Archive for the ‘A Luz do Lampião - As crónicas de Nuno Vitória’ Category

A LUZ DO LAMPIÃO VI - “FECHA-SE UM CICLO, ABRE-SE OUTRO… IGUAL?”

Domingo, Maio 25th, 2008

benfica-slb.jpg 

Acabou a época. O Benfica termina em 4º lugar, perde o acesso à Liga dos Campeões, foi derrotado pelo Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal, Rui Costa despediu-se dos relvados e assumiu o cargo de Director Desportivo, uma parte da equipa seguiu para Angola numa tourné e a outra corresponde aos jogadores que se juntaram à preparação das suas selecções para o Euro-2008, na Áustria e Suíça.

 

 

Fernando Chalana não conseguiu cumprir com aquilo que lhe foi pedido: manter o 2º lugar em que Camacho deixou a equipa. Culpa dele? Claro que não. É necessário perceber que o menos culpado no meio disto tudo foi o Chalana, primeiro porque o mal já vem do início de época, depois porque foi autênticamente lançado às feras, com uma equipa descrente de sí própria e com muitas lacunas. Apesar de tudo, o Benfica conseguiu fazer alguns bons jogos, se bem que alternados com outros completamente desastrosos.

 

Veja-se, por exemplo, o jogo da última jornada do campeonato, contra o Vitória de Setúbal, que coincidiu com a festa de despedida do jogador mais carismático e amado pela massa associativa das últimas décadas. A equipa galvanizou-se e fez por dar a Rui Costa uma despedida digna, num jogo em que funcionaram como equipa. Nem pareciam os mesmos que defrontaram a Académica três semanas antes.

 

Chalana também não esteve isento de erros. No jogo com o Sporting para a Taça de Portugal, a vencer por 2-0 ao intervalo, substituiu Di Maria por Sepsi e o Benfica rebentou por todos os lados. Acabou por perder por 5-3 num jogo fantástico. 

 

Tenho de dizer que a mim pessoalmente não me custou tanto perder este jogo como noutras vezes. O futebol é feito de golos, emoção e espírito ganhador e isso, independentemente do resultado, foi demonstrado por ambas as equipas. O Benfica, a perder por 3-2, reagiu e empatou, antes de Yannick Djaló tirar aquele “coelho da cartola” que daria a vantagem de 4-3 ao Sporting. Foi um jogo de golos, aliás, de grandes golos! Todos os 8 golos tiveram a sua beleza! E quando assim é, custa muito menos perder.

 

Mas voltando ao estado actual das coisas, é tempo de preparar a nova época, naquela que já foi intitulada como uma nova era no Benfica. Procura-se novo treinador, procuram-se reforços, há um novo (se bem que nunca houve um antigo) Director Desportivo… mas será mesmo uma nova era? Vejamos o que já se passou desde a última vez que dei a minha opinião:

 

Foi dito que o Benfica contratou Ruben Amorim e Jorge Ribeiro. No entanto, não há aval do treinador para estas contratações, simplesmente porque não há treinador;

Foi dito que o Benfica apresentou proposta a Carlos Queirós, que uns dias depois recusou;

Foi público que o Benfica apresentou proposta a Sven Goran Ericsson, que uns dias depois voou com a equipa do Manchester City, seu clube na última época, para uma tourné na Ásia, sem dar resposta;

Entretanto, o Benfica desmente que Jorge Ribeiro já seja jogador do Benfica;

Fala-se de vários jogadores com propostas do Benfica: Raffik Djebbour, Hassan Yebda, Zoltan Gera, Alex… 

Yebda, ex-jogador do LeMans, já assinou entretanto pelo Wigam, mostrando que nem com um clube do fundo da tabela da Premiership o Benfica consegue ombrear (caso seja verdade que o Benfica havia feito uma proposta).

 

A pergunta impõe-se: quem deu aval a estas possíveis contratações? Como pode um treinador planear uma época sem algumas escolhas suas? E se estas aquisições não interessarem ao novo treinador? Lá fica o Benfica com mais uma série de jogadores para colocar ou emprestar a outros clubes, pagando-lhes o ordenado.

