Archive for the ‘"O Leão da Serra" - As crónicas de Francisco Pinheiro’ Category

Leão da Serra IV - “Modelos e barba rija”

Sexta, Maio 2nd, 2008

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Uma das principais mudanças a que se assistiu no futebol português, e um pouco por toda a Europa, nas últimas décadas, foi a nível estético. Nos anos 1970 e 1980 predominavam os cabelos compridos, a barba farfalhuda e o famoso bigode. O melhor exemplo em Portugal terá sido a equipa do FC Porto, campeã em 1978/79: dos onze habituais titulares, nove, repito, nove!, tinham bigodes imponentes: Teixeira (bigode discreto), Simões (bigode despenteado), Gabriel (bigode brigão), Oliveira (bigode de capitão), Frasco (bigode penteadinho), Rodolfo (bigode sério), Murça (bigode à pirata), Fonseca (bigode à mauzão) e Costa (bigode farfalhudo). Sem bigode só mesmo o “bi-bota” Gomes e Duda.

 

O Sporting, infelizmente, nunca foi muito dado a jogadores de “barba rija”. Da equipa que venceu o título em 1982, apenas quatro jogadores, do habitual onze, costumavam usar bigode. Mas um desses bigodes valia pelo menos por cinco: quem não se recorda do famoso bigode do guarda-redes Meszaros? Era verdadeiramente soberbo, digo de um pirata famoso ou de um sanguinário espadachim oriental. Em 2000, quando os “leões” voltaram a conquistar o título, já nem um bigode restava…

 

Talvez seja isso que nos faz falta, ou seja, jogadores de barba rija e bigodes intimidativos. Muitos jovens, com ar de modelos, muito “clean”, como sucede no actual Sporting, não intimidam ninguém, mais ainda num mundo tão masculinizado como o do futebol. Deve ser por isso que adoro ver um senhor com nome felino, o Gatuzzo, do AC Milão. Apesar da sua voz gentil e quase angelical, a barba por fazer e o bigode negro, conferem-lhe um ar verdadeiramente atemorizador. Talvez não fosse má ideia, num mundo de transferências, ir buscar o assessor de moda do Gatuzzo para o Sporting… Volta bigode, estás perdoado!

 

Francisco Pinheiro 

O Leão da Serra III - “Mais vale tarde que nunca”

Sbado, Maro 22nd, 2008

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Muito se tem questionado o Paulo Bento nestas últimas semanas, talvez meses… Eu sou um dos tais, mas não um desses! Sou daqueles adeptos chatos que gostam de perceber as coisas! E ainda hoje, já com algum tempo de distância, ainda não percebi qual foi o critério em que assentou a escolha de Paulo Bento para treinador principal do Sporting.

 

Diziam que o Peseiro não tinha mão nos jogadores e o balneário era um antro de indisciplina. Assim, combate-se indisciplina com disciplina! Lógico? Talvez! Mas nem sempre a lógica faz sentido no futebol, tal como na própria vida!

Peseiro tinha currículo, curto mas interessante! Peseiro levou-nos a uma final da Taça UEFA, numa altura em que as competições europeias são dominadas por equipas dos principais campeonatos europeus. Peseiro esteve a sete minutos de vencer o Campeonato Nacional: ainda hoje o Ricardo tem pesadelos com a careca do Lusião… E, acima de tudo, Peseiro colocou a equipa a dar espectáculo e a jogar bom futebol.

 

E qual era o currículo do Paulo Bento como treinador? Como futebolista fez uma boa carreira, sem dúvida! Mas não podemos confundir as duas coisas: bom futebolista nem sempre dá grande treinador. Basta olhar para Maradona, Pele ou Eusébio. Paulo Bento, como treinador, apenas tinha passado pelos juvenis do Sporting. Vitorioso, é verdade, mas apenas isso, e nada mais. Nada no seu breve, curtíssimo currículo como treinador, justificava a sua escolha, a não ser que o principal motivo tivesse sido de ordem financeira… O clube não tinha verbas para contratar melhor treinador! Falou-se disso e ainda se fala! Mas se assim for, pergunto: não tem dinheiro para um bom técnico mas tem para pagar somas avultadas aos jogadores? Algo de errado se passa neste nosso futebol, se assim for! Bento trazia fama de disciplinador. Terá sido essa a razão da escolha? Se assim foi, tenho que desabafar, mais valia ter ido buscar a Manuela Ferreira Leite. Sim, que educar sete filhos, e ser Ministra das Finanças, deve dar muita experiência ao nível da disciplina…

 

Voltando ao nosso assunto. Há que admitir que com o Paulo Bento vencemos uma Taça de Portugal. Eu, sinceramente, prefiro mil vezes chegar à final da Taça UEFA (mesmo perdendo) do que vencer a Taça de Portugal. Questão de opiniões!

