Archive for the ‘Artigos de Opinião’ Category

“Pode um país pequeno ser grande?” Portugal no Euro-2008

Tera, Junho 3rd, 2008

snacionaljpg.jpg No discurso dos media, nas palavras dos jogadores, na fé dos adeptos, a vontade de ver a Selecção Nacional portuguesa vencer no futebol parece passar pela necessidade de confirmar que “um país pequeno pode ser grande”, na busca de regresso a uma passado histórico querido e celebrado. Sabemos que o futebol assume-se com um espaço privilegiado para estes “milagres” e “desígnios”, no qual os mais “fracos” por vezes batem os mais “fortes”, fornecendo motivos muito oportunos para os processos de imaginação e re-imaginação da identidade nacional, de representação da nação e do seu valor.  

    Ora, até á década de 1990, a “equipa das quinas” apenas conseguiu uma participação numa grande competição internacional (1966) e até 1960 detinha um fraco registo total: 104 jogos, 31 vitórias, 19 empates, 54 derrotas. Nas décadas seguintes surgiram resultados mais positivos, mas a Selecção raramente escapou a uma espécie de “segunda divisão europeia” até aos anos 80, quando se alcançou duas presenças nos grandes palcos: Euro-84 e Mundial-86. A última redundou no famoso “Caso Saltillo” (incluindo uma greve dos jogadores aos treinos devido ao seu desacordo em relação aos prémios de jogo), que em nada contribuiu para o orgulho nacional na equipa. 

    Habituados a ver a Selecção como uma confirmação dos seus piores receios sobre o país e sobre si próprios, os portugueses foram alimentando o fanatismo pelos seus clubes (“clubite”) e a ditadura dos três grandes (o Porto, o Benfica e o Sporting).

 

    Até que, na década de 1990, a Geração de Ouro, os “Bebés de Carlos Queiroz”, bem sucedidos ao nível júnior e a brilhar nos seus grandes clubes do futebol europeu, conseguiram inverter a tendência de insucesso associado à equipa nacional ao mesmo tempo que limitavam os efeitos da “clubite”.  

    Finalmente, com António Oliveira, Humberto Coelho, e principalmente Scolari, o apuramento mais ou menos regular para grandes eventos (desde 1996 a equipa apenas falhou uma grande competição, o Mundial-98), e os excelentes resultados obtidos (Portugal é o actual vice campeão europeu e 4º melhor no Mundial-2006), fizeram renascer o orgulho na selecção e aumentar a esperança num triunfo verdadeiramente histórico. 

    Agora, a equipa portuguesa atravessa uma fase de renovação geracional. Depois dos abandonos de Rui Costa, Luís Figo e Pauleta, que se seguiram à exclusão de João Vieira Pinto, Fernando Couto, Sérgio Conceição, Costinha, entre outros, das opções de Scolari, a selecção procura ainda novas estrutura e liderança. 

    O treinador brasileiro não se cansa de afirmar a importância da liderança no relvado e no balneário, lamentando-se do facto de não terem surgido ainda os líderes que possam complementar devidamente a acção do seleccionador. Cristiano Ronaldo não tem o perfil adequado, pelo menos para já, e numa equipa bastante jovem compreende-se que este seja um problema muito sério, até porque abundam as estrelas, oriundas das melhores Ligas da Europa. 

    O outro grande problema da selecção portuguesa é a incapacidade de adoptar um modelo de jogo adequado. A equipa vive demasiado da inspiração individual de homens como Ronaldo, Quaresma, Nani, Deco, Simão. Toda a gente sabe que Scolari não é um génio da tática e do treino, e a selecção há muito que não joga um bom futebol. Aliás a única altura em que isso aconteceu foi no Euro-2004, numa fase em que a estrutura da equipa assentava no FC Porto campeão europeu de Mourinho. 

    A grande virtude de Scolari tem sido domar as estrelas e os seus caprichos e ninguém lhe pode tirar o mérito de ter conseguido os melhores resultados de sempre na selecção portuguesa. A grande questão é se terá a capacidade de pôr essas estrelas a jogar para o colectivo no Euro-2008. 