 

Pessoalmente, o Benfica devia fazer contratações específicas e num trabalho conjunto de treinador e Director Desportivo. É necessário claramente um médio criativo de alta qualidade para substituir Rui Costa. Depois disso, as outras possíveis contratações deverão ser para colmatar vagas devido a alguma venda ou então jogadores que entrem “de caras” no “onze” para algumas posições mais frágeis, como a defesa. Não se pode continuar a comprar jogadores para o banco ou para posições bem preenchidas, pois o Benfica não se pode dar ao luxo de “queimar” mais jogadores como, por exemplo, o Miguelito, que chegou a ser Internacional “A” e que saiu após a contratação de mais um lateral esquerdo (Sepsi), tendo em conta que o Léo era claramente o dono do lugar. Tal como é incompreensível como o Benfica tem neste momento três jogadores para a ala esquerda (Rodriguez, Di Maria, Freddy Adu) e nenhum para a ala direita.

 

Em suma, todas estas situações têm de ser evitadas, quer as contratações a granel quer as “fugas de informação” ou “notícias inventadas” de que o clube é vítima dia-após-dia. É já altura de o Director de Informação fazer alguma coisa de jeito e intervir de forma proactiva. É bom para todos mas essencialmente para Rui Costa, que pode ver a sua imagem beliscada, pois a realidade é que não se vislumbra nenhuma diferença entre os negócios pré-Rui Costa e os negócios com Rui Costa.

 

Fora da Luz

 

Vem aí o Euro 2008. 23 convocados. Pouco mais há a dizer agora, excepto o facto de Maniche ter sido muito infeliz na altura e na forma como falou à RTP, queixando-se do facto de não ter sido chamado por Luiz Filipe Scolari. É que o Maniche esquece-se que pode sempre haver um azar de um colega que tenha de ser substituído à última da hora. Com a forma como colocou as coisas na entrevista, Maniche fechou a porta a qualquer possível chamada de Scolari no futuro… e, quem sabe, de outro qualquer seleccionador nacional que simplesmente não esteja para aturar “birrinhas”.

 

 

Nuno Vitória 

A LUZ DO LAMPIÃO V: “MAESTRO, NÃO. MAGISTRAL!”

Quinta, Abril 10th, 2008

rui-costa-se-presenta-con-el-benfica.jpg

O Benfica fez no Bessa provavelmente a melhor exibição da época. No entanto, em vez de se congratularem por terem a equipa no bom caminho no ataque ao 2º lugar (para minorar os estragos de uma época que toda ela foi um erro pegado), apesar do resultado menos bom, não: viraram armas contra os árbitros em geral, contra Lucílio Baptista em particular e contra as entidades competentes do futebol, tudo porque Lucílio Baptista não assinalou dois penaltis claros aos olhos de Chalana e de Luís Filipe Vieira. Os dois casos mencionados são a entrada de Zé Kalanga sobre Léo e a suposta mão na bola, já perto do fim do jogo, de um defesa do Boavista dentro da área. Pessoalmente, a minha opinião é que nenhum deles é penalti e que a existir um castigo máximo a favor do Benfica esse foi num lance em que Cristian Rodriguez tenta cabecear uma bola mas é carregado pelas costas por Marcelão, num daqueles lances típicos que se fosse a meio campo o árbitro marcava na hora… E mais uma vez, Luís Filipe Vieira volta a falar dos árbitros, depois de pela 15ª vez ter dito que o presidente do Benfica não falava de arbitragens… Um “dejá vu” que já chateia…

 

Falemos de coisas boas. Rui Costa fez 36 anos, uma bela idade para aquele que é, provavelmente, o último jogador à moda antiga. Amado pelos benfiquistas, respeitado pelos restantes adeptos, temido pelos jogadores adversários, Rui Costa é o exemplo máximo que no futebol não há só dinheiro e ganância e que ainda há espaço para a paixão. Voltou ao clube que sempre apoiou como adepto ciente que ainda podia ser útil como jogador e a verdade é que hoje em dia não sei o que seria da equipa sem Rui Costa. Corre mais que os outros, executa mais rápido que os companheiros, espalha talento, classe e magia pelo relvado ao longo dos 90 minutos de uma partida.

