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Alguns dados relevantes da 10ª jornada do Campeonato e um Balanço do primeiro terço do campeonato dos “grandes”

Como devem compreender não é possível colocarmos online todos os dados recolhidos e analisados pela FOOTBALL IDEAS. Afinal de contas produzimos conteúdos para os media e temos que respeitar os acordos estabelecidos.

Mas procuramos sempre deixar alguns destaques relativos aos jogos dos “3 grandes” neste blog e é isso que fazemos neste post relativo aos encontros da 10ª jornada, que encerrou o ciclo do 1ª terço do campeonato.

FC PORTO

- FC Porto voltou a perder pontos no campeonato, novo empate depois de 8 vitórias consecutivas, sofrendo nos 5 minutos finais deste jogo tantos golos (2) como nos 810 minutos de campeonato antes disputados (9 jogos).

- O FC Porto não perde para o campeonato desde o jogo no Bessa da época passada (29 de Abril de 2007), ou seja, há 13 encontros.

- Na presente temporada em todas as competições oficiais (16 jogos) tem o seguinte registo: 1 derrota (Sporting - Supertaça), 5 empates (Fátima – eliminado da Taça da Liga nos penaltis; Liverpool; Marselha, Belenenses e Amadora), 10 vitórias.

- Os portistas marcaram pelo menos um golo em todos os jogos do campeonato, tendo sofrido o 4º frente ao Estrela, mantendo a defesa menos batida da prova (média de 0,4 por jogo).

- A equipa sofreu os primeiros golos de bola parada (e logo 2) da época, concedendo também o seu primeiro penalti.

SPORTING

- Depois de marcar 4 golos num jogo (frente à Naval) o Sporting sofreu 3, algo que confirma a instabilidade da equipa e já não acontecia desde 5 de Dezembro de 2006 em jogo da Liga dos Campeões frente ao Spartak de Moscovo (1-3 em Alvalade).

- O Sporting tem já 8 golo sofridos, mais de metade do que concedeu na Liga do ano passado (15). A equipa sofreu 3 golos dentro da área neste jogo, tal como todos os 8 que leva concedidos no campeonato.

- O Sporting já sofreu 4 golos de bola parada na prova (metade dos golos concedidos) e quase tantos como sofreu desta forma na Liga transacta (6).

- É a quarta vez que a equipa termina um jogo do campeonato sem marcar golos (num total de 10 encontros disputados).

BENFICA

- Benfica conseguiu cumprir um ano sem perder no campeonato nacional: 31º jogo consecutivo, desde 17 de Novembro de 2006, em Braga, 1-3) somando 21 vitórias e 10 empates.

- O Benfica voltou a marcar 6 golos num jogo de campeonato, o que não acontecia desde 2003, em Setúbal (6-2), também com Camacho como treinador da equipa.

- Os encarnados passaram a ser o melhor ataque da prova com 19 golos, superando a sua média de 1,8 por jogo da época passada.

- Neste jogo a equipa lisboeta conseguiu 6 golos todos dentro da área adversária, tal como aconteceu em 16 dos 19 golos apontados no campeonato.

- A equipa sofreu o seu quinto golo na prova (todos concedidos dentro da grande área), conseguindo uma média bem mais positiva do que no ano passado (0,5 por jogo contra 0,7).

A DEFESA É O MELHOR ATAQUE?
A estatística dos “3 grandes” no primeiro terço do campeonato

A estatística não nos diz tudo, nem sequer traduz simplesmente a verdade dos factos. É bem melhor quando a encaramos como apenas mais uma forma de olhar a realidade, podendo ajudar-nos ler os acontecimentos. Com este espírito, partimos para uma primeira análise estatística do comportamento dos 3 grandes do futebol português no final do primeiro terço do campeonato nacional, tendo sempre como referência comparativa a prova do ano passado.
É importante clarificar ainda que nesta análise lidamos com alguns elementos que encerram alguma subjectividade – como é o caso dos “remates perigosos” ou os “passes de ruptura” -, o que nos parece acrescentar uma dimensão mais humana à análise, tornando-a mais completa e significativa.