    Dessa capacidade poderá depender a passagem aos quartos de final, objectivo mínimo para uma equipa que dispõe de um conjuntos de jogadores que actuam por exemplo no Real Madrid, Barcelona, At. Madrid, Chelsea e Manchester United.  

    Scolari chamou os melhores: dos 23 escolhidos apenas se pode questionar o jovem e inseguro terceiro guarda-redes Rui Patrício e a eterna promessa Helder Postiga. Pena é que o Rui Costa já não possa dar uma ajudinha e que Maniche fique de fora, porque costuma aparecer em grande forma nestes momentos. Mas deve haver razões muito fortes para o deixar a ver o Euro no sofá…   

João Nuno Coelho 

 

A melhor final da Champions e as lágrimas de Terry e Ronaldo.

Segunda, Maio 26th, 2008

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Pode parecer exagerado, mas quase uma semana depois continuo a pensar da mesma forma: o encontro entre Manchester United e Chelsea foi a melhor final da Taça / Liga dos Campeões que vi até hoje. E consigo recuar ate finais dos anos 70 nas minhas memórias destes jogos. O facto de se terem defrontado duas equipas inglesas ajudou com certeza a que este tenha sido um jogo fantástico, pleno de qualidade técnica e emoção. Porque apesar da continentalização do futebol britânico, a mentalidade das suas equipas continua quase intacta: antes de se pensar em não perder (como no continente europeu) pensa-se em ganhar. E joga-se para ganhar, mesmo quando o resultado está empatado no prolongamento. Por isso, a Liga inglesa é hoje a mais interessante de todo o planeta.    

Um jogo de futebol nunca é apenas um jogo de futebol. Representa sempre muito mais. Por isso é tão importante para tantos milhões de pessoas em todo o Mundo. Um jogo de futebol - ainda para mais a este nível - conta sempre uma ou várias histórias, junta diversas narrativas que nos empurram a torcer por uma das equipas em presença, mesmo que não seja a nossa equipa, nem tão pouco uma equipa do nosso país. Ver (viver) um jogo de futebol sem torcer por um dos contendores é ficar de fora, ficar pela dismensão artística e/ ou plástica, vazia e fria. A principal narrativa que envolvia o Manchester United nesta final, pelo menos a partir do ponto de vista português centrava-se no menino prodígio Cristiano Ronaldo, o nosso melhor do mundo. Já do lado do Chelsea a história era ainda mais fascinante: o clube londrino, até hoje de média dimensão, apenas 1 vez campeão inglês antes da chegada de Mourinho e Abrahamovic, que conseguiram reunir um conjunto de jogadores extraordinário, mas até agora incapaz de conquistar a mais mítica competição de clubes a nível mundial: a Taça / Liga dos Campeões. O grupo parecera condenado com a partida do Special One Mourinho, mas um Average One, Grant, conseguira concretizar o sonho de chegar a uma final. A narrativa do Chelsea nesta final era acima de tudo feita de personagens muito fortes: Cech, Carvalho, Terry, Makekele, Lampard, Essien, Joe Cole, Drogba. Os “Soldados de Mourinho”, quase um “onze” completo, junto há quatro anos, bi-campeões ingleses, muitos outros títulos conquistados, mas sempre arredados do grande troféu europeu. E com a consciência geral de que esta seria provavelmente a última hipóteses de esta equipa ser campeã europeia.  Por isso, quando, mais de 120 minutos passados sobre o início de um jogo electrizante, bem jogado, a um ritmo quase asfixiante, John Terry avançou, qual general confiante, para marcar o penalti decisivo, apeteceu-me tapar os olhos e não arriscar uma grande desilusão. Mas não o fiz e tive que assistir a um dos momentos mais dramáticos e tristes da minha já longa carreira de espectador de futebol: Terry, um dos últimos símbolos do amor à camisola versão futebol globalizado, escorrega e deita pela janela fora o título de campeão da Europa. Todos, menos ele! A crueldade pode não ter limite. 

Desliguei a televisão mal Van Der Sar defendeu o penalti de Anelka. Nos minutos seguintes, revi mentalmente os remates ao poste e à barra de Drogba e de Lampard que podiam ter tornado tudo tão diferente. Mas principalmente, revi, vezes sem conta, a escorregadela de Terry no momento da verdade. Pus-me no seu lugar. E tive a certeza de que acabara de testemunhar o nascimento de um mito. Porque as lágrimas de Terry serão sempre muito mais “belas” para mim do que as de Cristiano. Lampard chorava por um clube. Cristiano apenas por si próprio.