 

Acima de tudo, Rui Costa é um senhor, quer como jogador quer como pessoa. Nunca se envolveu em escândalos, nunca se vangloriou, aceitou as opções dos treinadores que o puseram no banco em algumas situações sem “estrebuchar” e sempre levou a sua carreira profissional com um total respeito pelos colegas, pelos adversários, pelos clubes e instituições que representou e pelos adeptos (do seu clube e dos clubes adversários).

 

Rui Costa é muitas vezes lembrado como o homem que chorou quando marcou um golo ao Benfica. Eu pessoalmente lembro-me dele a chorar numa outra situação que é demonstrativa do seu carácter. Em 1997, em plena fase crítica do apuramento para o Campeonato do Mundo de 1998, Portugal defrontava a Alemanha e estava numa situação precária: ou ganhava e dava um salto decisivo rumo ao apuramento ou então estava praticamente condenado a ver o França 98 pela televisão. Pedro Barbosa fez um golo estupendo que colocava Portugal em vantagem contra a Alemanha de Klinsman, Bobic, Basler, Khan e afins. Rui Costa fica pouco depois isolado frente a Khan, mas o fiscal de linha levanta a bandeirola. Rui rematou na mesma, pouco depois do apito, e vê o amarelo. Minutos depois é solicitada uma substituição na selecção portuguesa: sai Rui Costa para entrar Sérgio Conceição. Rui Costa dirigia-se para a linha lateral a passo, como quase todo o jogador em posição de vantagem no marcador faz. O árbitro Marc Batta, quando Rui já se encontrava perto da linha lateral, mostra-lhe o segundo amarelo e expulsa-o de uma forma repudiada por quase todos os adeptos de futebol que não são alemães. Portugal ficou reduzido a dez jogadores e acabaria por sofrer o empate e dizer adeus ao Mundial, mais uma vez. Rui Costa, esse, estava inconsolável à porta do túnel de acesso aos balneários, sentado no chão e chorando como um menino, desde o momento da expulsão até ao momento em que viu Silvino ser batido, altura em que recolheu definitivamente aos balneários.

 

Essa é a única “mancha vermelha” de Rui Costa no seu curriculum profissional sénior, resultado de uma injustiça protagonizada pelo excesso de zelo de um árbitro que para sempre ficou na galeria dos Papões da Selecção Portuguesa e que provavelmente nunca mais na sua vida de juiz mostrou um cartão amarelo como aquele que mostrou naquele dia a tão brilhante e correcto jogador.

 

Para mim, aquelas imagens só me fizeram ter ainda mais consideração por este jogador e por esta pessoa, que viu um sonho desmoronar-se em minutos e de imediato sentiu o mundo cair-lhe em cima, mostrando o seu inconformismo… chorando. Não partiu para o confronto com o árbitro, não reclamou de forma agressiva, apenas chorou e assistiu ainda a parte do jogo com uma tristeza que certamente não deixou nenhum daqueles que assistiram ao jogo indiferente.

 

Que pena não haver mais “Ruis Costas” a despontar no futebol português e mundial…

 

Fora da Luz

 

Jaime “abandonou voluntariamente” do Leixões após falhar um penalti que daria o empate à sua equipa em tempo de descontos por tê-lo marcado “à Panenka”. Se marcasse, era um herói com uma calma de morte e uma técnica soberba. Se atirasse em força e acertasse no poste, era mais um “pé de chumbo matarruano”. Como falhou, é um inconsciente e merece um castigo pesado. Isto só prova que o futebol é cada vez menos espectáculo e cada vez mais dinheiro e resultado. Que o digam Boavista e Estrela da Amadora, com salários em atraso há vários meses sem punição, e o Paços de Ferreira, clube (aparentemente) cumpridor das suas obrigações, que provavelmente vai parar à II Liga. Para quando a descida de divisão para quem não cumpre orçamentos???