 

Depois disto, devem estar a pensar que sou dos que anseia pela saída de Paulo Bento! Não, nada mais longe da verdade! E não, não é por ironia que digo isto! O que a actual direcção do Sporting esta a fazer, segurar um treinador, é a atitude mais correcta por parte de qualquer clube, principalmente porque a estabilidade traz sempre os seus frutos, mas cedo ou mais tarde – veja-se o caso inglês do Manchester United ou Arsenal. Dá confiança ao treinador no seu trabalho, dá sinais claros aos jogadores que não podem andar sistematicamente a “fazer a cama” aos treinadores e transmite a mensagem correcta aos adeptos: não se pode andar a mudar de treinador consoante o vento das derrotas. 

 

Francisco Pinheiro

 

 

 

O Leão da Serra II - “Época de caça ao bufo”

Segunda, Fevereiro 18th, 2008

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O bufo sempre foi um animal perseguido, o que em parte se compreende. Diz o que não deve e, sempre, às pessoas erradas! Conta o que se devia esconder! Fala com quem é proibido! Ou seja, tem o perfil de um adolescente!

Às vezes, os clubes, quando não conseguem caçar o bufo, levantam-lhe barreiras, ou seja, instituem o mudo “black-out”, uma espécie de recolher obrigatório que restringe a acção dos bufos. Inclusivamente, uma vez, ouvi um responsável do nosso Sporting, da área da comunicação, numa palestra pública, a defender a ideia do jornal único (claro, o Jornal do Sporting) como forma de informar os adeptos. Sim, porque os jornais desportivos “públicos” nem sempre contam o que “nós” queremos… se os clubes fossem uma religião, chamariam estes jornais de “infiéis” e aos bufos de “judas”.

No Sporting, nas últimas semanas, está aberta a caça ao bufo. Pois, ao bufo que se lembrou de contar o que não se devia saber, mas já se desconfiava. Ao bufo que mostrou as fragilidades de um grupo técnico que veio para disciplinar e substituir outro acusado de não ter pulso nos jogadores! O que vale é que no futebol, como na vida, a memória é curta! Mas resta saber o que será melhor: se bom futebol no campo e alguma folga no balneário, se mau futebol no campo e indisciplina no balneário! Não, não me enganei na reflexão…

 

Francisco Pinheiro 

O Leão da Serra I - “Mais vale perneta no campo que às no sofá”

Quarta, Fevereiro 13th, 2008

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É à volta do mundo da bola que giram provavelmente 70 por cento das conversas masculinas neste país. Não, não é uma crítica. Mais vale isso que falar mal do vizinho (o que deve corresponder a 10 por cento)! Mais dez são dedicados a falar de mulheres, claro, e os restantes 10, obviamente, para dizer mal do País. Sobre as conversas femininas não sei, nem quero arriscar muito, mas imagino que nos últimos anos a percentagem de conversas sobre futebol tenha aumentado substancialmente, em parte graças ao penteado do Paulo Bento!

Brincadeiras à parte, ou melhor, com algumas brincadeiras à mistura, vou passar todas as semanas a escrever neste blog sobre o Sporting Clube de Portugal. Aviso já que não me enquadro na secção do “adepto fanático”, nem na do “adepto ferrenho”, nem tão pouco no “adepto incondicional”. Faço mais parte dos adeptos que antes de tudo gostam de Futebol! Pois, somos poucos, uma espécie em extinção, mas ainda existimos. Costumo dar o exemplo do dia 14 de Dezembro de 1986, em que o Sporting goleou 7-1 o Benfica de Mortimore. Esteve uma tarde fantástica de sol e frio no sopé da Serra da Estrela e enquanto o Manuel Fernandes punha de olhos em bico o Silvino, eu fora destacado para a posição de lateral direito, numa futebolada contra a forte equipa de seminaristas do Verbo Divino. Como todos éramos do Sporting ou do Benfica (a Beira Baixa era ainda terra inóspita para portistas), mas também não queríamos deixar de jogar, decidimos colocar um rádio, com umas potentes colunas, na linha lateral e enquanto jogámos, pudemos acompanhar o desenrolar do “derby” lisboeta.

Que grande tarde de futebol, quer através do rádio, quer no campo pelado do Seminário. Nesse dia perdemos contra os rodados seminaristas. Pouco havia a fazer contra uma equipa abençoada por Deus e que conhecia em pormenor todos os buracos do campo. O Pacheco, que jogava a extremo-esquerdo pelos aspirantes a padres, trocou-me os olhos várias vezes! Quando acelerava, eu só rezava para que o campo encolhesse. Mas que grande tarde de futebol. Pelo rádio lá se iam ouvindo “gooooooooooooooooolo do Sporting”. Sete vezes. Sete!

Nós perdemos (o raio do Pacheco deixou bem evidente que a minha carreira futebolística nunca iria longe…), o Sporting também perdeu o campeonato, mas esse dia entrou para a história do Sporting e da vida de 22 jovens que preferiram jogar a ficar a ver os outros jogarem…

 

Francisco Pinheiro