João Nuno Coelho 

Mais uma bela história

Quinta, Maio 1st, 2008

O Chelsea - Liverpool da segunda mão das meias finais da Liga dos Campeões foi o futebol em todo o seu esplendor. Não um mero jogo mas sim uma bela história, um pedaço de grande literatura, teatro e cinema. Com a vantagem de não ter guião pré-definido.É isso que faz do futebol o maior espectáculo do mundo quando o espectáculo é bom, ou seja quando a história é mesmo boa. E esta era do melhor. Terceira vez que as duas equipas se encontravam nas meias finais da Liga dos campeões em 3 anos, duas vitórias para o Liverpool (um dos reis da Europa) mesmo sobre a meta final: uma nos penaltis outra por um golo de diferença (que nem temos a certeza se chegou a ser). Um Chelsea (arrivista no grande futebol europeu) que teve um special one que não conseguiu chegar a uma final e que o substituiu por um average one, mantendo os mesmos heróis que tão perto haviam estado da final e que vimos chorar baba e ranho quando não o conseguiram. Puro Drama!E foi nestes preparos que chegamos a este segundo jogo da eliminatória, que pela primeira vez parecia mais inclinada para o lado londrino, graças a um auto-golo mesmo no final da partida de Anfield. A sorte estaria a mudar? Estava mesmo, e ontem a viragem confirmou-se e teve laivos de justiça divina, principalmente quando um arrasado Frank Lampard renasceu para a vida ao marcar o penalti que parecia decisivo, já no prolongamento. Sim, porque todos as grandes histórias de futebol têm prolongamento (mas nunca penaltis).Estas grandes história de futebol fazem-nos tomar partido mesmo que nenhuma lealdade exista por ali. Mesmo sem Special One por perto, foi impossível não sofrer seriamente pelo Chelsea, por Cech, Carvalho, Terry, Essien, Makelele, Lampard, Cole e Drogba, ou seja, por todos aqueles que tanto haviam sofrido ás mãos do Liverpool, que tanto queriam chegar a esta final. E mesmo que haja poucas coisas tão distantes dos adeptos empenhados do futebol como os próprios futebolistas, é impossível não nos sentirmos tão próximos daqueles super-homens do pontapé na bola quando o momento da verdade chega, quando as emoções dominam o relvado, as bancadas e o mundo.Ontem fui adepto do Chelsea porque sou louco por uma grande história, com grandes personagens e um guião perfeito porque completamente imprevísivel. Gritei com o Drogba e chorei com o Lampard, saltei com o Essien e com o Ricardo Carvalho. Durante 120 minutos vivi as emoções de mais uma bela história. Uma história sem fim.   João Nuno Coelho 

O sistema “familialista” do FCP

Segunda, Abril 7th, 2008

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Nota introdutória: este artigo tem cerca de 4 anos. Nunca foi publicado antes mas parece-me que está mais actual do que nunca. Por isso vê a luz do dia agora na FOOTBALL IDEAS com a respectiva vénia ao seu autor.

Tenho lido nos últimos tempos que alguns adeptos do Futebol Clube do Porto estão muito apreensivos com a saída, mais do que previsível, de José Mourinho. Apesar de ser portista, simpatizante e sócio (com as cotas em atraso, sublinhe-se; deixei de pagar cotas no momento em que Octávio assumiu a liderança técnica da equipa; foi a única forma digna que encontrei para expressar o meu protesto), apesar de ser portista, repito, devo dizer que não estou nada preocupado com a saída de José Mourinho. Por uma razão muito simples: o FCP não é só o Mourinho. Há anos que defendo que o meu clube se alicerça num modelo familialista composto por um Pai, uma Mãe e um conjunto de irmãos mais velhos. 