 

Nuno Vitória 

A Luz do Lampião IV - “Timing, timing e mais timing”

Quinta, Maro 13th, 2008

camacho.jpg 

Muita tinta correu desde a última vez que dei a minha opinião neste espaço. O Benfica saiu de Alvalade com um muito festejado empate a uma bola, foi derrotado pelo Getafe em casa por 1-2 e voltou a empatar em casa com a União de Leiria, último classificado da Liga. Resultado: Camacho foi-se embora.

 

Primeiro que tudo, não compreendi o contentamento evidenciado pelos benfiquistas após o jogo com o Sporting. Parecia que não faltavam ainda quase um terço das jornadas da Liga e que os Vitórias (de Setúbal e de Guimarães) não estavam perto. Hoje, vê-se o “lindo” resultado: É certo que o Sporting está a 6 pontos, mas há duas outras equipas bem próximo, com o Vit. Setúbal a depender de si próprio para ultrapassar o Benfica na classificação (defrontam-se na última jornada).

 

Depois, a primeira mão dos 1/8 de Final da Taça UEFA foi um descalabro. Curiosamente, não pelas razões que apontei na anterior crónica. A realidade é que o descalabro deveu-se a uma infantilidade de Cardozo, que não contente com o facto de a sua cotovelada ter passado impune em Alvalade decidiu repetir a “gracinha” num jogo europeu, que como se sabe tem árbitros que não brincam em serviço. A realidade é que vi o Benfica reagir de uma forma que há muito não via: com garra, querer, crer e brio profissional, os jogadores suaram a camisola em busca de um resultado menos mau face às adversidades todas desse jogo. O resultado foi mau, mas ficou a sensação que os jogadores tentaram inverter o rumo das coisas.

 

Depois veio o jogo com a União de Leiria. Mais uma exibição paupérrima e mais um empate em casa. Estou a falar de um jogo em que o adversário conquistou o 9º ponto no campeonato, tendo uma média de menos de meio ponto conquistado por jogo. E Camacho vai-se embora…

 

Sou por isso obrigado a dizer que se o Benfica fosse um dançarino, passava o tempo todo a pisar os pés do seu par. A falta de timing é gritante e o ritmo com que as coisas são feitas no meu clube está todo errado. Fernando Santos foi embora cedo demais (1ª jornada e a meio de uma eliminatória europeia) ou tarde demais (não devia ter sequer feito a pré-época, terminando o vínculo no final da época passada), conforme os pontos de vista da análise. E 7 meses depois o Benfica volta a ficar sem treinador a meio de uma eliminatória europeia, desta vez em pior condição visto ter perdido no Estádio da Luz.

 

Camacho, para mim, não sai bem na fotografia. Culpa os jogadores de falta de motivação, ao qual o capitão do Benfica respondeu que até os podem culpar de falta de talento, nunca de motivação. Além disso, deixa a equipa destroçada e em quebra numa altura em que o 2º lugar está em perigo e a carreira europeia por um fio… desfiado, “abandonando o barco” com um furo que ajudou a abrir.

 

Cabe agora a Chalana usar um remendo como aqueles que usava quando era jogador: um remendo genial. Para a UEFA, é o que está em melhor posição: se perder a culpa é de Camacho, se ganhar é um feito do “Pequeno Genial”. No entanto, para a Liga a coisa já não fia tão fino. E a realidade é que, se o Benfica não garantir o segundo lugar no final é sinal que não conseguiu minimizar o estrago e a equipa se afundou a pique, qual Titanic. Pode parecer injusto pôr este peso sobre os ombros de Chalana, mas a realidade é que no fim os dedos nunca deverão ser apontados a ele, mas sim ao presidente Luís Filipe Vieira por estar há mais de 2 anos sem uma política desportiva implementada para o futebol. Mais uma promessa “a partir de amanhã”… Esperemos que “a partir de amanhã” o Benfica continue na Taça UEFA, para termos todos uma pequena alegria ao fim de tanto tempo.