PONTOS

Importa começar com o dado mais objectivo e relevante: os pontos na classificação geral. Apetece dizer que o comandante da prova é o de…sempre. Se não é verdade, pelo menos parece: o FC Porto mantém-se líder campeonato nacional desde há, imagine-se, dois anos e quase três meses, desde a primeira jornada do campeonato 2005/06, que acabaria por vencer sem sair do primeiro posto, o que sucederia também em 2006/07. Na época passada, à 10ª jornada, tinha 25 pontos (menos 1 do que este ano), contra 23 do Sporting (que tem agora 19) e 19 do Benfica (que tem agora 22). Portanto, o Porto está quase na mesma (apesar de ainda não ter perdido na presente temporada enquanto no campeonato transacto já tinha baqueado em Braga), enquanto o Benfica está bem melhor, por troca com o Sporting, que tem menos 5 pontos.

A boa carreira do Porto no campeonato explica-se acima de tudo pela sua melhoria comparativa em termos defensivos: é a defesa menos batida com 4 golos e sofreu em média por jogo quase metade dos golos da temporada passada (0,4 contra 0,7). Para isso contribuiu muito o facto dos portistas estarem a permitir menos remates no alvo por jogo e menos remates perigosos.
Já em termos ofensivos, os azuis-e-brancos pioraram em toda a linha: menos golos marcados em média por jogo (1,8 para 2,2 na época passada), apresentando menos remates, menos pontaria (5,8 remates no alvo em 2007/08 contra 8,5 em 2006/07), e menos chutos perigosos (5 contra 7,8). As perdas aqui contabilizadas podem-se explicar pela perda de capacidade de construção de jogo ofensivo dos campeões nacionais: o número de passes de ruptura por jogo diminuiu de 15,3 para 10, o mesmo se passando com o número de cruzamentos efectuados. Apenas os passes em profundidade se mantiveram no mesmo patamar, provando que o futebol portista assenta cada vez mais nas passagens rápidas entre defesa e ataque em detrimento da circulação de bola.

Curiosamente, a equipa que mais pontos perdeu em relação á época passada, o Sporting, é a única que apresenta algumas melhorias em termos de números ofensivos. Os Leões marcaram menos golos (1,6 contra 1,8 em 2006/07), mas remataram mais vezes e com mais perigo. Um problemas de eficácia (apenas 10% na relação remate-golo) a que se junta uma quebra acentuada na capacidade de construção de jogo, quer mais apoiado (descida de 12,9 passes de ruptura por jogo para apenas 8), quer mais directo (5,9 passes longo por jogo para 2,9).
Mas os 5 pontos perdidos pelos Leões em relação a igual momento da época passada explicam-se antes de mais pelo comportamento defensivo da equipa. O Sporting tem já 8 golos sofridos, mais de metade do que concedeu na Liga do ano passado (15). O Sporting já sofreu 4 golos de bola parada na prova (metade do total de golos concedidos) e quase tantos como sofreu desta forma na Liga transacta (6), permitindo ainda aos seus adversários um número superior de remates, no alvo e com perigo.

Finalmente, o Benfica continua a sua impressionante caminhada de jogos sem perder (acabou de completar um ano inteiro invicto: 31º jogo consecutivo, desde 17 de Novembro de 2006, somando 21 vitórias e 10 empates), assentando a sua melhoria na diminuição de golos sofridos (0,5 em média por jogo para 0,7 em 2006/07), isto apesar de sofrer mais remates (10,8 para 9,7) e mais remates com perigo (5 para 3,2). Em termos ofensivos a equipa apresenta dados semelhantes aos do ano transacto, com média de golos e de remates muito parecidas, merecendo destaque a manutenção de uma boa capacidade de construção de jogo apoiado (15,5 passes de ruptura por jogo), bem superior à dos seus adversários directos.
Para esta realidade contribui muito aquele que tem sido o jogador mais valioso do plantel encarnado no presente campeonato: Rui Costa, que leva a impressionante média de 3,8 passes de ruptura por jogo, alem de 2 golos e 3 assistências.
Se Rui Costa cria jogo ofensivo como ninguém, Lisandro tem marcado como nenhum outro neste campeonato, assumindo-se como o jogador em destaque no FC Porto, com os seus 9 golos em 9 jogos, mais 5 do que o melhor goleador da época passada, o sportinguista Liedson, que se assume como melhor elemento da sua equipa no que levamos de campeonato, mostrando-se imbatível em termos de remates perigosos (média de 2,3 por jogo).

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