Comecemos pelo Pai: Pinto da Costa. Patriarca incontestado sem Édipo à altura, defensor intransigente dos seus filhos. Ai de quem os atacar! Quem não se lembra da forma como o Pai defendeu o filho Paulinho Santos quando este deu uma cotovelada no João Pinto? Ou do modo como recentemente defendeu Vítor Baía, que foi apelidado de “produto de marketing” por um jornalista português? São apenas dois exemplos, mas poderia enumerar muitos mais. Nestas alturas, o Pai age sempre da mesma forma: protege os seus, ataca violentamente os adversários e transmite uma enorme segurança a toda a equipa. Os filhos agradecem e não destabilizam. Porque o mais importante é manter a estabilidade psíquica e anímica da irmandade. Porém, não se pense que o Pai ama os seus filhos de modo incondicional. De forma alguma. Pinto da Costa, como qualquer pai tradicional, exige muito dos seus filhos e castiga-os exemplarmente se estes não cumprirem as regras da família. São também célebres os castigos que o FCP impôs e continua a impor aos seus filhos, ao ponto de serem remetidos para a equipa B excelentes jogadores que se “portaram mal”. Os exemplos são uma vez mais incontáveis e bem conhecidos, dispensando-me por isso de ter de os descrever.

 

Mas Pinto da Costa não está só e soube rodear-se de uma comunidade de irmãos mais velhos, do passado e do presente, que têm um papel fundamental na equipa. Refiro-me a André, João Pinto, Aloísio, só para citar alguns exemplos, que tiveram um papel estruturante no passado e continuam a ter, ainda que de outra forma, no presente. São estes irmãos mais velhos do passado que, conjuntamente com os irmãos mais velhos do presente – Jorge Costa, Vítor Baía –, asseguram a harmonia da equipa e permitem que os outros irmãos se esforçem e não prevariquem. Mas não só. Estes irmãos mais velhos funcionam também como exemplos a seguir. Estão de corpo e alma no clube, vestem literalmente a camisola e são os que muitas vezes recebem os ordenados mais baixos. De certa forma é compreensível: os seus planos de carreira não se fazem a curto mas sim a longo prazo. Contudo, enquanto jogarem, darão tudo que têm, puxarão pela equipa e não deixarão que os irmãos mais novos vacilem. Ou seja, liderarão pelo exemplo.

 

José Mourinho aparece aqui como um tipo especial de irmão mais velho (a expressão “irmão mais velho” aplicada a Mourinho não é minha, mas sim do próprio Pai). Especial porque sabe que está de passagem. No entanto, o seu desempenho terá de assemelhar-se ao dos irmãos mais velhos: zelar pelos mais novos, não deixar que esmoreçam e sobretudo trabalhar muito com grande profissionalismo. Em suma, e uma vez mais, liderar pelo exemplo. Não quero com isto diminuir o enorme mérito de José Mourinho e sobretudo o trabalho extraordinário que realizou nos dois anos e meio que esteve no FCP. Longe de mim tal coisa. Tenho por Mourinho uma admiração extraordinária e desejo-lhe as maiores felicidades no estrangeiro (em Portugal o caso é diferente: só lhe desejo felicidades, evidentemente, se voltar a ser treinador do Porto ou da equipa nacional). O que eu quero sublinhar é que tenho a certeza que o FCP saberá tornear esta situação e contratar um bom treinador que integrar-se-á na família e manterá a eficácia a que o Porto nos habitou nos últimos anos. Muito provavelmente não conseguirá manter o nível extraordinário destas duas últimas épocas, mas isso é perfeitamente compreensível. Nunca a fasquia esteve tão alta e épocas destas acontecem raras vezes na vida de qualquer clube. Seja ele qual for: Manchester, Real de Madrid, Milan, etc.

 

Resta-me falar da Mãe. A Mãe de uma família tradicional, como todos os filhos sabem, deverá ser recatada, calorosa e estar sempre disponível. Deverá ainda, ao contrario do pai, amar os seus filhos incondicionalmente e, se for necessário, colocar alguma “água na fervura” sempre que os filhos se portem mal e tenham de ser castigados. Ora, no FCP esse papel é desempenhado na perfeição por Reinaldo Teles, uma figura menos visível e frequentemente esquecida pela comunicação social. Quero aqui deixar uma homenagem sentida, e mais do que merecida, a essa figura maternal do meu Clube. Reinaldo Teles tem tido um papel fundamental, estrutural e estruturante, no Futebol Clube do Porto. É ele que resolve os problemas da “prole”; é ele que providencia para que nada falte aos seus amados filhos; e estes agradecem e vivem descansados porque sabem que têm ali uma Mãe extremosa que assegura que nada de mal lhes aconteça.