 

 

Fora da Luz

 

Grandes resultados de Naide Gomes e Nelson Évora nos Mundiais de Pista Coberta. É sempre de salientar quando atletas portugueses fazem grandes resultados em modalidades técnicas, modalidades essas que não têm as infra-estruturas e apoios que seriam o minimamente aceitáveis para o treino e evolução dos atletas, para mais em pista coberta. É que não há uma única estrutura de apoio em Portugal para este tipo de condições. Por tudo isto, parabéns Naide e Nelson.

 Nuno Vitória

A Luz do Lampião III - “Obrigado Blazek!”

Tera, Fevereiro 26th, 2008

 blazek_front.jpg

As coisas não estão muito bem para os lados da Luz. O Benfica sempre foi um clube cujo facto de jogar no seu estádio era sinónimo de vitória quase certa. Hoje em dia, assistimos a uma equipa que tem medo de jogar em casa e um estádio onde os adversários entram de peito aberto, pois sabem que ao fim de 15 minutos o ambiente do mesmo estará do lado deles.

 

Para além disso, o Benfica joga pouco. Muito pouco mesmo para a qualidade dos jogadores que tem. E depois Camacho também não ajuda, tomando decisões típicas do mais retrógrado dos treinadores portugueses da “old school”. Aliás, não é nada de novo se verificarmos com cuidado aquilo que foi a anterior passagem de Camacho pela Luz: muita raça, muita vivacidade, muita troca de bola e objectividade (que tem faltado esta época), mas a clara sensação de que quando as coisas estão a correr mal ele não saberá mexer! Camacho é muito conservador e arrisca muito pouco, mesmo quando está quase a perder.

 

Isso viu-se perfeitamente na eliminatória europeia das duas últimas semanas. Em Lisboa, o Benfica alinhou com a dupla de ataque que muitos pediam a viva voz. Não jogou bem, pois a bola perdia-se quando chegava às “duas torres” e porque o jogo que se exigia (rapidez pelas alas e cruzamentos para a área) não foi o praticado. Mas graças a um “perú” de Blazec, o Benfica foi para a Alemanha com ligeira vantagem sobre o Nuremberga e deu confiança a Makukula para o resto da época. Depois, vencemos a Naval, num jogo que correu bem mas podia ter corrido muito mal (ai se aquela bola no barrote entra…). E a verdade é que em Nuremberga só mesmo o futebol e a sua maravilhosa imprevisibilidade salvaram o Benfica. Num jogo em que o Nuremberga, apesar de mal classificado no campeonato, demonstrou muito mais futebol, coesão e vontade de ganhar que os encarnados, o Benfica teve a sorte com juros antecipados e que ficará a pagar durante muitos anos para ter conseguido o resultado que conseguiu.

 

Há um claro défice de performance de alguns jogadores. Luis Filipe demonstra não ter “arcaboiço” para camisolas com peso histórico. Petit está claramente a precisar de recuperação às múltiplas lesões de forma paciente, cuidada e sem interrupções, devendo sair do meio-campo benfiquista por algum tempo. Katsouranis está pouco incisivo na manobra defensiva. E depois há Camacho.

