O primeiro balanço do campeonato: 6 ideias sobre a I Liga 2007/08

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1)  Para lá dos diferentes discursos justificativos dos diversos intervenientes, há um ponto em que podemos ser objectivos, avaliando o cumprimento ou não das principais metas anunciados por cada clube no início do campeonato. Assim temos:

. Clubes que cumpriram principais objectivos propostos: FC Porto (campeão); Marítimo (UEFA), Nacional, Naval, Académica, E. Amadora, Leixões (manutenção)

. Clubes que não cumpriram principais objectivos propostos: Sporting e Benfica (não foram campeões e no caso dos encarnados não chegaram á Liga dos Campeões), Sp. Braga, Belenenses e Boavista (falharam a “Europa”), Paços de Ferreira e U. Leiria (desceram de divisão).

. Finalmente, clubes que ultrapassaram os objectivos propostos: Vitória de Guimarães (apuramento para a Liga dos Campeões); Vitória de Setúbal (6º lugar que daria apuramento para a Intertoto, não fosse a qualificação dos sadinos para a UEFA, por via da Taça da Liga)

 

2) O FC Porto teve uma superioridade esmagadora sobre os seus adversários: terminou com 20 pontos de avanço sobre o segundo classificado, o que constituiu novo recorde de diferença entre 1º e 2º em mais de 70 anos de história do campeonato (embora a segunda melhor marca, a do Benfica de 72/73 tenha sido obtida numa altura em que as vitórias contavam apenas 2 pontos). Apesar disso o FC Porto marcou menos golos do que época passada (60 para 65), realizou menos remates, menos remates no alvo e menos remates perigosos. Mas se em termos ofensivos este FC Porto foi inferior ao da época passada, defensivamente superou-se, sofrendo menos 7 golos (13 para 20), concedendo menos remates, menos remates no alvo e com perigo.

 

3. Relativamente aos seus 2 adversários tradicionais a superioridade do FC Porto não foi justificada pelo maior volume de jogo ofensivo: embora seja o que mais marca e o que mais remata, é o que menos remates perigosos efectua – ou seja, saber aproveitar as oportunidades de golo é fundamental. Também ao nível dos cruzamentos não existem grandes diferenças entre os “grandes” (com o Sporting à cabeça, apesar de jogar em 4×4x2…), o mesmo acontecendo nos passes de ruptura (o Benfica tem mais passes deste tipo, em grande parte devido a Rui Costa). Mesmo em termos de aproveitamento das bolas paradas, um factor considerado fundamental no futebol moderno, o FC Porto é dos três o que menos tentos consegue, com o Benfica a repetir a liderança do ano passado, embora com o Sporting por perto).

 

4. Perante este cenário, podemos dizer que o FC Porto começou a ganhar a prova graças à sua performance defensiva. O FC Porto sofreu cerca de metade dos golos concedidos pela segunda melhor defesa do campeonato (a do Benfica) e permitiu muito menos remates perigosos do que os seus oponentes. Esta consistência defensiva é ainda complementada por uma característica fundamental do jogo portista, directamente relacionada com a transição entre o momento defensivo e o processo ofensivo: a capacidade de pressionar alto e recuperar muitas bolas em meio-campo adversário (quase 17 por jogo, contra 12 do Sporting e 13 do Benfica). É esta característica que permite as famosas transições rápidas que tanta diferença fazem…

 

5. Falta ter em conta uma dimensão fundamental do jogo: a performance individual dos jogadores. O FC Porto coloca pelo menos 6 dos seus atletas entre a melhor dúzia de futebolistas dos “grandes” do presente campeonato: Lisandro Lopez, melhor marcador da Liga, com uma media perto de um golo em cada três remates; Lucho Gonzalez, o jogador mais completo a actuar em Portugal; Ricardo Quaresma, o maior desequilibrador do campeonato; Paulo Assunção, o pêndulo do futebol portista; Bruno Alves, o melhor defesa central da prova; Bosingwa, o melhor lateral. A eles juntam-se Quim (Benfica), Polga (Sporting), Léo (Benfica), Moutinho (Sporting), Rui Costa (Benfica).

 

6. A grande revelação da prova foi o Vitória minhoto, que vindo da II Liga conseguiu a proeza do apuramento para a Champions (última pré-eliminatória): ainda para mais os vimaranenses não dispunham de um plantel recheado de grandes jogadores, valendo-se antes de uma atitude competitiva muito desenvolvida. Note-se que até ao ultimo jogo da prova, tinham uma diferença de golos igual a zero (31 marcados para 31 sofridos), e só por duas vezes ganharam um jogo por diferença superior a 1 golo (4-1 na Naval e 4-0 na última jornada ao E. Amadora). No fim da prova, o Vitória foi apenas o sexto melhor ataque do campeonato, sendo também a sexta melhor defesa, baseando o terceiro lugar no comportamento “em casa”, com 11 vitórias, 2 empates e 3 derrotas (apenas 4 vitórias “fora”), em que superou claramente o 4º classificado Benfica (apenas 7 vitórias em casa).

 

 

Quadro 1 - dados colectivos ofensivos (números médios por jogo)

 

 

FC Porto

Sporting

Benfica

 

 

 

 

Golos

2

1,5

1,5

Golos obtidos na sequência de bolas paradas

0,4

0,6

0,7

Remates

15,8

14,5

14,3

Remates perigosos

5,5

7,2

6,5

Cruzamentos

18,7

19,2

18,6

Passes de ruptura

11,1

8,3

11,5

 

 

 

 

 

Quadro 2 - Dados colectivos defensivos (números médios por jogo)

 

 

FC Porto

Sporting

Benfica

 

 

 

 

Golos Sofridos

0,4

0,9

0,7

 Remates concedidos

10,6

11

10,9

Remates perigosos  concedidos

2,4

4,9

4,3

Recuperações em meio-campo adversário

16,4

11,9

13,2

 

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