veloso tardam em assumir-se como imprescindíveis. Na luta pela Europa, para além do outsider Leixões, estarão as duas equipas madeirenses, além, obviamente, do Braga de Jorge Jesus, que tem à sua disposição um plantel de qualidade superior. As desilusões da prova são, obviamente, os históricos Guimarães e Belenenses. Já Trofense, Setúbal e Rio Ave terão que “nadar” bastante para ficarem acima da linha-de-água. Esta primeira volta trouxe-nos boas novidades. Falamos de um brasileiro. Não de Wesley, esse já foi mencionado. Referimo-nos a Hulk, a nova pérola que o Pinto da Costa foi descobrir, desta feita ao Japão. Já lhe chamam O Incrível e incríveis têm sido os seus remates, as suas acelerações e as suas fintas estonteantes. Que o diga Rochemback!Hulk já é uma figura incontornável deste Porto. Mas nem só dos grandes vivem os campeonatos. Outros jogadores se têm destacado pela sua qualidade: Sidnei, brilhante jovem central do Benfica; Djalma, avançado maritimista de técnica pouco comum; Nené, digno sucessor de Adriano na Choupana; Braga, o leixonense pé-canhão; Elvis, o possante central de Matosinhos; os irmãosVarela no Estrela mau pagador; Luís Aguiar, o possante e perigoso médio bracarense; e os jovens da Trofa H. Barbosa e Tiago Pinto. Mas, como se disse acima, no essencial, nada de novo: FC Porto na frente do Campeonato, nas meias-finais da Taça de Portugal (o único grande), nas meias-finais da Taça da Liga (a utilizar as reservas) e ainda nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Neste momento, Jesualdo apenas poderia desejar melhores exibições e mais calma na hora de rematar à baliza. Muito se escreveu sobre o Porto nestes últimos seis meses. Mas a verdade é que, no que é essencial, pouco mudou. Rodrigo de Almada Martins