 

Maxi Pereira teve um dia para esquecer na quinta-feira, não acertando nem a atacar nem a defender. Luis Filipe já é mau quando o ajudam, então sozinho foi um “ver se te avias” no lado direito da defesa encarnada. Curiosamente, ambos mantiveram-se em campo com o SLB a perder por 2-0 e só Maxi (o menos mau) saíu, já aos 70 minutos. Para entrar Cardozo, Camacho mexeu em toda a estrutura da equipa:

 

            - Tirou Edcarlos;

            - Passou Katso para central;

            - Recuou Rui Costa;

            - Pôs Cardozo na frente;

 

Teria sido bem mais fácil e menos prejudicial tirar o Petit, que nada fez durante o jogo (mercê do que disse atrás). Ao mesmo tempo que faz isto, tira Maxi e põe mais um lateral, Sepsi, deixando Di Maria no banco. Depois de ter posto dois laterais direitos em campo frente ao Nacional, foi a vez de pôr dois laterais esquerdos contra o Nuremberga. Di Maria acabou por entrar para o lado… direito, aos 81 minutos para o lugar de Nuno Assís, um dos melhores elementos do Benfica nessa noite. Ou seja, manteve Léo, claramente já em perda e com muitos problemas para segurar, também ele, a lateral esquerda. O Benfica volta a ter duas torres na frente (Cardozo e Makukula) sem gente que pudesse alimentar convenientemente o jogo aéreo.

 

O giro disto tudo é que aos 90 minutos, Sepsi tenta um cruzamento que é interceptado, a bola sobra para Léo, que bombeia a bola para a “cabeça” da área, onde tabela em 3 ou 4 jogadores diferentes e sobra para Cardozo, que remata mais uma das suas famosíssimas roscas, tão famosas como os tiros potentes. A bola entra… e ninguém me tira da cabeça que Blazek, qual Ricardo ainda nos tempos do Boavista no velhinho Estádio das Antas, fia-se no golpe de vista e que a bola vai fora, mas apercebe-se tarde demais que afinal não vai… Nuremberga 2, Blazec 2! Depois disso, o Nuremberga foi em desespero para a frente e o segundo golo do Benfica é claramente um golo de eliminatória uefeira, em que os desesperados sofrem o golpe de misericórdia por parte dos apurados, como que sentenciando a desgraça dos eliminados com um resultado que não deixa dúvidas.

 

Por isso digo: obrigado, Blazek!

 

FORA da LUZ

 

Eduardo da Silva, internacional croata do Arsenal, viu a sua perna ceifada (no verdadeiro sentido da palavra) por um jogador do Birmingham, numa daquelas entradas “para intimidar e marcar posição” que acabou muito mal. Resultado: tíbia e peróneo dilacerados como se de uma cana de açúcar se tratassem. Não sei até que ponto Eduardo recuperará a sua fantasia futebolística. Sim, pode voltar a jogar, mas nunca mais será o mesmo, até mesmo pelo medo que terá ao choque. Mas pessoalmente, acho que o Martin Taylor, o “artísta” que fez aquela “obra de arte”, deveria ficar na bancada até ao dia em que “Dudu” voltasse a ser convocado. Se o croata acabasse a carreira, teríamos todos muita pena por Martin… ou talvez não.

 

PS: O Benfica passou esta eliminatória com sorte e irá defrontar o Getafe. Da última vez que o Benfica passou uma eliminatória “à rasca” e jogando mal, derrotou o PAOK (1999-2000) e na fase seguinte apanhou o… Celta de Vigo. Esperemos que a história não se repita.

 

Nuno Vitória 

A Luz do Lampião II – A solução (para) Makukula

Segunda, Fevereiro 11th, 2008

makukula.jpg

O Benfica assegurou na passada semana, na minha opinião, uma das melhores contratações dos últimos anos. Trata-se de um jogador que tive o prazer de seguir nas camadas jovens da Selecção e que sempre achei que seria uma mais valia quer para a própria selecção, quer para uma qualquer equipa de topo do futebol português. Falo, obviamente, de Aziza Makukula.

 

No entanto, confesso que Makukula está longe de ser a solução para todos os problemas do Benfica. Este sábado, por exemplo, os problemas que ficaram resolvidos em Guimarães com o livre de Cardozo obviamente que voltaram. Mais, comprova-se aquilo que eu sempre afirmei como sendo o grande defeito de Camacho: quando as coisas não estão a correr bem, não sabe mexer. A saída de Nelson até é ajustada, não fosse ela para a entrada de Léo, isto para não falar do facto de ainda estar para perceber a razão de ter dois laterais direitos em campo e dois laterais esquerdos no banco de suplentes. Completamente fora do entendimento foi a substituição de Di Maria, jogador que estava a demonstrar mais inconformismo e que melhor estava a municiar o ataque. Para além disso, não se percebe porque Petit e Katsouranis acabaram os dois o jogo, quando fizeram ambos uma exibição para esquecer e ambos são jogadores defensivos. Para mal, basta um.