 

Por tudo isto, termino como comecei. Não me preocupa que o Mourinho deixe o clube. Como já disse, existem bons treinadores no mercado e tenho a certeza que qualquer treinador de nível internacional terá sucesso no FCP. Não se esqueçam que, pasme-se, até Fernando Santos conseguiu ganhar um campeonato nacional no FCP e Artur Jorge uma Taça do Campeões Europeus! O problema chegará quando o pai e a mãe saírem. Será que a família conseguirá sobreviver a essa futura (é a lei da vida) orfandade? Nessa altura, aí sim, ficarei apreensivo. Porque não me apetece viver os últimos anos da minha vida “à Benfica”. Não me estou a imaginar a dizer frases do tipo: “- sabes, meu neto, no meu tempo quem ganhava tudo era o Futebol Clube do Porto…” Ámen.”

 

Diniz Cayolla Ribeiro,

Maio de 2004

  

E agora, José?

Segunda, Janeiro 21st, 2008

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O famoso Bruxo de Fafe afirmou, nas suas previsões para 2008, que a boa estrela de Mourinho se eclipsaria e que iam começar tempos difíceis para o “special one”, longe do êxito desportivo e do estatuto de melhor do mundo.
Mesmo que por motivos diferentes dos do vidente, concordo com a previsão. Parece-me que Moutinho vai ter dificuldades em manter-se na crista da onda, em grande parte por culpa própria. O treinador de Setúbal aparenta estar a ser vítima do seu próprio ego – quer ser sempre a estrela número 1, mesmo quando convive na mesma equipa com algumas das maiores estrelas do futebol mundial. Enquanto líder de equipas compostas por jogadores em ascensão na carreira., sedentos de títulos e fama tal era possível e não funcionava como factor de conflito e desequilíbrio, podendo mesmo jogar a favor da procura de desafios e objectivos comuns. Mas a partir do momento em que aceitou a chegada de craques consagrados como Shevchenko ou Ballack ao Chelsea viu-se o “saco de gatos” em que se transformou o balneário do clube londrino, situação agravada pela falta do apoio absoluto da direcção de Abrahamovic.
Agora quando se fala na exigência de Mourinho por trabalhar num grande clube grande da Europa – dificilmente se satisfaz com menos do que Real Madrid, Barcelona, Milão ou Inter – a questão de novo se coloca: será que José consegue compreender que os jogadores é que marcam os golos, fazem os grandes passes, fintas e defesas? Que eles é que são as estrelas, principalmente quando são mesmo…estrelas? Porque se não estiver preparado para o aceitar, o melhor é mesmo fazer mais uma grande equipa a partir da base, com jogadores com fome de estatuto, fama, títulos e dinheiro. Mesmo que seja num clube apenas em ascensão no panorama europeu.

João Nuno Coelho

BAMOS A ELES QUE NEM TARZOES!

Quarta, Novembro 28th, 2007

Aproxima se um electrizante( esperamos todos, SLB V FCP).É de longe o meu classico preferido , e lanço um repto a todos, para recordarem “o ” vosso confronto predilecto,ou o de melhor/pior memoria.Ainda é cedo, até porque há um Milan e um Liverpool para defrontar…

Em relaçao ao Manchester U V SCP, nao vou entrar em vitorias morais, e na verdura dos jovens e nas tretas do costume: o MU é superior , e por muito que nos custe a todos, os jogos têm mesmo 90 minutos…

Até na Turquia ,onde e possivelmente o FCP carimbou o passaporte: mas e atençao, se o Liverpool e o Besiktas, ganharem,todos ficam matematicamente ” apuraveis”.E Porcos a andar de bicicleta, bruxos de Fafe,bolas no poste e Wrexhams, ja todos vimos….

A previsao é simples: muito sofrimento, e esperança que Helton, nao ” escorregue” muitas vezes.

