A LUZ DO LAMPIÃO VI - “FECHA-SE UM CICLO, ABRE-SE OUTRO… IGUAL?”
Domingo, Maio 25th, 2008Acabou a época. O Benfica termina em 4º lugar, perde o acesso à Liga dos Campeões, foi derrotado pelo Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal, Rui Costa despediu-se dos relvados e assumiu o cargo de Director Desportivo, uma parte da equipa seguiu para Angola numa tourné e a outra corresponde aos jogadores que se juntaram à preparação das suas selecções para o Euro-2008, na Áustria e Suíça.
Fernando Chalana não conseguiu cumprir com aquilo que lhe foi pedido: manter o 2º lugar em que Camacho deixou a equipa. Culpa dele? Claro que não. É necessário perceber que o menos culpado no meio disto tudo foi o Chalana, primeiro porque o mal já vem do início de época, depois porque foi autênticamente lançado às feras, com uma equipa descrente de sí própria e com muitas lacunas. Apesar de tudo, o Benfica conseguiu fazer alguns bons jogos, se bem que alternados com outros completamente desastrosos.
Veja-se, por exemplo, o jogo da última jornada do campeonato, contra o Vitória de Setúbal, que coincidiu com a festa de despedida do jogador mais carismático e amado pela massa associativa das últimas décadas. A equipa galvanizou-se e fez por dar a Rui Costa uma despedida digna, num jogo em que funcionaram como equipa. Nem pareciam os mesmos que defrontaram a Académica três semanas antes.
Chalana também não esteve isento de erros. No jogo com o Sporting para a Taça de Portugal, a vencer por 2-0 ao intervalo, substituiu Di Maria por Sepsi e o Benfica rebentou por todos os lados. Acabou por perder por 5-3 num jogo fantástico.
Tenho de dizer que a mim pessoalmente não me custou tanto perder este jogo como noutras vezes. O futebol é feito de golos, emoção e espírito ganhador e isso, independentemente do resultado, foi demonstrado por ambas as equipas. O Benfica, a perder por 3-2, reagiu e empatou, antes de Yannick Djaló tirar aquele “coelho da cartola” que daria a vantagem de 4-3 ao Sporting. Foi um jogo de golos, aliás, de grandes golos! Todos os 8 golos tiveram a sua beleza! E quando assim é, custa muito menos perder.
Mas voltando ao estado actual das coisas, é tempo de preparar a nova época, naquela que já foi intitulada como uma nova era no Benfica. Procura-se novo treinador, procuram-se reforços, há um novo (se bem que nunca houve um antigo) Director Desportivo… mas será mesmo uma nova era? Vejamos o que já se passou desde a última vez que dei a minha opinião:
Foi dito que o Benfica contratou Ruben Amorim e Jorge Ribeiro. No entanto, não há aval do treinador para estas contratações, simplesmente porque não há treinador;
Foi dito que o Benfica apresentou proposta a Carlos Queirós, que uns dias depois recusou;
Foi público que o Benfica apresentou proposta a Sven Goran Ericsson, que uns dias depois voou com a equipa do Manchester City, seu clube na última época, para uma tourné na Ásia, sem dar resposta;
Entretanto, o Benfica desmente que Jorge Ribeiro já seja jogador do Benfica;
Fala-se de vários jogadores com propostas do Benfica: Raffik Djebbour, Hassan Yebda, Zoltan Gera, Alex…
Yebda, ex-jogador do LeMans, já assinou entretanto pelo Wigam, mostrando que nem com um clube do fundo da tabela da Premiership o Benfica consegue ombrear (caso seja verdade que o Benfica havia feito uma proposta).
A pergunta impõe-se: quem deu aval a estas possíveis contratações? Como pode um treinador planear uma época sem algumas escolhas suas? E se estas aquisições não interessarem ao novo treinador? Lá fica o Benfica com mais uma série de jogadores para colocar ou emprestar a outros clubes, pagando-lhes o ordenado.
Pessoalmente, o Benfica devia fazer contratações específicas e num trabalho conjunto de treinador e Director Desportivo. É necessário claramente um médio criativo de alta qualidade para substituir Rui Costa. Depois disso, as outras possíveis contratações deverão ser para colmatar vagas devido a alguma venda ou então jogadores que entrem “de caras” no “onze” para algumas posições mais frágeis, como a defesa. Não se pode continuar a comprar jogadores para o banco ou para posições bem preenchidas, pois o Benfica não se pode dar ao luxo de “queimar” mais jogadores como, por exemplo, o Miguelito, que chegou a ser Internacional “A” e que saiu após a contratação de mais um lateral esquerdo (Sepsi), tendo em conta que o Léo era claramente o dono do lugar. Tal como é incompreensível como o Benfica tem neste momento três jogadores para a ala esquerda (Rodriguez, Di Maria, Freddy Adu) e nenhum para a ala direita.
Em suma, todas estas situações têm de ser evitadas, quer as contratações a granel quer as “fugas de informação” ou “notícias inventadas” de que o clube é vítima dia-após-dia. É já altura de o Director de Informação fazer alguma coisa de jeito e intervir de forma proactiva. É bom para todos mas essencialmente para Rui Costa, que pode ver a sua imagem beliscada, pois a realidade é que não se vislumbra nenhuma diferença entre os negócios pré-Rui Costa e os negócios com Rui Costa.
Fora da Luz
Vem aí o Euro 2008. 23 convocados. Pouco mais há a dizer agora, excepto o facto de Maniche ter sido muito infeliz na altura e na forma como falou à RTP, queixando-se do facto de não ter sido chamado por Luiz Filipe Scolari. É que o Maniche esquece-se que pode sempre haver um azar de um colega que tenha de ser substituído à última da hora. Com a forma como colocou as coisas na entrevista, Maniche fechou a porta a qualquer possível chamada de Scolari no futuro… e, quem sabe, de outro qualquer seleccionador nacional que simplesmente não esteja para aturar “birrinhas”.
Nuno Vitória