 

Muitos consideram hoje Cardozo o grande goleador e a esperança maior de um Benfica campeão em 2007/2008. A realidade é que, se alguma réstea de esperança me sobra, essa estaria depositada em Makukula e nunca em Cardozo. O paraguaio está longe, muito longe mesmo de justificar os quase 10 milhões de euros investidos, quase 3 vezes mais do que aquilo que custou Makukula, que tem mais técnica, melhor domínio de bola, melhor jogo de cabeça e melhor posicionamento que o Tacuara. Os únicos pontos em que Cardozo bate Makukula é na potência de remate e na colocação do mesmo… quando a bola está parada. Apesar dos 7 golos na Liga Portuguesa (mais um que o mal-amado Nuno Gomes) e de mais 3 na Liga dos Campeões (mais 2 que o número 21), Cardozo é claramente um jogador com grandes limitações técnicas, em que a sua inépcia para o uso do pé direito não justifica tudo, colmatando essas suas debilidades com muita entrega e muita luta. No entanto, eu julgo que se tivesse custado ao Benfica um valôr dentro daquilo que custou Makukula já era um valôr inflacionado.

 

Convém dizer que o Makukula não é a solução para os problemas do Benfica. Aliás, quem me conhece sabe que eu digo que jogadores como Drogba, Hernan Crespo, Waine Rooney, Andry Shevschenko ou Huntellaar marcariam tantos ou pouco mais (ou se calhar menos) golos que aqueles que jogam actualmente no ataque benfiquista. O problema não se coloca, muitas vezes, em quem está lá à frente, mas sim em quem está dos lados. Isto para dizer que há muito tempo que o Benfica tem um claro défice de jogo pelas alas, mais concretamente no que à eficácia de cruzamento diz respeito. Um problema que nem Simão Sabrosa resolvia, pois não era essa a sua especialidade. A triste realidade é que há muitos anos, desde provavelmente Karel Poborsky, que o Benfica não tem um jogador que saiba fazer 9 em cada 10 cruzamentos para a zona do ponta-de-lança.

 

Minto. Depois disso, até muito recentemente, tivémos um: Laurent Robert! Só que o problema do francês é que os cruzamentos e a marcação de livres não compensavam o rol de asneiras que fazia durante o resto do tempo. Mas voltando à “alimentação” do ponta-de-lança pelas alas, verificamos que Léo não é um especialista no cruzamento, Nelson regrediu claramente neste aspecto (uma característica que justificou de sobremaneira a sua contratação), Di Maria e Rodriguez são mais desequilibradores da linha para o meio do que propriamente na linha, Maxi Pereira é mais um tampão defensivo do que um extremo. Resta-nos esperar, por isso, que Rui Costa ensine Freddy Adu a fazer tudo, como ele faz aos 35 anos no Benfica: organizar jogo, construir, cruzar, rematar…

 

Fora da Luz

 

Gostaria de destacar a fantástica época que Cristiano Ronaldo está a fazer. Um jogador que explodiu de forma estupenda e que está praticamente a levar o Manchester United “às costas” na perseguição ao Arsenal. Como sou muito terra a terra, continuo a achar que, apesar de tudo, Ronaldo ainda é muito novo para lhe ser dado um estatuto tão grande na Selecção, ao ponto de ser um dos capitães. E só mudarei de opinião quando Ronaldo mostrar que tem a maturidade suficiente para manter na Selecção os índices de produtividade e de objectividade que tem no Manchester Uniter.