O SLB defronta a mais cinica, gelada, e porque nao,a mais design e equipa de alta costura do mundo.Nao creio que as ganas, o Adu e o ” bamos a eles que nem tarzoes” chegue,até porque o Milan embora favorito,e praticamente a depender de uma vitoria sobre o Celtic em San Siro, ainda nao está apurado …

AKOSTA, EL DIEZ DOS PINHAIS DA FOZ

NOBRE,LEAL E INVICTA

Quinta, Novembro 22nd, 2007

Na America profunda, diz se que se pode tirar um rapaz do campo, mas nao o campo do rapaz…e como la dizem,”enough said”

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O Dragao viveu a ” sua ” grande noite. Nem preciso de explicar que não foi desportiva. Simplesmente civica, e sem querer “fracturar” como muitos fizeram ao longo desta semana, o público do Porto, Norte, Dragão, esteve e simplesmente ao seu nivel.

A hospitalidade é um valor humano, que pode e deve fazer esquecer, emoções menores. Não ficamos a gostar mais” dele”, mas e era necessario, explicamos o que é ser da nobre, invicta e leal cidade onde nasci.

Hoje apenas alvaro costa.

BOBBY E TARIK

Quinta, Novembro 8th, 2007

Com golos como o de Tarik, até é facil esquecer os apagoes colectivos, que a ausencia de el comandante mais do que faziam prever,durante algumas porçoes do crucial jogo de terça feira.

 Ainda é cedo, para se se declarar o FCP orfão do grande lider, mas e como se percebeu , e bem, sem o argentino, nao adianta pensar em executar o sistema com outros artistas.Ou e em linguagem musical  cumbia e salsa nao podem ser executadas por musicos de  rock e ainda nao me apercebi de ninguem que na orquestra de Jesualdo, toque os exitos de Los Leales, um deles dedicado ao futuro genro de Maradona, de seu nome Aguero( que tenha boa sorte, é o que lhe desejo, porque ja todos percebemos que nao se vai apenas casar com a filha do verdadeiro el diez…)

Um outro sistema,precisa se.Creio mesmo que se  ganhou Bolatti que e por exemplo podera ser muito util na  batalha de Anfield,mesmo com o Che em campo.Raul Meireles que se cuide , e que nao tenha mais crises de azia, como a que efectivamente demonstrou ao sair de campo, tardiamente na minha optica.Recordo que Paulo Assunçao antes de ser  “despachado” para a Grecia, jogava um pouco mais a frente, e era menino para marcar um golo à Tarik, como alias o fez com a camisola do Nacional..

E por falar em Tarik: ironia das ironias, ou e simplesmente o sortilegio do jogo do futebol…

p.s. Com a solidez discreta da era Jesualdo em velocidade de cruzeiro, até seria engraçado saber o que  Aadrianse , teria par dizer,embora o seu tempo mediatico se tenha finado,e os cimbalinos na BP da Catolica, ha muito digeridos.Ou será que temos um pacto de silêncio religiosamente respeitado por ambas as partes?

AKOSTA, EL OTRO EL DIEZ

Lucho GONZALEZ, PROFESSOR DE MATEMATICA. EXPLICAÇOES NO COLEGIO DO DRAGAO

Sbado, Novembro 3rd, 2007

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Ao final desta tarde, já estarei a executar uma das minhas ” jogadas” favoritas: ler o L Equipe à mesa do Cafe de Flore,e ” ver” Paris Rive Gauche.Por isso mesmo, a “urgência” deste post,que terça feira , isto é após o jogo com o Marselha, poderia nao fazer tanto sentido

Disse na ultima ediçao do Pontapé de Saida, que o  confronto com a equipa de Gerets, era uma dos mais importantes da epoca.O mesmo nao quer dizer decisivo, ou e como os jogadores gostam de dizer, ” uma final”

Ganhando, a passagem  para a proxima fase da Champions fica praticamente assegurada, bastando a ” tal” vitoria com os turcos do Besiktas.Um outro resultado, e é no empate que estou a pensar, “apenas” complica , mas nao decide nada

Mas o que nao estava na minha mente, embora ja o tivesse imaginado virtualmente, era o cenario : e se Lucho nao jogasse? ja nao é se trata de FIFA 2008 mental.Por magia(negra) logo que o El Comandante se retirou do ” campo de batalha” , este encurtou.A fortaleza abriu fendas e as linhas ate aos 10 minutos geometricas, lineares, harmonias, deram lugar a um quadro de imitaçao de feira , de Jackson Pollock

O meu zenmaster , diz me que a ausência é por vezes mais importante do que  a presença.Este sim, um verdadeiro passe com raiz  vertical de Lucho

p.s. seria facil crucificar o Prof, pela entrada de  Leandrinho.Nao existia uma outra opçao no banco, mais evidente.Ou entao pensemos nelas: entrar tarik e recuar postiga,como adriaanse em mais um dos seus cocktails de delirio, tentou? ou entao adriano ,recuando postiga?inventar, recuando lisandro, com tarik e quaresma nas alas?subir meireles, entrando bolatti? no, way jose! como se diz na california…

p.p.s. leandro lima foi mesmo leandrinho.Mas, a frio, com a missao pelos vistos impossivel de ocupar a cadeira de prof de matematica de Gonzalez, e mais do que perdido na selva como dizia CPS na ediçao de hoje de A Bola, nao podia dar mais , do que a expressao acabrunhada do jovem brasileiro, enterrado nos confortaveis bancos de suplentes do Dragao

p.p.p.s   e bosingwa? e o gipsy king, ainda com o jet lag aparentemente criado pelo fuso horario do Cazaquistao? e finalmente: o que se passa com o publico do Dragao? que razao plausivel para os primeiros planos apresentados pela realizaçao da Sport Tv? como é possivel assobios estupidos e bizarros aos 10 minutos, como se um sonoro e desafinado  concerto de bela bartok uns segundos antes do inesperado golo de Postiga, dirigidos a este, e os que logo que Leandrinho começou a perder o norte , o sul e até o leste e oeste da sua movimentaçao, lhe foram sonora e directamente dirigidos?Responda quem souber, porque e francamente nao reconheço no ambiente do Dragao, alguns momentos de festa verdadeiramente colectiva vividos nao há muito tempo, nas eternas Antas!

akosta, el diez

Acabem com as repetições dos lances polémicos ou usem os meios electrónicos de uma vez por todas!

Sbado, Novembro 3rd, 2007

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Cada vez mais parece difícil defender a posição contrária à introdução de meios electrónicos de auxílio à arbitragem no futebol.

E eu nem sou suspeito para falar, porque fui durante muito tempo contra tal introdução. Era contra porque sempre gostei da ideia de se defender a simplicidade do jogo, o elemento extra de excitação e incerteza que constitui a decisão imediata do árbitro.

Mas os tempos e as coisas mudam e a situação a que se chegou no presente, em que os árbitros se encontram numa posição totalmente desprotegida e injusta perante os meios audiovisuais de cobertura dos encontros, face às repetidas e exaustivas repetições dos lances duvidosos, a partir de incontáveis ângulos, fez-me mudar de opinião.

Imaginem ver um jogo de futebol sem ter acesso a qualquer repetição (como aconteceu durante décadas e décadas nos campos de futebol por esse mundo) e percebam a diferença. A polémica dos lances duvidosos deixa de fazer sentido, não vale a pena pensar-se muito no assunto simplesmente porque nunca se poderá ter a certeza sobre nada.

Eu experimentei fazê-lo na TV a propósito de um jogo antigo do Benfica numa final da Taça dos Campeões dos anos 60 e posso dizer-vos que adorei. Gostava que pudesse ser sempre assim. Só que sabemos perfeitamente que nunca poderá voltar a ser assim simplesmente porque a polémica vende. E de que maneira.

Por isso, não resta mais nada do que fazer-se aquilo que já se faz noutros desportos - desde o rugby passando pelo tenis e acabando em todos os desportos de massas norte-americanos: introduzir os meios electrónicos, o vídeo, whatsoever, para acabar com este estado de julgamento em praça pública dos juízes sem que eles se possam defender devidamente, porque não têm acesso, nem tempo, para ver aquilo que nós vemos.

E, já agora, fica a questão: porque será que a FIFA e a International Board são tão teimosos em relação a esta questão? Será que é para poderem continuar a gerir as coisas (leia-se resultados de jogos e provas) da forma que lhes dá mais jeito? Porque será?

João Nuno Coelho