A LUZ DO LAMPIÃO I - “QUANDO OS DEFEITOS DESAPARECEM”

Quarta, Janeiro 30th, 2008

catedralj.jpg 

O último fim de semana foi bom para as hostes benfiquistas. Em Guimarães, frente a um super-motivado Vitória em virtude de se encotrar num inesperado 3º lugar e com a possibilidade de ultrapassar o Benfica caso vencesse a partida, todos os defeitos da equipa passaram de repente a… virtudes.

O Benfica peca normalmente por uma ineficácia quase gritante, necessitando de rematar seis vezes para marcar um golo. No sábado, cinco remates bastaram para acertar três vezes no fundo das redes. Di Maria, sem dúvida um jovem talento que muito tem ainda guardado para quando explodir, sofre de um individualismo típico dos jovens com  “toque de bola” e da inconsequência típica de quem se maravilha com o bater de palmas da bancada a cada adversário ultrapassado, levando-o a perder a bola em situações ridículas. No sábado, faz uma assistência digna de um veterano, soltando a bola no momento certo para o golo de Maxi Pereira, depois de um lance individual pleno de intencionalidade.

Não considero que tenhamos feito um bom jogo. Penso antes que terá sido um jogo sereno, pois o Benfica marcou bem cedo e pouco tempo depois estava a ampliar a vantagem. Parecendo que não, todos os problemas que possam existir desaparecem num instânte. Tudo correu bem ao Benfica, frente a um Vitória que mesmo a perder 2-0 nunca baixou os braços e chegou mesmo a assustar, quando Ghillas marcou o tento de honra. Curiosamente, contra aquilo que seria espectável, o Benfica serenou após o 1-2 e afastou o Vitória da sua área defensiva.

Esta vitória num terreno difícil é como uma injecção motivacional para a equipa, pois o FC Porto foi derrotado em Alvalade. Parecendo que não, 8 pontos têm um aspecto muito mais agradável do que 11, quanto mais não seja por ter menos um dígito. A esperança é sempre a última a morrer e o Benfica deve fazer o seu campeonato sem grandes preocupações, mas nunca deixando de olhar para ver como as coisas estão pelo primeiro lugar.

Entretanto, o Presidente do Benfica vira-se contra os árbitros, chegando mesmo a dizer que os senhores juízes perdem a vergonha quando são designados para jogos do SLB. Pois eu acho que cada vez mais Luis Filipe Vieira é o Presidente do “A Partir de Hoje”. Ainda há uns anos, disse que “a partir de hoje o Benfica deixa de falar acerca dos árbitros, porque estes merecem serenidade.” É mais um triste episódio da pessoa que, sem sombra de dúvida, foi útil ao SLB a dada altura da sua presidência, conseguindo tirar o clube de um pôço infindável, repleto de erros de gestão, mas que está mais que provado que não é um homem de desporto e muito menos de futebol. Exemplo claro é mais uma vez as declarações de há cerca de mês e meio atrás, quando disse que “a partir de hoje as pessoas terão de se capacitar que não vão mais vender jornais com pseudo-contratações e que, a partir de hoje, o Benfica deixará de ser de uma vez por todas uma plataforma de jogadores que só vêm com o intúito de alguém ganhar dinheiro com eles”. Sr. Presidente, lembre-se: “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Por isso, espero que Sepsi e Hallish sejam mesmo o resultado do trabalho afincado e competente do Gabinete de prospecção da Luz. Mas tendo em conta as declarações do nosso treinador…

 

FORA DA LUZ

Angola empatou com a África do Sul e derrotou o Senegal, bastando um empate contra a Tunísia para seguir em frente. Grande trabalho de Oliveira Gonçalves, que conta com um “mortífero” Manucho na frente de ataque, um jogador que dará certamente muito que falar em terras de Sua Magestade. No entanto, quase que aposto que vamos ver na próxima 5ª feira um daqueles jogos de “arrasta-bola”, ou não bastasse também à Tunísia o empate…

 

30 de Janeiro de 2007, 

 Nuno Vitória